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302 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 115

qualidade, para influir na melhoria deles, de forma a concorrer com o que de fora lhe vinha.
Garantias e prémios vão sendo revistos em função dos resultados obtidos, tendendo assim para a sua extinção.
Em muitos países já se mio permite a considerarão de reprodutores senão a animais controlados nas suas qualidades transmissoras pelo contrôle da sua descendência, impondo assim o necessário melhoramento do seu armentio.
Entre nós, quanto a selecção, ensaiamos apenas os primeiros passos. Injusto seria só aqui não deixasse consignada a minha gratidão de criador aos Srs. Director-Geral dos Serviços Pecuários e Presidente da Junta Nacional dos Produtos Pecuários e respectivos serviços, que, remando embora contra a maré, em ambiente em tudo são dificuldades, muito têm já desbravado do caminho a seguir, com perfeita compreensão e conjugação de esforços, permitindo assim que alguns anos se tenham ganho, para quando nos decidirmos a trilhar esse verdadeiro caminho.
Tudo isto leva anos. Já temos, contudo, mercê do que se tem feito, alguns técnicos preparados para essa marcha sobre o futuro. Bem visíveis são os resultados obtidos quanto a melhoramento de lãs.
E com este apontamento passo adiante.
A confirmar a existência de um problema e a necessidade de o resolver vem agora o notável despacho do Ministério da Economia de 18 de Novembro dar-lhe o reconhecimento oficial e abrir a porta para uma nova orientação, que Deus permita nos leve ao fim que temos de atingir.
Aqui lhe deixo também o meu público reconhecimento, cheio de fé em que não fique apenas como simples enunciado de princípios.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Se o pensamento da necessidade, de um aviso prévio sobre este problema das carnes e seus derivados andava há muito no meu espírito, poderia agora pensar que a publicação do despacho a que me refiro o tornaria de todo desnecessário.
Julgo, porém, que, mesmo assim, ele valerá a pena, pois que nunca será de mais reforçar uma acção útil. O que me sinto agora é em boa companhia e mais crente até da sua necessidade.
Pretendendo manter-me dentro das directrizes que marquei a este aviso prévio, julgo necessário primeiro que tudo pôr a claro as causas da situação presente o problema. O que nele tem decisiva influência. Procurarei a seguir focar o que em minha consciência teremos de modificar em condições do meio de trabalho e de conceitos para tender pura uma melhor solução.
O nosso problema de carnes é estruturalmente influenciado por condições naturais do meio, pela acção das tabelas, por hábitos de vida e possibilidade de pagamento.
Das condições naturais do meio, e bem o definindo, disse o Sr. Presidente do Conselho que era bom para nele se viver, mas mau para nele se trabalhar. Temos muito sol e pouca ou muita água, sobretudo má distribuição desta pelo ano fora.
Destas condições vêm um baixo índice de produtividade, uns períodos muito curtos de abundância de pastagens naturais, assim um prazo restrito no qual se somam as melhores condições de abate dos nossos gados. Para além dele entram estes no emagrecimento, em perda de qualidades e valor que já tiveram, ou no encarecimento pelo fornecimento de rabões que estão fora da sua equivalência para o valor da carne.
Este clima ou condição natural do meio influiu decididamente na qualidade dos nossos gados, que foram levados à selecção no sentido da rusticidade, pelo poder de resistir à fome, com prejuízo da qualidade da carne, de precocidade e de todas as qualidades que estarão na base do seu rendimento.
Esta é a característica dominante do meio, que, embora estendido ao alto ao lado do Atlântico, apesar da variação do clima derivado desta situação geográfica, se não diferencia suficientemente para influir no problema.
Quanto à influência da acção das tabelam, arção do Governo, assente a sua uniformidade através do ano, não pode deixar de ser concorrente ao agravamento das condições do meio, visto que, não variando na razão do desvio do melhor estado dos gados, ou da sua engorda mais barata, nada influi na sua melhor distribuição em tempo.
É certo que há alguns anos tem procurado o Grémio dos Comerciantes do Carnes de Lisboa, por razões do defesa própria, influir nesta situação quanto ao abastecimento da capital, pagando à produção os gados mais caros na altura da carência. Acção puramente ocasional, sem determinação conhecida de época de incidência, se tem tido o condão de trazer a Lisboa uns restos do que ficou da época de abundância, pela maior apetência de preços sobre outros mercados, não influi no problema de forma estável. É ainda uma operação de autocompensação, visto que se procura equilibrar com o menor preço pago aias épocas de fartura.

O Sr. Melo Machado:- Pode V. Ex.ª esclarecer porque é que Lisboa come, normalmente, a pior carne do País, mas pagando-a mais cara?

O Orador: - Em certo momento influía no problema a questão de seguros, mas há também a questão da dificuldade de transportes e há um mercado que marca sempre uma tendência de qualidade - como é o Porto -, que estabelecia automaticamente, preços de categoria conforme a qualidade. Logo, é uma grande zona que manda para Lisboa o que tem de pior.
Era aqui que estava mais concentrado o serviço de seguros de reses, de modo que havia tendência para que a compensação de seguros desse uma certa indemnização às cabeças duvidosas que vinham para Lisboa.
E assim conduz a este contra-senso: valer o gado mais quando era piores condições está para abater, quando se deixou perder já muitos quilogramas de carne que já tínhamos.
Sem ordenamento conveniente nada influi na economia geral da nossa pecuária nem traz ajuda ao problema geral.
A outra causa que influi no problema é o hábito da alimentação de muitas das nossas populações. Comem muito pão e pouca carne e leite, o que tem de ler o seu reflexo na capitação e na estabilidade, de um mercado de carnes.
Deixarei para mais adiante, a questão do poder de compra. Focadas assim, embora ligeiramente, as razões que estão na base do nosso problema de carnes e seus derivados, vejamos agora o que já temos como dados positivos para a sua cura.
Não há dúvida de que as obras de hidráulica agrícola já concluídas e as em curso, quer nacionais ou particulares, vêm trazer uma possibilidade de modificação bem sensível do meio pelo aumento pelo regadio e, assim, das nossas disponibilidades em forragem e melhor distribuição destas no tempo.
Mas entramos aqui no campo do artificial, que se tem de pagar a si próprio, e, assim, só influirá na medida em que no que se pretende produzir se possa in