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Sessão de 9 de Dezembro de 1924

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volta deste Governo, que representa unia facção radical dentro do regime, possam agrupar-se todos aqueles que têm no seu credo orientação semelhante, e ,do outro lado possam- arrumar-se as forças tradicionais e conservadoras.

Espero com ansiedade os actos do Governo, sob o ponto do vista a encaminhar-nos para uma solução rápida do problema nacional.

O Governo tem em si elementos para chegar a este desideratum. Apresentou uma declaração ministerial; não me referirei a ela porque as declarações ministeriais são sempre promessas, e não vale a pena porder tempo a discutir promessas.

Quando as realizações destas promessas só forem efectivando, então terei ocasião .de apreciar os actos do Governo.

Mas a respeito do problema político, lembro o que diz o Governo na sua declaração.

Foi o Sr. José Domingues dos Santos meu colega no Ministério .Álvaro de Castro, e de S. Ex.a tenho as mais gratas recordações.

Tom S. Ex.a grandes qualidades de inteligência, de boa vontade e de energia para encaminhai o Governo como deve.

1 Mas tome cuidado em ver de que lado soprará o vento.

O Ministério tem uma constituição que é das melhoras em relação aos outros Ministérios.

Sete dos Srs. Ministros estão perfeitamente bem dentro das suas pastas e'os . restantes vou demonstrar que estão à. vontade dentro dos assuntos das pastas que sobraçam.

Assim, o Sr. Ministro da Justiça é um magistrado distinto; o Sr. Ministro da Guerra, meu colega duas vezes em Ministérios transactos, é um militar que tem prestado relevantes serviços ao seu País. Versarei alguns assuntos da pasta da Guerra em diferentes . sessões, para os quais chamarei a atenção de S. Ex.a oportunamente.

Na pasta do Comércio está o Sr. engenheiro Plínio da Silva, um profissional distintíssimo, conhecedor de todos os .assuntos que correm por essa pasta.

Tem que destruir parte da obra d'o seu .antecessor, infeliz em muitos pontos, mas iern também muito q*ue edificar.

Temos o Sr. Ministro das Colónias, um dos meus amigos queridos, conhecedor das questões coloniais, e que vem animado d;> desejo de bem servir a Pátria e a Eepública.

Temos também o Sr. Ministro da Agricultura, que é pessoa competente, um pouco teórico, segundo dizem.

Acho que S. Ex.a não poderá realizar a grande obra em que eu desde pequenino ouço falar.

O Sr. Ministro do Trabalho parece uma pomba metida num. vespeiro. Em sucessivas palestras, ir-lhe-hei dizendo onde estão os xãugãos do cortiço do Ministério do Trabalho, para S. Ex.a se livrar das suas ferroadas.

Desde já peço a S. Ex.a que compareça nesta Câmara numa das próximas sessões, para tratarmos de. alguns assuntos im* portantes, que correm por essa pasta.

O Sr. João de Barros está no Ministério dos Estrangeiros, perfeitamente bem. £.0 que é a diplomacia? A diplomacia 6 a cortesia nas palavras e a elevação nas ideas.

S. Ex.a é um literato distintíssimo e duma cultura mental elevada. Portanto, no seu lugar está perfeitamente bem.

Não é a primeira vez que um literato toma conta da pasta dos Negócios Estrangeiros, desempenhando esse cargo com notáve) proficiência.

Assim, lembro-me por exemplo do Sr. Melo Barreto, que era um literato, do Sr. Júlio Dantas, também literato e grande escritor, e S. Ex.as exerceram nesse Ministério um papel realmente notável.

PortantOj há uma perfeita ligação entre a literatura e a diplomacia.

Está pois S. ExJ1 muito bem na sua pasta.

Com respeito ao Sr. Ministro das Finanças acusam-no de não ter a preparação precisa para bem desempenhar as suas funções.

Ora, eu peço licença à Câmara para dizer que a respeito de preparação em matéria de finanças tenho as minhas dúvidas acerca do que ela seja.

Fiz parte de três Ministérios com três Minisjtros de Finanças que são considerados sumidades na finança portuguesa, e são-no realmente.