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Sessão de 21 de Janeiro de 1925

mal-estar, que se vai agravando cada vez mais.

Há dias li num jornal que tinha sido enviado um telegrama para Cezimbra, a fim de não serem enviados para Lisboa mais cabazes de peixe, para que o peixe não barateasse.

Isto ó uma cousa que chega a parecer impossível, pois numa altura em que todos nós reconhecemos que o peixe atingiu um preço absolutamente injustificável, não há sequer uma autoridade que imponha que aos assambarcadores, ou aos indivíduos que pretendem o agravamento da vida se lhes ponha um travão.

Lê-se quási todos os dias nos jornais que toneladas e toneladas de peixe são lançadas ao mar, sem que haja uma autoridade que impeça esse procedimento criminoso.

Sr. Presidente: agora vem agravar ainda mais a vida em Lisboa o preço da carne, pois, quando os vapores vindos da Argentina estão descarregando umas trezentas a quatrocentas cabeças de gado bovino, aparece a notícia de que a carne aumentou mais 1$ em quilograma; a hortaliça neste tempo, que é aquele em que as hortas mais produzem, vai atingindo um preço absolutamente extraordinário, e o Governo, Sr. Presidente, parece adormecido, parece esquecido daqueles que labutam dia a dia pela vida, principalmente neste momento em que uma crise de trabalho avassala todas as classes.

E para este facto, e sem mais comentários, que peço a atenção do Governo, e peço a V. Ex.a, Sr. Ministro da Justiça, se digne transmitir este meu pedido ao Sr. Presidente do Ministério, no sentido .de S. Ex.a pôr em prática, desde já, as medidas que nos anunciou aqui, e que anunciou a todo o País, de modo a acabar este estado lamentável em que vivemos.

O Sr. Ministro da Justiça e dos Cultos (Pedro de Castro): — Ouvi com toda a atenção as considerações feitas pelo ilustre Senador Sr. Serra e Moura, e prometo a S. Ex.a que transmitirei ao Sr. Presidente do Ministério e ao Sr. Ministro da Agricultura as considerações que fez sobre a carestia da vida.

No emtanto, peço licença para rebater algumas palavras que S. Ex.a proferiu.

O Governo tem procurado por todos os meios ao seu alcance fazer alguma cousa nesse sentido, e assim já conseguiu uma pequena baixa no pão, assim como em alguns géneros de mercearia. Pelo que respeita ao peixe, devo dizer que já se procede por forma a que as descargas do peixe não dêem lugar a que se atire Tejo fora às toneladas. O peixe já hoje abastece o mercado.

Como, porém, tal assunto não corre pela minha pasta, levarei ao conhecimento do Sr. Presidente do Ministério e do Sr. Ministro da Agricultura as considerações do ilustre Senador.

Tenho dito.

O Sr. Joaquim Crisóstomo (para interrogar a Mesa): — Sr. Presidente: desejava que V. Ex.a me informasse se, tendo sido convidados a comparecerem à sessão os Srs. Ministros da Agricultura e do Comércio, S. Ex.as deixarão de comparecer nesta casa do Parlamento.

O Sr. Presidente : — Não o posso dizer a S. Ex.a

Lembro-me de terem sido avisados os Srs. Ministros da Agricultura e Finanças; o do Comércio, não.

S. Ex.a deseja usar da palavra?

»

O Sr. Joaquim Crisóstomo : — Satisfazer-me-ia plenamente com a presença do Sr. Ministro da Agricultura. Não me parece muito parlamentar esta atitude do Sr. Ministro.

..Sabendo S. Ex.a que alguns Srs. Senadores o desejam ouvir acerca do magno problema da carestia da vida e sobre outros assuntos, que correm pela sua pasta, não me parece, repito, razoável que S. Ex.a tam teimosamente se recuse a comparecer perante o Senado.

A mim, quere-me parecer que este' facto não tem precedentes na história parlamentar.

Todos os homens que têm feito parte do Poder Executivo, sempre que algum Parlamentar, seja Deputado ou Senador, solicitou a sua comparência, têm correspondido ao convite que lhe é feito, justificando a sua ausência • se porventura não podem comparecer.