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532 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 197

portuguesa, coube a indicação e direcção programativa de tão notável obra, feita após largo período de aturado estudo, visitando para tal fim os melhores - centros hospitalares da Europa.
Vão passados vinte e cinco anos que esse plano principiou a executar-se, e no espaço de um século muitas transformações se operaram em todos os ramos da técnica e uma obra com sinal da grandeza dos hospitais escolares há-de claramente acusar alguns defeitos, algumas falhas, que o próprio autor previa e afirmava, para o que contribuem múltiplas circunstâncias. Mas será sempre, e através de tudo, uma obra que os pequenos defeitos não diminuirão nem em que exercerão influência minimizante sobre a sua capacidade realizadora, no ritmo e na eficiência do trabalho daqueles que dentro dos seus muros exercerão a missão delicada da arte de curar.
O Governo entregou a um profissional distintíssimo a planificação desse grande centro de ensino, de assistência e de investigação, e essa entrega não poderia ter sido confiada em pessoa com maiores possibilidades.
Se houve erros, erros de construção, pequenos ou grandes, mas sempre remediáveis, que culpas cabem ao Governo na sua prática?
Poderão diminuir o valor duma iniciativa que marca no nosso meio época de reconhecido progresso e engrandecimento, dentro do campo assistencial, até agora nunca realizada?
Essa soma de pormenorizados e apregoados defeitos e lacunas, que nada representam, poderá alterar ou diminuir a actividade profissional exigida no exercício da clínica, tarefa de verdadeiro sacerdócio, que o médico vive junto dos doentes que ali vão procurar remédio para os seus males?
Terá influência nas dimensões dos períodos de internamento, ocasionando aumento de despesa ou diminuição no rendimento clínico?
Uma obra que exigiu tanto sacrifício, tanto esforço, tanta abnegação, tanta soma de boas vontades, aspiração que agora se vê realizada, não merece censura, pois em nada modificará ou alterará o objectivo para que foi realizada, e que será alcançado dentro dum curto espaço de tempo.
É aos homens, com a sua força de ânimo e valorização do seu sentido, que cabe dar alma e vida aos estabelecimentos onde se exerce o apostolado médico e onde He vive, com maior intensidade, o sentimento de humanidade e dedicação pelo seu semelhante. Como recordo os meus saudosos mestres Lagrange e Morax, que em Bordéus, no Hospital de Santo André, e em Paris, no Hôtel-Dieu, operavam maravilhas nos doentes a quem tratavam!
Os grandes investigadores, nos seus velhos hospitais de França ou da Inglaterra, da Itália ou da Alemanha, falhos de condições que nem de perto nem de longe se podem assemelhar com as que possuem os hospitais modernos, não abandonaram ou desprezaram esses centros, onde continuam trabalhando no desempenho da sua missão, em favor da humanidade sofredora.
Mas voltemos, Sr. Presidente, ao Hospital Escolar do Porto, onde Faculdade e Hospital viverão independentemente, embora ligados ou unidos para colaborar na mesma obra. Presentemente encontra-se este Hospital em intenso período de acabamento, com algumas instalações já completas, como sejam aquelas onde se encontram instalados a estomatologia, fisioterapia, serviços de sangue, raios X, farmácia, laboratório central, lavadaria serviços administrativo, cozinha e várias unidades clínicas de internamento, espalhados por vários andares.
O apetrechamento destinado aos serviços que acabo de indicar está pronto a ser utilizado, assim como parte do mobiliário, em favor do qual foram já feitas várias encomendas. Entre as tarefas praticamente realizadas conta-se a capela, a que farei, no momento próprio, merecida referência. Trabalha-se activa e generosamente para dar conclusão ao magnífico estabelecimento, que tão grande contribuição de caridade vem proporcionar à velha cidade do Porto.
Tenho presente, Sr. Presidente, a planta dos dez pisos que formam esse grande bloco, onde a distribuição dos diferentes serviços foi feita com o melhor critério, bom senso e desejo sincero de tudo resolver, afastando incompreensões, mal-entendidos, disputas, que parece haverem medrado noutros meios. Tenho também na minha frente o mapa indicativo da distribuição de camas, em número aproximado de mil e duzentas.
Ali, a comissão instaladora, dentro da sua função, sempre prestigiada, soube, em acordo com a legislação universitária, depois de ouvidos professores e directores de serviço, fazer a distribuição de instalações, tendo sempre em mente o valor real das diferentes cadeiras.
Por um rápido exame é fácil avaliar da situação que ocupam as diversas actividades clínicas e o ensino, em que se desdobra ou multiplica a vida hospitalar. Esquematicamente poderá dizer-se que a ala norte é destinada à Faculdade, unida ou ligada ao Hospital por três corpos transversais. Houve, contudo, necessidade, para manter o que por direito é pertença da Faculdade ou pertença do Hospital, que fazer algumas alterações. Assim, na ala norte instalou-se o bloco cirúrgico, com nove salas de operações e seus anexos, e numa parcela dos pisos l e 2 instalaram-se algumas consultas, serviços de urgência e pediatria, ficando, em compensação, a Faculdade com alguns andares das três transversais: nascente, central e poente.
Na transversal nascente encontram-se: no piso 3, salas de trabalhos práticos de histologia e biologia médica; no piso 4, a higiene.
Na transversal central: no piso 3, sala de conselhos, sala de professores, etc.; no piso 4, serviço de secretaria da Faculdade e todos os seus pertences.
No piso 7, cirurgia experimental, com duas salas de operações e anexos, raios X e laboratórios.
Na transversal poente: piso 3, serviços de química fisiológica; piso 7, fotografia e modelação. Arquivos e farmácia ficam situados no piso 10, com instalações muito amplas.
Não existe ainda o pavilhão para triagem dos doentes e serviço social, devendo principiar em breve a sua construção, pois encontra-se pronto o projecto para tal empreendimento. Terá a sua localização na zona norte do parque, visto ser esta a mais apropriada. A biblioteca ficará instalada na transversal central do piso G, compreendendo salas destinadas aos seus vários fins, como sala de leitura, sala para revistas, sala destinada a livros raros, arquivo, gabinete do bibliotecário, estendendo-se a sua instalação a várias salas anexas na ala norte do mesmo piso. E no extremo da mesma ala norte ficarão, de um lado, a sala da história da medicina, o museu, gabinete para o director e outros gabinetes. No outro extremo estará a instalação da psicologia, com diversos gabinetes destinados à directoria e assistentes, laboratórios de psicologia e sala de aulas.
Os serviços administrativos não foram ocupar as dependências que primitivamente lhes eram destinadas, por se julgar não terem rapacidade suficiente para tal fim. Essas dependências destinaram-se, e bem, aos gabinetes do director clínico, do administrador, da superintendência da enfermagem e da assistência social. Só houve lucro nesta modificação, visto os serviços administrativos ocuparem agora amplas dependências,