O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

31 DE JANEIRO DE 1964 3041

desempenho da sua missão específica, tornada extensiva a todas as tarefas que execute.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - Tenhamos presente aquela outra invasão feminina, usurpadora de lugares que não lhe pertencem na vida pública, e ela própria vítima da pseudo-economia do progresso e da miragem de uma. falsa independência. Esquecendo que «a mulher é verdadeiramente livre quando tem a liberdade de se tornar mulher», na sábia expressão de Edward Leen, essa mocidade incaracterística torna-se escrava do estilo de vida masculino que servilmente copiou, e dos defeitos a ele inerentes, sem sequer as virtualidades necessárias para imitar a grandeza que o homem poderá, imprimir às suas ocupações ...

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - Escrava de um egoísmo tão contrário à própria, natureza da mulher, que lhe tira a possibilidade de ser feliz.
Mas poderá o mundo moderno, tão sequioso de verdadeiro entendimento entre os povos, de esperança de melhores dias de fé autêntica, tão batido pelo ritmo do trabalho utilitário, tão agitado pela violência das paixões e pelo choque dos egoísmos, resolver os grandes problemas humanos que o dilaceram sem o concurso da alma feminina? Creio poder afirmar-se que qualquer coisa lhe faltaria como ao ser vivo a quem privassem de seiva ...
Talvez o jeito do sacrifício daquela que foi talhada para dar a vida à custa da própria vida- e traz as mãos habituadas às tarefas mais humildes. Talvez o clima de paz e de interioridade onde se escuta a voz de Deus ...

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - E não temos de as admirar, essas mulheres humildes ou letradas que têm sabido cumprir heroicamente o seu dever de estado e encontrar a maneira de desdobrar forças e repartir o saber para prestai-os mais variados serviços à sociedade. São assim mesmo. Temos, sim, de as defender e de desbravar o terreno onde, por sua vez, a nossa juventude encontrará o caminho.
E foi por mo parecer que a todos nos cabe este cuidado, que julguei oportuno pôr a questão nesta tribuna.
Acaso julgaremos nós que se improvisa a «mulher forte» deste século, tão cheio de perigos para a sua dignidade, quando se leva anos a preparar um simples técnico de nível médio?
Acaso julgaremos que a rapariga descobre sozinha aquela imagem digna de constituir o seu ideal na caminhada que percorre em termos idênticos aos dos seus irmãos e colegas, preocupada apenas com os resultados escolares?
Importa, Sr. Presidente, cerrar fileiras em defesa daqueles sagrados valores a que há pouco me referi e outros tiveram o mérito de pôr em destaque. Aliás exporemos a juventude à voragem dos que contam com a desagregação da família e com a decadência da mulher para a queda da civilização ocidental.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

A Oradora: - Sr. Presidente: é indiscutivelmente à família que cabe, por direito natural, o grave dever da educação; a tal ponto inalienável, que só em casos extremos de impossibilidade física ou falta de idoneidade moral os pais podem ser substituídos na sagrada missão de educar os filhos que Deus lhes der. Isto não significa, porém, que a família possa ou deva ficar limitada ao seu saber e experiência para encaminhar a criança até à idade de poder conduzir-se sozinha na vida.
Há condições gerais que à sociedade cabe proporcionar-lhe para que possa desempenhar-se da sua tarefa e outras especiais, mais directamente ligadas à função, que não podem descurar-se hoje em dia. Em várias intervenções parlamentares tive a oportunidade de referir-me a circunstâncias que afectam de forma notável o comportamento familiar e, consequentemente, a própria educação da mocidade: o nível económico do agregado familiar, o trabalho profissional da. mãe de família em regime de tempo completo, a habitação, a segurança social, a assistência sanitária, o clima moral da sociedade e da própria família, a literatura e espectáculos, etc.
Não vou repeti-lo, nem repetir-me, ainda que tenha a convicção de que os problemas são de tal modo interdependentes que qualquer planeamento de acção educativa deve ter implicações obrigatórias sobre aqueles sectores da vida social, sob pena de ver inutilizados muitos dos objectivos propostos.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - A criança não sofre ser educada como se fora uma manta de retalhos; antes reclama uma convergência de meios educativos e uma identidade de princípios que assegurem a unidade da pessoa do educando.

Vozes: - Muito bem!

A Oradora: - O valioso testemunho que o Sr. Deputado Moura Ramos trouxe a esta tribuna veio comprovar a veracidade desta asserção.
Entre os meios directos de ajuda à família em matéria de educação, situa-se em primeiro plano a escola, que os países de civilização ocidental ficaram a dever por longos séculos à exclusiva e maternal solicitude da Igreja; toma, porém, na vida moderna uma tal importância, que veio progressivamente a congregar nos mesmos países o esforço de instituições privadas e uma intensiva acção dos Poderes Públicos.
A variedade das matérias necessárias à preparação profissional, o volume de aquisições científicas, a complexidade do problema educacional em toda a sua dimensão, requerem hoje uma tal pluralidade escolar e tão variado concurso de especialistas que seria impossível confinar-nos adentro dos recursos de uma família ou mesmo das instituições privadas.
Regiões inteiras há em que não raramente se transitou, em uma ou duas gerações, do analfabetismo à licenciatura, da casinha de pedra tosca ao arranha-céus, da convivência entre os parentes ao intercâmbio mundial, da comunicação postal ao telefone, à rádio, à televisão.
Por isso as escolas se abriram de par em par à totalidade das populações, rapazes e raparigas, frente à vida profissional e à, vida pública numa intenção de cultura, de aquisição de conhecimentos técnicos, de promoção social.
Em toda a parte do Mundo se verifica em ritmo cada vez mais progressivo a chamada «explosão escolar», que, no entanto, é insuficiente na América do Sul, na Ásia, na África, onde as percentagens não ultrapassavam em 1957, respectivamente, 12,7, 10,3 e 7,2, em relação à população total, contra 15,5 na Europa, 19,4 na Oceânia, 23,5 na América do Norte.