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18 DE ABRIL DE 1979 1707

e outros estrangeiros que vindos do país vizinho se queiram deslocar a Lisboa ou ao Norte do País, sendo indispensável proceder ao seu alargamento e melhorar consideravelmente o seu piso, correspondendo e dando satisfação às necessidades que se avizinham. Quanto à estrada nacional n.º 120, que liga Lagos ao Baixo Alentejo e Lisboa e serve as populações do Barlavento, região turística por excelência, o seu piso e estado de conservação estão muito aquém das reais necessidades do seu tráfego, havendo que melhorá-los, eliminando e atenuando algumas das inúmeras curvas em que é pródigo o seu trajecto.
Várias outras estradas nacionais do distrito de Faro, como a n.º 124, porto de Lagos-Alcoutim, n.º 270, Boliqueime-Tavira, e muitas outras de menor importância deverão ser substancialmente melhoradas, porque não nos podemos esquecer que o Algarve é incontestavelmente a província mais turística do País, e, por consequência, as suas estradas as mais utilizadas por nacionais e estrangeiros que numa atitude de manifesta curiosidade e interesse as percorrem, alcançando todos os cantos daquela bela e maravilhosa região.
A estrada nacional n.º 125, Vila Real-Sagres, sem dúvida a mais percorrida e a mais movimentada, servindo de nó rodoviário a todas as principais localidades da província e sendo como que a sala de visitas das vias de comunicação algarvias, com importância decisiva para o seu turismo, em que estado se encontra e que características apresenta?
O forasteiro que venha de automóvel pela fronteira do Algarve, a menos que goste deveras da região ou nela tenha interesses, não ficará decerto animado a repetir a viagem ou a recomendá-la a amigos.
Ao sair de Vila Real de Santo António, a estrada nacional n.º 125 dá em estreitar de tal maneira que a sua largura é menor que a maioria das estradas municipais. A via, estreita e má, prossegue por cerca de 8 km até passar a Vila Nova de Caceia, melhorando a partir dali numa dezena de quilómetros até Tavira. Renova-se o encolhimento e a compressão antes de chegar à povoação da Luz de Tavira, para se encontrar, próximo de Alfandanga, outra imagem de alargamento, esta, porém, prejudicada pela natureza do piso, bastante irregular para uma via tão concorrida.
Depois, de Alfandanga até Olhão, surge de novo o estreitamento e talvez o piso mais perigoso, com lombas, curvas e um sem-número de deficiências que constituem autênticos obstáculos ao automobilista.
De Olhão para Faro, numa distância de 8 km, 6 km são razoáveis e 2 km péssimos. De Faro a Lagoa, a estrada nacional n.º 125 tem um piso relativamente bom e uma largura razoável, para voltar depois a ter um piso péssimo, parecendo uma estrada do «Oeste», no percurso entre Lagoa e Sagres, atravessando as importantes cidades de Portimão e Lagos, com a inadequada e estreitíssima ponte sobre o rio Arade, em Portimão.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Como se vê por este breve resumo, é inconcebível que uma estrada de tão capital importância como a estrada nacional n.º 125 enferme de altos e baixos pouco encorajadores, fazendo pensar em quais serão os projectos dos nossos responsáveis, quer os de assuntos de turismo, quer os de trânsito, pois nada consta quanto à tomada de medidas que deverão ser consideradas de toda a urgência.
Como referi, aguarda-se a construção da ponte sobre o rio Guadiana e, a partir daí, é imprescindível a estruturação das estradas do Algarve para corresponder ao natural aumento de tráfego originado pela ligação.
Repare-se que na zona espanhola vizinha do Algarve existe a auto-estrada de Cádis a Sevilha e desta para Huelva, apenas a 30 km da fronteira, a sua projectada auto-estrada está quase pronta, tendo sido já aberto o primeiro troço numa distância de 25 km, que desde Sevilha descongestiona o intenso tráfego, especialmente de veículos pesados, ali verificado, ao mesmo tempo que noutros pontos do percurso se procede também ao alisamento e preparos dos terrenos onde a auto-estrada terá continuação. É, pois, tempo de os nossos responsáveis começarem a pensar e planear em matéria de rodovias para fazer face ao inevitável impulso que a construção da ponte sobre o Guadiana não deixará de trazer à movimentação de viaturas nas estradas algarvias. Nesta perspectiva, afigura-se-nos de prioridade fundamental a construção de uma via rápida, ou mesmo de uma auto-estrada, que percorra o Algarve de sotavento a barlavento, relativamente perto da costa, como alternativa válida e eficiente à estrada nacional n.º 125.

Vozes do PSD: -Muito bem!

O Orador: - É que, Sr. Presidente e Srs. Deputados, a estrada nacional n.º 125, principal rodovia do Algarve, por onde se escoa mais de 70% do trânsito da província, com uma extensão de 157 km, ligando Vila Real de Santo António e Sagres e percorrendo todo o litoral algarvio, é hoje incomportável e há muito que deixou de satisfazer minimamente as necessidades da região.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Basta atentar no seguinte: esta rodovia, que atravessa e liga todos os principais centros urbanos do Algarve, como Faro, Olhão, Tavira, Portimão e Lagos e em que entroncam vários ramais que dão acesso às principais praias do Algarve, caso de Quarteira, Faro, Albufeira, Praia da Rocha, Armação de Pêra, Monte Gordo, Carvoeiro, etc., constituindo pequenos afluentes cujo caudal de trânsito vem engrossar substancialmente o movimento da estrada-mãe, tem actualmente mais a estrutura de uma via urbana do que propriamente a de uma estrada stricto sensu.
Na verdade, além de dezenas de povoações que se situam ao longo do seu percurso, há espaçosas zonas do seu trajecto, nomeadamente entre Faro-Olhão, Faro-Almansil, Olhão-Tavira e Ferreiras-Albufeira, e um pouco em todo o seu traçado, cuja intensidade demográfica e urbana é de tal ordem que o seu alargamento se torna impossível com todos os inconvenientes inerentes a uma via que se quer rápida, mas que, por forma das circunstâncias expostas, se torna cada vez mais lenta.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quem percorre o Algarve através da estrada nacional n.º 125 tem a nítida sensação que em grande parte dos seus troços percorre uma avenida com as casas muito junto à estrada, acarretando naturalmente toda a espécie de inconvenientes, concretamente o estacionamento de veículos e circulação de peões, especialmente crianças.