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14 DE DEZEMBRO DE 1954 199

A sua acção de fomento e de coordenação e os seus tentáculos, partindo dum ponto como centro, distribuem-se em todas as direcções de uma nação e estendem-se até suas fronteiras, e só até aí. Daí a legitimidade da designação de nacional.
A sua existência pressupõe a impossibilidade da sua duplicação nu multiplicação. A natureza da sua acção não pode abstrair das condições sociais e políticas que no Faia vigorem e o cumprimento do seu programa de realizações não tem cunho demasiado pessoal, pois, para bem o dirigir, não será necessário um investigador ou homem de ciência. Bastará apenas possuir bom senso e cingir-se a normas que, de começo estabelecidas, de muito prestarão obediência a rotina.
Com o Instituto as coisas suo diversas.
Se o objectivo imediato de um instituto e a investigação da ciência, este nunca mereceria a designação de nacional, porque os frutos da sua acção se não detêm apenas nas fronteiras do país onde se produziram as descobertas. Os métodos de investigação da ciência são alheios a concepções políticas ou ideológicas de quem descobre a própria ciência.
A ciência, na sua objectividade pura, não tem fronteiras e, se excluirmos os resultados da energia atómica, pode dizer-se que não há descoberta até aqui feita que não tenha percorrido logo os países civilizados, a partir da sua origem, com a velocidade própria dos veículos normais, quando não com a velocidade da onda hertziana.
Resumindo, diremos, pois, que, se o Instituto de Cardiologia investiga a ciência cardiológica, o Instituto de Assistência Nacional aos Cardíacos aplica a ciência já investigada.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - 3.º A terceira fracção da verba reservada a assistência aos cardiovasculares deverá aplicar-se, na primeira fase de estudo, na construção e instalação de um sanatório de crianças convalescentes de crises de reumatismo cardioarticular.
Como justificá-lo? Muito facilmente: a cardiopatia reumatismal ocupa os primeiros lugares na mortalidade infantil (dentro do período compreendido entre os 5 e os 12 anos). Por outro lado, nos serviços de cardiologia em hospitais de adultos metade dos leitos é ocupada por doentes atingidos por cardiopatia reumatismal. A prevenção dos cardiopatias reumatismais constitui, por isso, problema social do maior relevo.
Ora o reumatismo cardioarticular, a que os radiologistas de língua inglesa chamam febre reumática, é, em regra, doença crónica, caracterizada por surtos agudos, separados por períodos de aparente acalmia e de duração variável. Cada novo surto agudo é nova ferida rasgada no coração do doente, que por tal facto vê agravadas, e cada vez mais, as suas possibilidades funcionais.
Tanto isso é Verdade que os estatísticas mostram que, quando os reumáticos são recebidos no sanatório na convalescença da primeira crise, 70 por cento terminam a convalescença com o coração ileso; quando recebidos após a segunda crise só 30 por cento terminam com o coração indemne; se após a terceira crise, a percentagem reduz-se a 10 por cento e mais se reduz ainda, apenas a 4 por cento, se o doente é recebido após a quarta crise.
As datas das recidivas encontram-se em regra dentro dos cinco primeiros anos que se seguem a primeira crise. Esta repete-se por intervalos tanto mais curtos e com gravidade tanto maior quanto mais tenra é a idade da criança atingida pelo primeiro surto.
E quais são os meios de que se dispõe para evitar a repetição das crises? Responde-se: o internamento em hospital de convalescença. Este possui um triplo objectivo:
1.° Se recebido o doente na convalescença de uma crise, tentar evitar que ela se repita;
2.º Se já possui lesão cardíaca, tentar que esta não evolucione, mesmo que se detenha ou retroceda;
3.º Se ainda a não possui, tentar evitar que a contraia.

De duas armas dispõe:

a) Repouso;
b) Tratamento adequado.

Não vou ocupar a Assembleia descrevendo em que consiste este.
Sr. Presidente: parece à primeira vista que tanto o repouso como o tratamento profiláctico ou medicamentoso pode a criança recebê-los num hospital geral. E neste que entra o doente com a crise de febre reumática e é aí que, pela terapêutica salicílica ou hormonal, se debela ou tenta debelar. Uma vez, porém, debelada a crise, deveria sistematicamente, para todos os doentes, fazer-se a sua transferência para o hospital de convalescentes, que, por tal razão, não deverá ficar muito afastado do hospital comum. Mas porquê a transferência e não a continuação no hospital comum?
Porque aquele deve estar provido de outras instalações, outros recursos, outros tipos de assistência. O exame médico de doentes desta natureza é biquotidiano, porventura para discriminação dos mínimos sinais de febre reumática e necessidade de lhes atribuir tratamento imediato.
As crianças com insuficiência cardíaca reclamam cuidados urgentes a toda a hora do dia e da noite: determinação diária da velocidade de sedimentação, vigilância da fórmula sanguínea, colheita frequente do electrocardiograma e dos exames radiológicos, investigação do estreptococo hemolítico na orofaringe de todos os doentes aí internados, etc., tudo fazendo que seja obrigatório o funcionamento de um laboratório bem equipado.
Mas isto seria ainda o menos. Acima de tudo, a criança precisa de permanecer no leito por vezes durante meses consecutivos. Por isso o sanatório exige pessoal em certo número e qualidade, pois o sector educativo desempenha aí papel de muito mais largo alcance.
E no repouso rigoroso que reside a maior arma, a mais benéfica e decisiva, no decurso da convalescença, pois por sua influência a temperatura, a velocidade de sedimentação « os sinais inflamatórios melhoram e mais se poupa o coração do pequeno doente. A cura de repouso é muito difícil, já porque os doentes são crianças, já porque, extinta a crise, sentem logo recuperados as forças. Pedir à criança que fique três ou mais meses na cama, num hospital geral, que, em regra, a não detém, pois lhe dá alta apenas suprimida a crise, ou no seio da família - que, em regra, vive em precárias condições económicas, e onde não recebe os cuidados e a alimentação que melhor lhe convém -, quando toda a gente em sua volta- conduz uma vida normal e de movimento por vezes agitado, é impor-lhe uma penitência que não suporta. Justificadamente dizem Labesse e Dagonet, médicos do Hospital-Sanatório de La Roche-Guyon, que o repouso não tem o mesmo significado para o doente, para os pais e para o médico do sanatório. Para o primeiro o repouso é compatível com o vestir um pijama, e, embora não saindo do