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25 DE ABRIL DE 1955 897

enraizada ao voluntário auxílio que milhares de sócios benfeitores, numa viva manifestação de caridade, lhe haviam prestado.

Vozes : - Muito bem !

O Orador: - Só com essa contribuição foi possível obter o conjunto de realizações operantes no plano de luta contra o terrível flagelo : dispensários, preventórios infantis, socorros sociais. E, como fecho de abóbada de tão completo edifício do assistência médico- social, o grande Sanatório de Monte Alto, com capacidade prevista de 300 camas, mas que em data futura poderá atingir 500 ou número superior.
Na verdade, trata-se de uma obra de grande projecção e grande influência na vida da população com baixo nível e lutando contra a escassez de recursos, obra que não pode deixar de ser protegida pelo Estado, tal o somatório de benefícios que vem prestando ao Porto e ao Norte do País, como fruto abençoado do espírito, dedicação e sacrifício dos seus dirigentes, dos seus médicos e de todos quantos abnegadamente trabalham para vencer as enormes dificuldades que surgem a todos os momentos na sua execução.

Vozes : - Muito bem, muito bem !

O Orador: -Sr. Presidente: é preciso afirmar-se, e afirmar-se bem alto, que o esforço de realização da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal, sendo sempre grande, sofreu notável impulso desde 1948, graças à projecção da instituição realizada através da propaganda pela rádio, o que sobremaneira valorizou e facilitou as obras em adiantado caminho de construção, proporcionando receitas que forneceram possibilidade para uma melhor assistência aos tuberculosos pobres e às crianças internadas nos seus preventórios.

Sr. Presidente: na minha intervenção de 11 de Março de 1954 chamei a especial atenção do Governo para as desastrosas consequências que a instituição iria suportar, caso não fossem tomadas medidas de forma a evitar a suspensão das emissões de rádio feitas através do Radio Clube Portuense, que dentro do seu vasto programa de acção prestou valorosíssimos serviços à assistência aos tuberculosos, o que me c sumamente grato reconhecer neste lugar. Infelizmente, e apesar da boa vontade manifestada por todos os sectores oficiais, não
Pode evitar-se tão desastrosa medida - o encerramento o Rádio Clube Portuense -, que a imprensa do Norte, e muito especialmente o Jornal de Noticias, com tanto carinho, razão e interesse vem defendendo nas suas colunas.
Ouso neste momento pedir providências, a fim de a situação dessa estação da rádio ser esclarecida e resolvida, visto serem de grande monta os prejuízos, quer morais, quer materiais, que o seu encerramento acarreta ao público e aos servidores da popular emissora.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - À comissão nomeada para o estudo da radiodifusão, do que fazem parte altas e distintas personalidades, escolhidas pelo elevado critério do Sr. Ministro das Comunicações, nosso velho contemporâneo na Universidade do Porto -e seja-nos permitido distinguir entre todas o nosso ilustre colega major Botelho Moniz, homem de invulgares aptidões, que tantos e tão assinalados serviços tem prestado ao País, em todos os campos da sua vasta actividade - , lembramos a crítica situação em que se encontra o Rádio Clube Portuense, esquecido por uns, abandonado por outros e mal compreendido por muitos.

Sr. Presidente: um ano é decorrido sobre tão funesta medida e o valor representativo desse prejuízo, dentro da instituição de que nos estamos ocupando, é claramente demonstrado pêlos elucidativos gráficos que temos presentes.
Assim, o número de sócios benfeitores inscritos na Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal durante os anos de 1953 e 1954 baixou de 7389 para 2003. O número de crianças internadas nos preventórios infantis baixou nos mesmos anos de 190 para 94. O número de indivíduos beneficiados nos mesmos anos desceu de 4G05 para 2843. E as obras do grande Sanatório de Monte Alto, onde se ocupavam, em Março de 1954, 60 operários, tiveram de parar! Tristes consequências, filhas unicamente da interrupção das emissões radiofónicas.
Mas a providência vela pêlos humildes e o nosso muito ilustre colega Dr. Melo e Castro, chamado a ocupar o Subsecretariado de Estado da Assistência Social, cargo que vem desempenhando com o maior brilho, quis estabelecer contacto directo com os dirigentes da instituição, reconhecendo-a bem digna e bem merecedora de amparo governativo, como fonte de energia e de valor assistêncial.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Orador:-Na sua visita ao Norte, realizada em Novembro, inteirou-se de todas as suas necessidades, visitando o Monte Alto, a fim de melhor poder apreciar o estado de avanço das obras do Sanatório. E dessa visita resultou a certeza do que tudo quanto a direcção da Assistência aos Tuberculosos do Norte de Portugal aspirava seria um facto, uma realidade, dentro de curto espaço de tempo.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: -O Sanatório de Monte Alto, com o subsidio necessário concedido pelo Ministério das Obras Públicas, concluir-se-ia; os preventórios infantis seriam mais amplamente subsidiados, para auxílio do socorro a tuberculosos pobres; as emissões radiofónicas seriam restabelecidas, delas se tirando o melhor dos proveitos. E tudo se faria com o auxílio do Estado, sem que a autonomia da instituição fosse comprometida, auxílio que o Governo prestava, sentindo-se agradecido pelo acto, como prémio de louvor à obra meritória da Assistência.
As promessas de S. Ex.a estão sendo cumpridas. Por despacho de 10 de Março foram concedidos os respectivos subsídios para os dispensários e para os preventórios infantis. E, acerca da conclusão das obras do grande Sanatório de Monte Alto, a Comissão das Construções Hospitalares chamou a si a resolução mais conveniente do caso, estando, segundo informações por nós colhidas, em via de serem ultimados os respectivos estudos, para poder recomeçar a tarefa de acabamento que necessariamente se impõe.
Foi feliz e proveitosa a acção exercida pelo Sr. Subsecretário de Estado da Assistência Social, como digna do mais sincero louvor a atitude compreensiva e resoluta do Sr. Ministro das Obras Públicas, credor da nossa mais franca e sincera homenagem.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Esperamos agora de SS. Ex. que imponham à total resolução do assunto um ritmo de trabalho que não retarde a hora, sumamente feliz, de vermos os