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4 DE ABRIL DE 1937 533

com as características mais adequadas às, tarefas do seu pessoal.
Para o servido de sangue foi construído um pavilhão especial, independente, no norte, dentro da mesma traça do edifício, com duas entidades, sendo por uma ligado no Hospital, para uso dos doentes internados, e a outra comunicando com o parque e dominada a dadores e a outros fins, evitando assim embaraços ou confusões.
Ao edifício foi amputada uma parte que diz respeito aos torreões que o Hospital de Santa Maria possui, e que seria destinada à instalarão das especialidades, e foi-lhe ainda cortada uma parte da ala norte.
Pois, apesar dessa redução, procurou-se, e conseguiu-se, instalar convenientemente as dependências para as doenças infecto-contagiosas, a obstetrícia, a ginecologia, a tuberculose, a otorrinolaringologia, a urologia, a ortopedia, a psiquiatria e a neurologia.
No Hospital-Faculdade de Lisboa existe apenas uma sala de consulta de cirurgia, integrando nessa consulta a ortopedia. Não sucederá o mesmo caso no Hospital do Porto, onde a ortopedia terá uma consulta própria e a cirurgia duas, destinadas aos quatro serviços da Faculdade: propedêutica, medicina operatória, patologia cirúrgica e clínica cirúrgica.
Não faltam as instalações para alunos, com salas de estar de grande capacidade; sala de bar, servindo também de refeitório; sala para rapazes e outra destinada para raparigas, obedecendo às melhores condições sanitárias; sala destinada ã delegação do Centro Universitário, e ainda um grande pátio privativo.
Mas uma obra de tão grande capacidade não comporta tudo quanto presentemente se exige, porque hoje as especialidades tendem a dividir-se e o Hospital não possui recursos para as conter, como o que se refere à alergia, reumatologia, gastrenterologia, recuperação funcional, etc.
Mas existem outros imperativos que, perante o progresso das ciências mídias, não podem dispensar-se, pelo seu altíssimo valor. Quero referir-me à necessidade absoluta, que já por mais de uma vez aqui expus e defendi com a maior energia, da criação dum centro anticanceroso. que, destinado aos radioisótopos e a todas as radiações, fosse construído junto do Hospital Escolar e a ele ligado.
Para esta falta, que envolve problema de extraordinária gravidade, chamo especialmente a atenção do Governo. E não se descure o problema da enfermagem, problema não só difícil entre nós, mas em lodo o Mundo, que aqui tratei com largo desenvolvimento, secundado pelos nossos colegas Elísio Pimenta e outros, quando da discussão da Lei de Meios, e de que em Braga o Sr. Subsecretário de listado da Assistência, em notável discurso, pormenorizadamente se ocupou, alimentando fundadas esperanças de o resolver, pela adopção de providências essenciais à solução requerida.
A Escola de Enfermagem, provisoriamente instalada, não satisfaz em nenhum dos aspectos através dos quais o problema se encare.
Sr. Presidente: obra de tão gigantesca projecção, com lacunas ou sem elas, demonstra, com eloquência e com verdade, a hora alta em que vivemos, hora de espiritualidade, com o seu esplendor.
No último andar do Hospital de S. João construiu-se a capela, com capacidade para mais de trezentos doentes, onde estes irão, aos pés de Cristo e junto de Deus, fazer as suas orações, pedindo alívio para as dores, cura para os sofrimentos.
Esta capela, construída com todos os requisitos indispensáveis aos seus frequentadores, dentro das indicações da Igreja, destinada ao culto dos enfermos, é bela realização, com os seus vitrais magníficos, onde vive toda a liturgia eucarística.
O seu altar, de maravilhoso simbolismo na simplicidade da sua opulência, está enquadrado numa ogiva admiravelmente traçada, encimado por um Cristo crucificado, imponente e majestosa imagem cinzelada em pedra de Anca, cópia duma escultura do século XVIII existente no Seminário-Maior do Porto, que nos domina inteiramente, na sua expressão de bondade e sofrimento, abençoando todos quantos a ele acorrem na cura dos seus males e das suas misérias. Grande o admirável remate para esta obra, onde a caridade se pratica sob a bênção do Orador.
Sr. Presidente: em todo o Mundo existiram, e continuarão existindo, dificuldades para recrutamento de pessoal médico e de enfermagem em qualidade e quantidade suficientes para pôr em pleno rendimento máquina tão complicada como é um grande hospital com funções de ensino, de assistência e de investigação.
Essas dificuldades não têm o nosso exclusivismo, visto não poder conseguir-se em limitado espaço de tempo a preparação técnica para obra de tanto vulto, que requer conhecimentos de larga especialização, inerentes à realização de múltiplas tarefas na existência e constituição dos quadros, com a sua conveniente e justa remuneração, exigindo meios financeiros indispensáveis ao seu funcionamento. Não é objecto fácil num meio como o nosso.
E o Governo, fiel ao seu pensamento e ao seu programa, dentro dos recursos de que dispõe, tem procurado realizar a finalidade que se pretende, na valorização material e do elemento humano, como elemento-base de produção e de trabalho. Não lhe cabem culpas em certas faltas, exageradas pela crítica e pela incompreensão dos homens, que não sabem pôr no plano que lhes é devido aquele espírito de boa coordenação e de boa vontade, do melhor entendimento, para realização de tão notável volume social e moral.
É a falta desse espírito que justifica, por vezes, determinados entraves à marcha vitoriosa de iniciativas dignas da mais alta admiração e apoio.
Criar condições de trabalho, satisfazendo necessidades materiais como recompensa de actividades; atraindo médicos e também alunos, uns e outros interessados na aplicação e na aquisição de conhecimentos exigidos no exercício profissional, encarando o hospital como grande escola, onde o clínico poderá fazer a sua carreira, dando alma e vida à instituição, está dentro do programa gizado pelo Governo, que tanto interesse e carinho vem dedicando à organização hospitalar do País.
Sr. Presidente: mais que as construções, às quais se apontam defeitos ou lacunas de que nada resultará de mau para a sua finalidade orgânica, é preciso dentro dos hospitais, e muito especialmente nos escolares, a criação e a manutenção de um ambiente de trabalho acolhedor, agradável, mantendo as hierarquias, por vezes tão esquecidas, dando satisfação aos velhos, atraindo os novos na alegria e no gosto pela aplicação no trabalho generoso, produtivo e compensador, realçando qualidades e não concorrendo para a criação duma mentalidade onde os defeitos superem as virtudes.
Todas estas considerações me foram sugeridas através dessa larga visita feita ao Hospital de S. João, a inaugurar dentro dum curto período de tempo, onde na companhia dum velho mestre, que muito respeito e estimo, o Prof. Hernâni Monteiro, me foi dado apreciar, mais uma vez, o reconhecido valor no magnífico empreendimento que vai ser o grande hospital da cidade.
Bem andou o Governo no apoio concedido à acção do ilustre homem de ciência, que, como timoneiro da