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28 DE JANEIRO DE 1956 381

(...) acto da investidura solene do Sr. Dr. Juscelino de Oliveira na Presidência da República. E foi bem assinalada e bem marcada a passagem de tão ilustre personalidade pela nossa terra, onde exuberantemente patenteou os magníficos dotes da sua inteligência.
A escolha de V. Ex.ª para o desempenho de tão alta e difícil missão não podia ter sido feita nem com mais acerto, nem com mais propriedade, nem com melhor conhecimento das reais possibilidades e merecimentos de que V. Ex.ª é detentor, visto reunir todos os requisitos, qualidades e virtudes necessários à importância e à responsabilidade inerentes ao desempenho de uma missão de tamanha, delicadeza, mérito e projecção, que vai levar ao grande país irmão o abraço fraterno da pátria dos seus maiores em momento culminante da sua história.

Vozes: - Muito bom, muito bem!

O Orador:-Os fulgores da sua inteligência, aliados ao brilho da sua palavra, simples mas eloquente; o prestigio adquirido em todos os sectores da vida social e política da Nação; a distinção e alta dignidade com que V. Ex.ª desempenhou sempre as mais altas funções públicas ; a mocidade e a agudeza do seu espírito, onde há cintilações de génio, são atributos demonstrativos e afirmativos de como V. Ex.ª - ânimo forte e coração aberto - vai honrar Portugal em terras de Santa Cruz.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Sr. Presidente: queremos neste instante, a poucas horas do início do seu voo transatlântico, saudá-lo, apresentando-lhe os melhores votos de uma feliz viagem.
Mas queremos ao mesmo tempo afirmar-lhe que nós todos quantos o consideramos, o estimamos e o admiramos o seguimos em perfeita comunhão espiritual, como coro de aplauso e louvor à tarefa que V. Ex.ª vai desempenhar, no contacto intimo com a nação brasileira, terra tão lusíada nas suas características como é a nossa, onde as almas vivem abrasadas na mesma fé e na mesma crença e os corações batem em ritmo sincronizado com as nossas aspirações.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O Orador:-Que Deus, na alta majestade dos seus desígnios, proteja, inspire e guie os passos de V. Ex.ª, para no regresso podermos festejar e saudar, estreitando-o em largo abraço, quem em terras benditas de Santa Maria soube, mais uma vez, servindo, dignificar e honrar Portugal.
Disse.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Augusto Cancella de Abreu: - Sr. Presidente: tinha de facto pensado em dirigir a V. Ex.ª, no momento que me parecia oportuno -ao encerrar-se o período anterior à ordem do dia da sessão de hoje -, algumas palavras devidas a propósito da sua partida.
Acaba de o fazer o Sr. Deputado Urgel Horta, e, em face disso, dispunha-me a nada acrescentar ao que S. Ex.ª disse. Afinal, é tal o meu interesse em destacar perante V. Ex.ª sentimentos que são vivamente do nós todos . . .

Vozes: - Muito bem !

O Orador:-... que peço desculpa de, porventura sem razão ou sem necessidade, insistir no primitivo propósito.
V. Ex.ª vai partir esta noite para o Brasil, chefiando a missão oficial portuguesa que assistirá às cerimónias da investidura do novo Presidente daquela grande nação irmã. Não será de mais vir, por minha parte também, interpretar perante V. Ex.ª, nesta hora, o pensamento da Assembleia, apresentando lhe respeitosas homenagens e votos afectuosos de boa viagem.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-É na qualidade de presidente da Assembleia Nacional que V. Ex.ª leva a alta representação de Portugal. É natural, portanto, que esta Assembleia se mostre sensível à honra que também sobre ela recai e que de certa maneira sublinhe e ratifique a atribuição que foi entregue a V. Ex.ª
Embora desnecessária, formalmente, qualquer ratificação, queremos, Sr. Presidente, que V. Ex.ª vá acompanhado da renovada afirmação, nesta oportunidade, da nossa alta consideração, e também da expressa manifestação da nossa confiança no êxito da missão de que vai incumbido e em que as suas altas qualidades pessoais facilmente triunfarão.

Vozes: - Muito bem!

O Orador:-Além de tudo isto, que é cabido e devido, nós queremos ainda testemunhar a V. Ex.ª, Sr. Conselheiro Albino dos Reis, os sentimentos de simpatia e estima pessoais com que todos o acompanharemos em espirito, desejosos, aliás, do seu feliz regresso.
São estes, em toda a sincera, simplicidade, os votos o os pensamentos que pretendi interpretar e que afectuosamente estendemos ao nosso colega também componente da missão o Sr. Deputado José Paulo Rodrigues.
Boa viagem. Sr. Presidente, e felicidades na sua missão.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente:-Srs. Deputados: vim hoje à sessão com o propósito exclusivo, apenas com o objectivo de apresentar à Câmara as minhas despedidas.
Todavia, a Câmara tomou a iniciativa, pela voz dos Srs. Deputados Urgel Horta e Augusto Cancella de Abreu, de me apresentar os seus cumprimentos de despedida. E os dois oradores a que me referi fizeram-no em termos de tanta simpatia e amabilidade, em termos de tanta gentileza, de tão excessiva gentileza, que me penhoraram, que me comoveram profundamente.
Eu não esperava certamente outra coisa desta Assembleia, que me tem cumulado de atenções, de amabilidades e de desejos de facilitar a minha missão. Mas, repito, as palavras que SS. Ex.as pronunciaram deixaram-me profundamente sensibilizado.
Quero dizer à Câmara que, se aceitei o honroso encargo que o Governo me confiou, o fiz especialmente por considerar que essa missão honrosa, se o era para mim, era-o especialmente para esta instituição, que tenho a honra e o prazer de ir representar.

Vozes: - Muito bem, muito bem !

O Sr. Presidente:-E a minha preocupação será que o desempenho dessa missão reverta em prestígio para esta Assembleia Nacional, que deixo absolutamente tranquilo por saber que VV. Ex.as vão ter a presidir a esta Câmara o Sr. Deputado Augusto Cancella de Abreu.