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2190 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 86

nidades ia Semana Santa, que o Secretariado Nacional da Informação, há anos, vem patrocinando por espontânea iniciativa do Sr. Secretário Nacional da Informação, todos vimos, os que ali estivemos, com que interesse os problemas em causa foram tratados, e numa reunião de imprensa das várias terras do distrito de Braga verificou-se uma perfeita comunhão de vontades e identidade de objectivos e meios.

O Minho precisa, mais do que qualquer outra província, de mobilizar tudo aquilo que possa criar riqueza para fazer face ao seu constante crescimento populacional. Vamos pois aproveitar a sua maior riqueza, que são os seus encantos, e fazer dela campo de caça de divisas, fim essencial a que o desenvolvimento do turismo visa. Daqui sugiro uma reunião de todos os organismos locais, num pequeno colóquio regional, que possa estabelecer um plano que dê satisfação a tanto e tanto que urge fazer, pois só unidos poderemos encontrar a meta desejada.

Quando falo do Minho falo também desse Minho irredento que tem por cabeças Santo Tirso e a bela Póvoa do Mar, por vezes tão esquecida, como uma das maiores realidades turísticas de que dispomos.

Peço licença ainda para me referir à necessidade, já aqui aflorada pelo meu ilustre colega de círculo Deputado Folhadela de Oliveira, de se tratar a sério das estradas de Cabeceiras e Celorico de Basto, cujo atraso é verdadeiramente confrangedor, sem o que o problema turístico não pode ali ser encarado. E deve-o de facto ser através da criação de zonas de caça e pesca que legislação ultimamente promulgada favorece. Aproveitando para esse e outros efeitos as serranias da região, de que quereria destacar a da Cabreira, a que tenho preso tão íntima e saudosamente o meu coração, pois não o escondo, antes orgulhosamente o proclamo, devo a minha ascendência à gente que ali vive, e vive uma vida simples, quase pastoril, vida que me enche a alma, talvez por uma atracção atávica.

O Sr. Costa Guimarães: - V. Ex.ª dá-me licença?

O Orador: - Faz favor.

O Sr. Costa Guimarães: - Referiu V. Ex.ª o problema das estradas da região de Basto. Como sabe, o Ministério das Obras Públicas tem devotado o maior carinho à finalização da ligação de Fafe a Vila Pouca de Aguiar, passando pelo Arco de Baúlhe e Ribeira de Pena. Temos de deixar aqui o mais vivo reconhecimento ao Ministério das Obras Públicas por esse carinho, mas nunca é de mais pedir-lhe que prossiga no ritmo que se tem verificado e não venha a esmorecer nos seus intentos, no sentido de que aquela ligação possa ficar concluída até ao fim do ano que vem. Era uma grande realização que muito contribuiria para a melhoria do nível de vida daquela boa gente da região de Basto.

O Orador: - Congratulo-me imenso com as palavras que acabo de ouvir, até pela justiça que se presta à Junta Autónoma de Estradas e porque gosto muito de me ver acompanhado por pessoas da craveira intelectual de V. Ex.ª

O Sr. Antunes de Lemos: - Sou o representante da região de Basto nesta Assembleia e queria dizer a V. Ex.ª que a estrada n.º 216, agora referida, já foi adjudicada completamente, tanto no troço do Minho, como no troço de Trás-os-Montes. E necessário agora que se estabeleça a ligação entre essa estrada e a sede dos três concelhos de Basto: Celorico, Cabeceiras e Mondim.

O Orador: - Muito obrigado pela sua intervenção, com que estou inteiramente de acordo.

Sr. Presidente: como disse, voltarei ao assunto; quis apenas prestar o tributo da minha homenagem, que julguei oportuno, aos que dentro deste sector estão servindo, e servindo bem, e que, como quase sempre sucede, não têm sido plenamente compreendidos, e, ao fazê-lo, chamar a atenção do Governo e deles mesmos para a necessidade de se olhar a sério pelo problema turístico do Minho, que é um todo, e como tal deve ser encarado. Se é preciso quebrar rotinas, que se quebrem, como se vão já quebrando. Se é preciso destruir empecilhos, que se destruam sem demora. Sem bairrismos, que um meu amigo classificou uma vez de burrismo, marchemos em frente.

Por mais de uma vez que uma alta entidade consular, a quem devo muita amizade e estima, me tem censurado amigamente por não aproveitarmos como devemos a nossa principal riqueza: a beleza inexcedível da nossa terra, da planície dos nossos campos, que contrasta com os picos dos nossos montes, a majestade dura dos monumentos de granito que o homem de antanho soube trabalhar, o encanto da alma acolhedora e desinteressada da nossa gente, que prende o forasteiro, o colorido magnífico das nossas romarias e das nossas feiras, onde o gado barrosão de grandes hastes se mostra alentado e a que os frutos da terra e as louças de Barcelos dão colorido sem igual e moçoilas sadias salpicam de graça. Romarias e mercados que constituem, no seu conjunto, toda a riqueza etnográfica de uma região, riqueza que se desdobra em mil aspectos, de que destacarei a cor dos trajos, a harmonia dos cantares, a leveza e graça das danças e a arte popular demonstrada num artesanato em favor do qual, e para que se não perca, nada de concreto se fez para já. E ainda o castiço da sua cozinha, a velha cozinha portuguesa, sem ademanes à parisiense, sincera, como lhe havia de chamar um dia um ilustre membro desta Câmara, a que empresta magnífico complemento o vinho da região, verde ou "berde", como para lá dizemos e queremos continuar a dizer.

Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Presidente: - Vai passar-se à

Ordem do dia

O Sr. Presidente: - Continuam em discussão as Contas Gerais do Estado relativas ao ano de 1961. Tem a palavra o Sr. Deputado Sousa Meneses.

O Sr. Sousa Meneses: - Sr. Presidente e Srs. Deputados: a conta do Estado de 1961 apresenta-se dominada por três factores fundamentais: os encargos com a defesa, a continuidade na execução do Plano de Fomento e a satisfação das necessidades dos serviços. Julgo oportuno poder fazer alguns comentários sobre o primeiro dos factores indicados, mais com a intenção de prestar um depoimento sobre alguns pontos que reputo essenciais do que de trazer matéria nova ao debate.

De facto, não parece fácil poder trazer novidades depois de se ler o bem elaborado, claro e verdadeiro depoimento do Sr. Ministro das Finanças sobre a Conta Geral do Estado do ano de 1961 e o magnífico estudo de análise e de síntese e, sempre que necessário, também de crítica sensata e construtiva do Sr. Deputado Araújo Correia, relator