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3368 DIÁRIO DAS SESSÕES N.º 134

natureza se encarrega de valorizar. Tudo isso necessita de ser bem esclarecido o avaliado para o lavrador saber, sem desperdício ou malbaratamento, o destino que deve dar u sua floresta. O lavrador tem de saber o valor exacto e comercial dos seus produtos da floresta, para saber defender-se, tanto dos exageros fantasiosos, ocasionais ou fortuitos, que por vezes aparecem, prejudicando a restante gama de produtos comerciáveis na sua normalidade produtora, como também da especulação de uma indústria que procura nalguns bons negócios ressarcir-se de outros possíveis prejuízos.
O bom equilíbrio dos piremos, sem especulações nalguns sectores em prejuízo de outros igualmente úteis, é indispensável para- o melhor rendimento da economia nacional.
Tomamos como exemplo o pinheiro e em relação aos crescimentos anuais médios a que já atrás nos referimos vamos fazer algumas contas para melhor elucidação destes problemas e do que desde já pedimos desculpa a VV. Ex.ªs
Supondo uma unidade fabril a trabalhar anualmente 1500001 do, pasta de papel, serão necessários a essa fábrica paca a sua laborarão, com o pinheiro como matéria-prima, cerca de 1 milhão de esteres de material lenhoso, ou sejam cerca de 700 000 m3. Supondo a produção anual de 4 m3 por hectare e por ano, seriam necessários a esta fábrica 175 000 ha para o seu abastecimento; como a percentagem, normal do País de densidade da floresta é de aproximadamente 30 por cento, seria necessário dominar uma área de 525 000 ha.
Se nessa área se quiser aproveitar a madeira em todas as suas potencialidades, a madeira para a celulose é cerca de um terço da produção total e portanto, a área a considerar para manter todas as indústrias dependentes dessa madeira, sem se prejudicarem mutuamente, seria ainda o triplo da indicada, ou sejam 1 575 000 ha, o que dá um círculo médio de raio de acção de cerca de 70 km. Supondo um custo de transporte de 1$40 por tonelada-quilómetro e um preço de aquisição na fábrica de 160$ ou 170S por tonelada, foram apenas uns 60$ a 70$ por tonelada de madeiras finas para o lavrador marginal, o que é pouco, pois representa apenas uns 40 por cento do valor da madeira.
Se este, porém, as deixar crescer, Lies tirar o rendimento da resinagem e vier a vendê-las para os seus destinos mais valorizados, tira não só esse produto das suas mondas, como ainda um valor em que o transporte representa 10 a 15 por cento, ou ainda menos, do valor da madeira transaccionada.
É evidente que, mesmo em relação ao valor acumulado do juro do capital inicial, nos anos todos de espera da valorização dessas madeiras, ainda uca larga margem de lucro. Mas também se vê nos valores acima indicados que para um raio de ficção de mais de 120 km do centro do consumo a madeira de mondas passa a dar prejuízo, por o seu valor ser totalmente absorvido pelo transporte e portanto mais precário o aproveitamento integral da floresta, que pode até ir ao prejuízo, tal como nas anteriores culturas dos terrenos reconvertidos.
De tudo isto que fica dito, e aflorado muito genericamente, há apenas uma conclusão que não queríamos deixar de tirar e que é o melhor esclarecimento do conceito de preço da madeira, em que se ilude o lavrador, levando-o a supor, por vezes, que não tira da floresta o seu verdadeiro rendimento e está a ser explorado pela indústria; contudo, algumas vezes, é exactamente, o contrário, o que prejudica uns u desorienta outros.
Os serviços florestais já deviam conhecer hoje bem o valor da madeira comoo matéria-prima das várias indústrias e deviam orientar o lavrador nas suas vendas e na melhor e mais rentável exploração das suas matas.
Para se poder fazer uma exploração séria e poder contratar no estrangeiro os contratos que se fazem, devia haver um mínimo de segurança no custo e aquisição da matéria-prima internamente, !à parte ligeiras variações conjunturais inevitáveis.
Antes de se proclamarem irresponsavelmente preços fantasiosos da madeira, devia saber-se primeiro se tais preços são ocasionais e fortuitos ou base séria da exploração integral da nossa floresta, medindo bem os possíveis prejuízos que se possam provocar de sector a sector de exploração, industrialização e comercialização das madeiras.
Enfim só pedimos conhecimento, ponderação e estudo e então que se faça a reconversão florestal, mas com a certeza de que estamos todos a trabalhar no mesmo sentido de elevação do nível de vida do País, de possibilidades de mais trabalho, melhor remunerado e sem surpresas, para uma mais acelerada e contínua elevação do rendimento nacional.
Tenho dito.

Vozes: - Muito bem, muito bem!

O orador foi muito cumprimentado.

O Sr. Armando Perdigão: - Sr. Presidente: o aviso prévio que o ilustre Deputado Eng.º Amaral Neto em boa hora nos anunciou, e de forma verdadeiramente notável, oferece, a meu ver, aspectos de relevante importância, seja porque traz a oportunidade de se proceder ao minucioso balanço das inúmeras causas que sinèrgicamente tem vindo, ano após ano, a agravar a situação da nossa agricultura, seja ainda porque se levará ao conhecimento do Governo e do País uma mão cheia de depoimentos que, reflectindo o estado de espírito de diversas regiões metropolitanas, podem, em somatória, dar uma ideia mais realista dos inúmeros problemas cadenciados hoje pelas dificuldades agrárias.
A notável exposição que nos foi magistralmente feita pelo Sr. Ministro da Economia constitui igualmente faceta muito meritória que devemos creditar ao aviso prévio ora em debate.
Já o Sr. Eng.º Amaral Neto, já outros Srs. Deputados, fizeram aqui laboriosas análises às diversas causas que têm actuado em cumplicidade contra a nossa agricultura, facto que justificaria só por si a minha preocupação em não vos fazer perder tempo com a tarefa de inventariar tão extensa etiologia. Mas o que já creio indispensável referir e demonstrar é que essas causas delapidantes de longe têm vindo a ser denunciadas ao Governo.
Ainda em 1961 afirmava-se no conselho regional de agricultura da XIV região agrícola:

Verificamos que é caótica a situação actual da maioria dos que compõem a lavoura da região, seja qual for o aspecto que se pretenda considerar: o económico, o financeiro, o social e o moral. As principais causas da crise que nos assoberba são:

Sistemas de crédito a curto prazo desajustados a uma política de produção com sentido económico.
Áreas consideráveis dedicadas à cultura financiada, no geral deficientes e em desfavor do complexo agro-pecuário.
Baixo conceito em que na escala de valores sociais, são tidas as actividades económicas do