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1118 I SÉRIE-NÚMERO 33

Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os trabalhadores não se alimentam de sorrisos, mais ou menos envernizados, ou de jogos palacianos.
Se aumentam as grandes fortunas, se sobem os salários dos ministros, se se preparam para subir os salários dos deputados, por que havemos de viver cada vez pior? Perguntam os trabalhadores. Ou será que a liberdade só existe para votarmos naqueles que nos exploram ou naqueles que se conciliam com essa exploração?
Ou será que a democracia no regime do 25 de Novembro é para nós assistirmos, impávidos e serenos, a que os grandes tubarões fiquem cada vez mais ricos e nós, os produtores da riqueza, cada vez mais pobres?
As greves que têm surgido por todo o lado e que se vão intensificar são uma resposta clara a esta situação. Vamos à luta! É um grito que lentamente se vai soltando, se vai transformando em movimento e acção.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Conselho Nacional da UDP, ao analisar a situação política, concluiu que a hora é de resistência e luta contra a AD. Os trabalhadores portugueses sentem que não podem recuar mais. Sentem que é necessário defender as conquistas de Abril, já tão seriamente golpeadas.
O Conselho Nacional da UDP considera que existem forças mais que suficientes para desgastarmos e derrubarmos, pela nossa luta, o governo AD.
Porque sempre fomos uma força de combate firme e frontal, chamamos à luta contra a AD todos os trabalhadores, todos os democratas e antifascistas.
O Conselho Nacional da UDP apresenta ao movimento popular uma plataforma política de luta contra a AD e o seu projecto antipopular:
Defesa da Reforma Agrária e das nacionalizações;
Defesa da Constituição e das liberdades; Defesa das condições de vida dos trabalhadores: Defesa da independência nacional.
A UDP, ao apresentar esta plataforma política, tem objectivos muito claros: desgastar este governo, criar condições através da luta para o derrubar.
A UDP não utiliza o movimento popular como forma de pressão para os jogos palacianos ou para moeda de troca. Não utilizamos o movimento popular e as suas lutas para colocar nas mãos de Eanes a solução de um problema que só os trabalhadores podem resolver. Não alimentamos ilusões em que uma qualquer varinha mágica transforme uma maioria reaccionária na Assembleia da República numa chamada maioria democrática.
Luta frontal contra a AD. Unidade ampla e firme de todos os sectores populares. Greves, manifestações, concentrações e outras formas de protesto. Não aceitamos as pseudogreves de uma hora ou de poucas mais horas que só desmobilizam e desmoralizam os trabalhadores. Não silenciamos a situação de destruição da Reforma Agrária. Não nos colocamos contra as greves só porque elas não são dirigidas por nós. Assim é que se luta pelo derrube da AD.
Estamos confiantes na força da luta e da unidade dos trabalhadores. Temos a certeza da derrota da AD e do seu projecto político. Com todas as nossas energias apoiaremos o movimento popular para atingir este objectivo

O Sr. Presidente: - Para uma intervenção, tem a a palavra o Sr. Deputado Arménio Matias.

O Sr. Arménio Matias (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ao usar pela primeira vez da palavra na Assembleia da República, seja-me permitido recordar a memória de Francisco Sá Carneiro, para mim o maior político português do nosso tempo, cujas coragem política, verticalidade, clarividência e patriotismo foram determinantes no meu próprio empenhamento activo no seu projecto político para Portugal.
Sr. Presidente, Srs. Deputados: Os transportes urbanos e suburbanos de Lisboa são utilizados por cerca de 3 milhões de pessoas que habitam a área metropolitana de Lisboa, em cujo seio se situam aproximadamente 30% dos empregos existentes em Portugal continental.
Têm, por isso, para o País a maior importância política, económica e social.
Os transportes da área metropolitana de Lisboa apresentam incontáveis deficiências, não detectáveis em qualquer grande cidade do mundo desenvolvido, que sucessivos governos tem ignorado ou não têm sabido resolver.
Que outra conclusão tirar de uma análise sumária da rede pesada de transportes da Região de Lisboa, constituída pelo caminho de ferro, pelo metropolitano e pelas carreiras fluviais?
Não é verdade que diariamente cerca de 160000 passageiros da Linha de Sintra chegam ou deixam Lisboa pela estação do Rossio e, dirigindo-se ou provindo no metro, têm dei o fazer sob o calor do Verão ou a chuva e o frio do Inverno por não ter sido prevista uma ligação directa entre os dois modos de transporte?
Não é verdade que, destinando-se cerca de 60 % dos passageiros provenientes da Linha de Sintra a zonas de Lisboa mais facilmente servidas pela linha ferroviária da cintura, continua esta linha subutilizada, ao mesmo tempo que se avança no congestionamento da Baixa e se multiplicam os provavelmente desnecessários e dificilmente exequíveis projectos de ampliação do túnel e da estacão do Rossio?

O Sr. Teodoro da Silva (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Não é verdade que nenhuma linha pesada de transportes liga os terminais ferroviários de Cais do Sodré, Santa Apolónia e Rossio servindo os seus mais de 300 000 passageiros por dia?
Não é verdade que cerca de 120000 passageiros transportados diariamente de e para o Terreiro do Paço pela CP e pela Transtejo não dispõem aí de qualquer meio rápido de transporte e têm de atravessar à superfície uma estrada com intenso tráfego rodoviário?

O Sr. Teodoro da Silva (PSD): - Muito bem!

O Orador: - Não é verdade que, cruzando a linha ferroviária da cintura com as linhas do metro de Sete Rios, Entrecampos e Alvalade, nenhuma interface que sirva os passageiros dos dois modos de transporte existe?