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200 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 61

quarto, levar uma vida de movimento incessante. Para os pais o repouso é compatível com o passeio de carro ou mesmo a pé, contanto que a criança declare que se não fatiga.
Para o médico o repouso num sanatório especializado é o único verdadeiro e por isso o único eficaz.
E, se este é difícil num hospital comum, já o não c no sanatório destinado exclusivamente as crianças reumáticas, onde a vida é idêntica para todos e tudo se passa no leito: toilette, refeições, aulas, jogos, etc.
As horas de sano, das 20 horas de um dia até às 7 horas do dia seguinte e das 13 horas às 15 horas do mesmo dia, são facilmente respeitadas, porque é norma que a todos se aplica. Mas uma terceira razoo, e não menos importante e que distingue o sanatório do hospital comum, é que o tempo ali é suficientemente cheio para que a criança se não deva aborrecer. O factor educativo desempenha aqui enorme papel e seria impossível aplicá-lo, em toda a sua plenitude, num hospital geral. Médico e educadora colaboram estreitamente para que o grau de educação de cada doente seja adaptado à gravidade do seu caso e à duração provável do seu internamento, uma crise de reumatismo cardíaco de gravidade média vai provocar a interrupção da escolaridade por seis ou mais meses e nos anos que se seguirem interrupção por iguais lapsos de tempo.
Ora, no sanatório o repouso físico não se confunde com preguiça intelectual, pois às crianças é ministrado o ensino na mesma variedade e intensidade que nas escolas oficiais, e assim a criança não perdeu tempo, o que não aconteceria se num hospital, debelada a crise, tivesse alta e recolhesse ao seio da sua família. Aqui, já o dissemos, o repouso é ilusório, a crise reumatismal não acabaria por se estabilizar, cedo se resignaria à preguiça e se habituaria a ser considerado como doente de elevado grau.
Podem considerar-se modelos de hospitais deste género, pela sua organização, o Queen Mary's Hospital for Children, com quatrocentos leitos, instalado em Carshalton, nos subúrbios de Londres; o the West Wickam, também em Inglaterra; o Ghildren's Heart Hospital, de Filadélfia; o de La Roche-Guyon, em França, e tantos outros.
Acerca do de Filadélfia diz Stroud e Mc Millan que, de duzentos e vinte e cinco casos submetidos a regras de repouso e tratamento adequados, cento e oito por ocasião da alta eram capazes de enfrentar a mesma rotina diária que crianças da mesma idade de análogas condições sociais.
Quanto ao Sanatório de La Roche-Guyon, dizem os seus directores que em quatrocentos doentes observados nunca surgiu sopro orificial, expressão de lesão cardíaca, à saída do hospital, se à entrada o coração destes doentes ainda o não possuía; e em todos aqueles que o possuíam jamais observaram o seu agravamento. Observaram, sim, sua atenuação ou desaparecimento.
Por todo este conjunto de razões julgo de premente necessidade a construção do primeiro hospital de convalescentes de crianças com crises reumáticas.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador: - Entendo que o primeiro a construir-se deveria ser mós subúrbios da capital. Reconhecida a sua eficiência, da qual não tenho a menor dúvida, alargar-se-ia o seu âmbito com a instalação de outros - um no Porto e outro em Coimbra. Julgo que nunca serão necessários mais do que três no País.
Os investimentos necessários corresponderiam a colocação de capital com elevada taxa de juro, supondo, por momentos, a vida humana redutível a valores materiais, o que não é verdade, pois aquela os transcende e infinitamente.
Dirijo assim este apelo em nome de centenas de crianças inocentes, em cada ano, tis quais nenhuma responsabilidade cabe pelos males do Mundo e em cujo coração a febre reumática imprime o cunho do sofrimento e da incapacidade física total ou quase total, quando poderiam e deveriam vir a ser, se lhes fossem proporcionados os devidos meios, de protecção e de cura, valores económicos úteis para si próprios, para suas famílias, para a sociedade e para a Nação.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Bartolomeu Gromicho: - Sr. Presidente: renovo com muito prazer as minhas afirmações de respeito e de homenagem, devidos a quem, como V. Ex.ª, com tanto brilho e prestigiante actuação continua, felizmente, a presidir aos destinos desta Assembleia Nacional.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Sr. Presidente: mais uma vez tem esta Câmara de se debruçar sobre nova proposta de lei de autorização de receitas e despesas, a fim de a analisar e discutir, nos termos constitucionais.
Este documento, designado vulgarmente por Lei de Meios, é, sem dúvida, um dos mais importantes, se não o mais importante, que é periodicamente submetido à nossa apreciação, pois ele é a chave ou a trave mestra de toda a vida financeira e política do País.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Na concisão e clareza dos seus vinte e quatro artigos, a proposta encerra um mundo de realizações, e até de aspirações, que são sempre um passo em frente na política de recuperação e de engrandecimento posta em marcha, sem quebra nem afrouxamento, neste último quarto de século, sob o impulso inquebrantável de Salazar.
O actual Sr. Ministro das Finanças, lídimo continuador e intérprete da gigantesca obra financeira do Governo, tem primado cor adicionar à proposta da Lei de Meios elementos valiosos de esclarecedores, que só lamento não poder aproveitar em toda a sua extensão por escassez de preparação de técnica financeira. Contudo, esses elementos complementares são providenciais para a elaboração do parecer, sempre douto, da Câmara Corporativa e para elucidação de tantos ilustres Deputados, especializados em questões financeiras.
Por mira, tanto quanto me é dado analisar, considero a proposta digna de aprovação na sua generalidade.
Virá a lei que dela resultar dar possibilidades de execução aos decretos-leis de 7 de Outubro pretérito, acerca do reajustamento de vencimentos e da nova modalidade do abono de família.
É evidente que o Governo demonstrou boa vontade e acerto na uniformização de vencimentos, pondo termo à anomalia, prolongada de mais, de vencimento-base e subsídio.
Aumentou de maneira inteligente e suave a percentagem para a Caixa Geral de Aposentações.
Também é evidente que muitas aspirações e anseios ficaram aguardando melhor oportunidade, seguramente, dentre eles, o reajustamento de vencimentos na relatividade dos quadros e categorias, como, por exemplo, no que respeita aos professores primários e superiores hierárquicos do ensino primário, directores de bibliotecas públicas, etc.