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2188 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 86

demonstra não terem sido vãos os esforços que aquele organismo tem desenvolvido, dentro dos meios que ao Governo foi possível, no crucial momento que vivemos, pôr à sua disposição, e que suo, na verdade, parcos.

Temo que, por alguns que como eu desejam uma política de turismo mais larga e vigorosa, as minhas palavras sejam filiadas na gratidão que de facto devo aos que dirigem aquele importante departamento oficial, pelo incentivo e constante apoio que ali sempre encontrei, quando ocupava a presidência de um órgão de turismo local, e continuo a encontrar hoje sempre que ali me dirijo para tratar de interesses que dizem respeito ao distrito de que sou representante.

Sr. Presidente: que assim fosse, e seriam do mesmo modo legítimas as minhas palavras, pois todos consideramos por certo primacial dever dos órgãos centrais da administração pública proteger, acarinhar e incentivar os empreendimentos dos órgãos da administração local e ainda o apoio àqueles que como nós, Deputados da Nação, não nos podemos demitir do encargo que nos compete, mais de que a ninguém, de ser intérpretes das legítimas aspirações dos povos, quer nesta tribuna, quer junto das diferentes Secretarias de Estado.

Vozes: -Muito bem, muito bem!

O Orador: - Todos sabemos que essa função é por vezes esquecida, quer no plano nacional, quer no plano local, e porventura até pelos próprios a quem ela especificamente compete.

Louvo até por isso o Secretariado Nacional da Informação, que, pelo que tenho sentido, foge à maré de despoliticação que por aí se manifesta em vagas altas e pode vir a ter, tem-no de certeza, as mais graves, se não as mais funestas, consequências, algumas das quais, são bem visíveis. E a política, quando verdadeiramente hierarquizada e estruturada, que humaniza a Administração, que faz com que se revelem os autênticos valores, que impede que tudo e todos sejam apertados no colete de uma tecnologia esmagadora, ...

Vozes: -Muito bem, muito bem!

O Orador: ... que limita os poderes pessoais e discricionários consentidores da influência nefasta dos clãs.

Sr. Presidente: tem-se desdobrado a acção do Secretariado nos mais diferentes aspectos e os seus resultados mostram-se-nos já animadoramente. A propaganda que se tem feito nos mercados que nos interessam é notável. Li que em 1961 foram distribuídos, em várias línguas e em mais de 70 países, perto de 5 milhões de diferentes espécies de impressos desdobráveis e cartazes que falam do encanto da nossa terra e das suas gentes, da originalidade e beleza dos nossos monumentos, dos nossos museus e da riqueza das nossas estâncias termais.

Organizaram-se várias visitas de agentes de viagens estrangeiros, nomeadamente da Alemanha e dos países escandinavos, mercados excepcionais para nos comprarem turismo, mercadoria que sobremaneira lhes está interessando, e estabeleceu-se uma acção combinada com vista a um bem ordenado intercâmbio entre estes e os agentes portugueses. Promoveu-se ainda a visita de escritores e jornalistas estrangeiros, que foram depois, lá fora, indispensáveis elementos de difusão.

Lembro-me agora do natural interesse e profundo conhecimento das coisas com que vi os problemas de turismo serem tratados por alguns agentes de viagens no I Colóquio Nacional de Turismo, realizado por iniciativa do

Secretariado em 1961, de cuja comissão executiva tive a honra de fazer parte.

A propaganda na América tem-se especialmente efectivado de colaboração com a Comissão Europeia de Turismo, de que somos membros, Comissão que, por sua vez, pertence à União Internacional dos Organismos Oficiais de Turismo, através de artigos nos jornais, exposição em montras, emissões na rádio e na televisão, e ainda pela exibição de filmes.

Assim, e como disse, o número de estrangeiros que nos visitam é cada vez maior e vem acentuando-se de modo a podermos verificar que, de 251 385 visitantes em 1957, passámos a 263 890 em 1958, 295 942 em 1959 e 352 651 em 1960, ou seja um acréscimo da ordem dos 100 000. Não possuo elementos actualizados, mas sei que em 1961 foi verificado o aumento progressivo que vem de trás.

Os concursos «A Melhor Refeição ao Melhor Preço» e «Nacional de Cozinha e Doçaria Portuguesa», a que a televisão deu preciosa colaboração, e a instituição do «prato regional» nas pousadas e estabelecimentos hoteleiros do Estado visaram, com bons resultados já, a restabelecer a velha cozinha portuguesa, monotonamente invadida por um francesismo imperante. Neste momento o Secretariado desenvolve uma acção directa junto da indústria hoteleira no sentido de conseguir que esta estabeleça ementas turísticas que, além de a um preço mais reduzido, incluam obrigatoriamente um prato regional.

O concurso de recepcionistas, tendo em vista a preparação de pessoal eficiente para os postos de turismo locais, merece, entre tantas e tantas iniciativas, o devido destaque, como o merece o concurso de projectos-unidades essencialmente económicas de construção e exploração-, que tem por fim obrigar-nos, em matéria de equipamento hoteleiro, a colocar os pés no chão, eliminando certos delírios arquitectónicos que não têm em conta, por vezes, a necessária rentabilidade dos empreendimentos. Este problema foi, e muito bem, tratado na nota que os serviços de turismo do Secretariado publicaram em 8 de Março de 1962.

Com a ajuda do Fundo de Turismo, e em obediência a uma política estabelecida, foi possível acrescentar nos anos de 1957 a 1961 o nosso equipamento hoteleiro em 1293 quartos, a que correspondem 2070 camas. Devido à mesma política e ao mesmo auxílio, diminuíram em 1606 os quartos sem banho, aumentando em 2899, como se impõe cada vez mais, os que passaram a tê-lo. Foi ainda possível, à sombra do mesmo Fundo, dar vida e pujança a iniciativas de carácter folclórico e etnográfico, como seja o de fazer reviver e dar maior brilho a muitas festas regionais, que constituem natural e precioso cartaz de propaganda turística.

O I Colóquio Nacional de Turismo, a que já me referi, contribuiu não só para que largos debates esclarecessem os responsáveis sobre as medidas a tomar, mas também para generalizar dentro do País uma mentalidade turística de modo que todos acorram, como vão acorrer, a empenharem-se neste movimento que tão profundamente interessa à nossa incipiente economia. Ainda agora no Geres, à voz do presidente do organismo de turismo local, se efectuou, com a presença de um delegado do Secretariado Nacional da Informação, uma importante reunião de pessoas ilustres, filhas da terra ou com interesses ligados à mesma, para tratar dos problemas do turismo que lhe estão afectos.

O Gerês tem possibilidades turísticas ilimitadas, pois, além da eficácia comprovada das suas águas medicinais, tem a seu lado a majestade e vastidão da serra que lhe