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118 I SÉRIE -NÚMERO 5

O Orador: - ...mas continuamos abertos ao tal consenso com o Governo que o Partido Socialista diz desejar em matéria de política externa.
O último ponto que gostaria de abordar refere-se a algumas críticas feitas nesta Assembleia e neste debate à orientação pró-europeia e pró-ocidental da política externa do Governo. Começaria por dizer ao Sr. Deputado Jorge Sampaio que não é verdade que Portugal tenha sido o país que mais medidas de retaliação tomou contra a União Soviética por virtude e em consequência da invasão soviética do Afeganistão. Houve vários países ocidentais que tomaram mais de vinte medidas de retaliação cada um; Portugal tomou três.
O Sr. Deputado César Oliveira, da UEDS, acusou--nos aqui por atacarmos a invasão soviética no Afeganistão, mas ao mesmo tempo mós mostrarmos benévolos, segundo ele, para com as soluções autoritárias e fascistas que ocorrem na Bolívia, donde não foi chamado para consultas o nosso embaixador em La Paz.
A verdade, Sr. Deputado, é que, além de não termos embaixador residente em La Paz e por isso não o podemos chamar, ....

Risos do PSD. do CDS e do PPM.

... as duas situações não têm paralelo, porque no Afeganistão houve uma invasão por um exército estrangeiro, o que não aconteceu na Bolívia, tendo sido chamado o nosso embaixador mo país invasor, e não o nosso representante no país invadido.

Vozes do PSD, do CDS e do PPM: -Muito bem!

O Orador: - Seja como for, o Governo Português condenou pública e formalmente o golpe na Bolívia e disse porquê, da mesma forma que condenou pública e formalmente o golpe na Turquia e disse porquê. Curiosamente, em certos meios ditos progressistas comentou-se que a nossa condenação do golpe na Turquia eira um quixotismo. Estamos, pois, em presença de does pesos e de duas medidas.

O Sr. Ferreira do Amaral (PPM): - Muito bem!

O Orador: - O mesmo Sr. Deputado e outros lustres oradores da oposição acusaram-nos também de termos uma política de completo alinhamento pelas posições dos Estados Unidos, o que é desmentido por entrevista que hoje é publicada no vosso tão apreciado semanário O Jornal, não contribuindo assim para que a Europa venha proximamente - cito palavras dele - «a subtrair-se à submissão aos Estados Unidos e a libertar-se do espartilho das superpotências».
Sejamos claros. No entender do Governo, Portugal e a Europa não são nem devem vir a ser equidistantes entre a União Soviética e os Estados Unidos. Os Estados Unidos são um país amigo e aliado.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Estamos, pois, mais perto dele do que d& União Soviética, e areio que sempre assim será.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

A Europa está ao lado dos Estados Unidos na NATO contra o expansionismo soviético, porque sabe que os Estados Unidos são os únicos capazes de se pôr ao lado da Europa se a União Soviética invadir ou .atacar um país europeu,...

O Sr. Amândio de Azevedo (PSD): - Muito bem!

O Orador: - ... tal e qual como os Estados Unidos souberam estar ao lado da Europa e defendê-la contra a invasão e o domínio nazi.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador:-A Aliança Atlântica é uma aliança contra as ditaduras - ontem contra a ditadura fascista, amanhã, se necessário, contra a ditadura comunista.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Nisso se distingue do Pacto de Varsóvia, que é uma aliança contra a democracia e contra a liberdade,...

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

... isto é, contra a democracia dos países ocidentais e contra a liberdade dos povos da Europa de Leste.

Vozes do PSD, do CDS e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - Não tenhamos, Srs. Deputados, complexos de culpa. A .política de amizade e aliança com os nossos parceiros da NATO, nomeadamente com os Estados Unidos, é uma política sã e coerente, que defende melhor do que qualquer outra a nossa liberdade, a nossa independência e o nosso futuro.
Amizade e aliança não significam subjugação nem servilismo. A era da submissão a outrem terminou, salvo na Europa de Leste, infelizmente.

Vozes do PSD, do CDS e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - O que significa é que temos uma herança comum a defender, ideias e princípios idênticos a prosseguir e necessidade de nos unirmos para termos força para resistir às ameaças dos nossos inimigos. Muitos dos que criticavam Cárter pela sua fraqueza são es mesmos que hoje criticam Reagan pela sua firmeza. A esses direi', recordando a fraqueza de Chamerlain, que, no entender do Governo, só uma política de firmeza poderá evitar o risco de um conflito geral. E acrescento, para que não restem dúvidas, que para nós não é aceitável a concepção segundo a qual, face à crescente ameaça soviética, aos Estados Unidos deviam caber os encargos da defesa e à Europa as delícias da dê t ente.

Vozes do PSD, do CDS e do PPM: - Muito bem!

O Orador: - Para nós tudo está ligado, e, se a détente, correctamente entendida, deve ser por todos assumida, o mesmo se tem de dizer das responsabilidades da defesa.
Que a Europa seja autónoma e possa um dia ser política e militarmente independente, isto é, capaz de se defender sozinha, ninguém o desejará mais