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27 DE JANEIRO DE 1956 371

nos seus escritos, e vejo-o, também, u poucos meses ria sua hora derradeira, numa conversa em que ele, já alquebrado pela, doença, não era o mesmo homem brilhante e admirável que eu tinha conhecido, embora mantivesse a nobreza da sua atitude e a sua correcção moral.
Falei com ele a propósito de um triste acontecimento judiciário, em que ele assumira naturalmente a posição que a sua consciência e o seu saber lhe haviam ditado.
No entanto, acima de tudo, quero focar, neste instante, dois aspectos da sua personalidade: primeiro o de precursor, que foi da moderna psiquiatria e da moderna assistência psiquiátrica em Portugal; segundo, o de um homem honrado, digno, perito imparcial e objectivo, que sabia defender, com todas as suas forças, o destino a vida, a felicidade e até, muitas vezes, a própria honra de pessoas humanas e de famílias inteiras.

Vozes: - Muito bem!

O Orador: - Júlio de Matos foi assim, um pioneiro e um exemplo, e é por esse motivo que julgo ser a sua memória merecedora de evocação nesta Casa e de homenagem agradecida da Pátria.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Pela Presidência do Conselho foi enviado à Assembleia, para cumprimento do disposto no § - 3.° do artigo 109.º da Constituição, o
Decreto-Lei n.º 40 502, publicado no Diária no Governo n.° 16, 1.ª série, de 23 de Janeiro, que fixa nova delimitação entre as freguesias de Vendas Novas, Canha, Coruche e Lavre, dos concelhos de Montemor-o-Novo, Montijo e Coruche.

Pausa.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continua o debate sobre o aviso prévio do Sr. Deputado Nunes Mexia referente à questão das carnes.
Tem a palavra o Sr. Deputado Agnelo do Rego.

O Sr. Agnelo do Rego: - Sr. Presidente: é pouco e sem interesse propriamente técnico o que tenho para dizer sobre o objecto do aviso previu ora debatido. Não sou técnico na matéria, mas sou suficientemente açoriano paru não me sentir alheio a um assunto em que tanto se tem falado - por sinal bem - dos Açores,
numa Assembleia que é política e não técnica, sem embargo de serem os técnicos, merecidamente, nela escutados com elevado respeito e interesse.
A chama que o Sr. Deputado Nunes Mexia veio acender com o seu oportuno aviso prévio têm-na mantido bem viva os ilustres Deputados intervenientes no respectivo debate, por certo com o justo desejo de que ela ilumine o importante problema do abastecimento de carnes. Bem é que o tenham feito, pois tal problema precisamente porque vital para o homem também tem a sua filosofia.
Não tentarei demonstrá-la. Prefiro surpreendê-la, desprendendo-se de alguns quadros da vida quotidiana, bastante recentes, que me são oferecidos pela imprensa da cidade de Angra, na ilha Terceira.
Talvez valha a pena, para isso reproduzir diversos trechos como os seguintes ainda que sem plena conexão entre si:

Um dos problemas locais em chaga viva não no passado, mas no presente, é o das possibilidades de transporte de gado bovino para o mercado lisboeta. Esforça-se o Grémio da Lavoura por escoar o montante de gado arrolado para o efeito - 300 cabeças e mais 240 unidades miúdas a conduzir em frigorífico.
Debate-se o lavrador num transe aflitivo, atando as mãos na cabeça, como soe dizer-se. E com sobejo fundamento. O prejuízo resultante de cada dia que decorre assume, na verdade, expressão em que importa atentar.
Apesar das inconvenientes da condução, as carcaças das reses dos Açores suo classificadas nas categorias de especial e primeira, na maior parte.

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O transporte de 370 cabeças, assim já o informou a Empresa Insulana de Navegação, está assegurado paru o presente mês - 260 no Corvo e 110 no
Terceirense, que se encontra em Ponta Delgada. Além disso, nos frigoríficos deste último barco seguirá carne correspondente a meia centena de reses, a abater no nosso matadouro, à roda de 4000 kg e ainda admitida a eventualidade de o Lima sua próxima viagem, carregar alguns animais.
A essência do problema, no entanto, mantém-se de pé, urgindo ser solucionado, como se impõe. Não está somente em jogo considerável parcela da economia local, mas também os interesses da própria população lisboeta, que se vê e deseja para encontrar carne. Tantos deslocam-se a Almada para esse fim. Ainda no dia 4 do corrente o matadouro da capital abateu gado em quantidade que, distribuída a carne respectiva pelos 409 talhos da cidade, caberia a média de meio quilo a cada um deste estabelecimentos!
E nós aqui com tanta abundância ... e necessidade de a transformar em «pão» para a gente dos nossos campos!

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Não entramos em apelos patrioteiros mas dói-nos ver os Açores a olhar para a carne e as manteigas importadas do estrangeiro, quando aqui há gado à espera de embarque, quando mais e mais se podia produzir - o que se traduziria em riqueza local e consequentemente nacional.
Somos nos Açores 350 000 portugueses, e se isto não fosse suficiente outras razões poderíamos aduzir para lembrar que tem de chegar a nossa hora - a hora de um plano delineado racionalmente a favor da economia local.

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Segundo informação telegráfica da delegação de Lisboa para a delegação da Junta Nacional dos Produtos Pecuários em Angra, o navio-motor Corvo partiu já de Lisboa com rumo a esta ilha, a fim de carregar gado.
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O que acabo de ler significa e confirma, de certo modo parte de quanto aqui se tem brilhantemente afirmado e que, no que se refere aos Açores, me dispenso, por isso, de desenvolver, a saber e em síntese: que uma das razões das deficiências do abastecimento de carnes está no mau aproveitamento de todas