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21 DE FEVEREIRO DE 1981 1119

Não é verdade que não existem nas estações principais da área suburbana parques de estacionamento propiciadores da utilização do transporte público para o interior da cidade?
Não é verdade que os cerca de 200000 habitantes do corredor de Loures não dispõem de nenhum eixo pesado de transportes?
Muitas outras deficiências estruturais da oferta de transporte público na área metropolitana de Lisboa poderiam ser apontadas, quase todas resultantes de uma evolução demasiado marcada pela desarticulação e descoordenação entre modos de transporte.
Para eliminar as deficiências do sistema de transportes da área metropolitana de Lisboa, para responder às necessidades do presente e para preparar e salvaguardar o futuro, é indispensável a aprovação de um plano director dos transportes da Região de Lisboa.
Ao Ministério dos Transportes cabe, naturalmente, a missão da preparação e do controle da execução desse plano.
Mas a sua aprovação há-de resultar da vontade do Poder Central, através desse Ministério, e do Poder Local, através das câmaras municipais situadas na região, participantes, para o efeito, de organismo apropriado, e há-de ter em conta o ordenamento do território, o urbanismo e o desenvolvimento industrial.
Considerando a procura de transportes da Região, considerando que a oferta há-de assentar numa rede pesada de transportes devidamente articulada, considerando as infra-estruturas e os meios de transporte já existentes, como estruturar os transportes públicos da área metropolitana de Lisboa?
A nível de transporte ferroviário. - Para dar à oferta do transporte ferroviário uma expressão adequada é necessário tomar as seguintes medidas:
Duplicar e electrificar o Ramal de Alcântara e ligá-lo à Linha de Cascais na zona da FIL (Feira Internacional de Lisboa). Assegurar a realização de comboios que percorram a Linha de Cascais, o Ramal de Alcântara e a linha da cintura, utilizando para o efeito unidades motoras bicorrente como é normal noutros países;
Construir uma nova via dupla entre o Cacém e Campolide, duplicar a bifurcação entre a Linha de Sintra e a linha da cintura e electrificar a Linha do Oeste entre Torres Vedras e Cacém. Estabelecer circulações ferroviárias entre a Linha de Sintra e a linha da cintura e criar comboios transvias entre Torres Vedras e Lisboa;
Construir uma nova via dupla entre Azambuja e Braço de Prata que, em conjugação com a linha da cintura, asseguraria o transporte suburbano desta região. Ficariam assim os transportes suburbanos não afectados pelos comboios rápidos e pelo transporte de mercadorias e Santa Apolónia exclusivamente reservada aos comboios de longo curso;
Suprimir todas as passagens de nível (rodoviárias e de peões) da Região;
Criar dois operadores de transportes ferroviários da Região que, embora integrados na CP, gozariam de certa autonomia de gestão para garantir qualidade e eficácia ao serviço prestado, o qual corresponde a dois terços do total de passageiros transportados pela CP;
Um operador explorando o serviço na Linha de Cascais e no Ramal de Alcântara;
Um operador explorando o serviço na Linha de Sintra, na linha da cintura, na futura via dupla Azambuja-Braço de Prata e no troço da Linha do Oeste entre Torres Vedras e Cacém.
A nível do transporte por metro. - O Metropolitano de Lisboa tem um índice de utilização em passageiros/quilómetro de linha dos mais elevados do mundo. Isso resulta do forte atractivo deste modo de transporte e da manifesta insuficiência da sua rede. Esta deveria sofrer as seguintes alterações:
Prolongar a linha de Sete Rios até Benfica;
Prolongar a linha de Entrecampos até ao Lumiar, com passagem pela Cidade Universitária, e dar-lhe continuidade por uma linha de superfície, formando assim um eixo pesado de transportes do corredor de Loures;
Construir um troço de linha ligando o Rossio, Cais do Sodré, Estrela, Rato e Marquês de Pombal e inserir a sua exploração na restante rede do metro;
Construir uma ligação entre as linhas de Alvalade e de Entrecampos passando pelo Campo Grande;
Construir uma nova linha que ligue a futura estação do Campo Grande a Moscavide, com passagem pelo Aeroporto e pelos Olivais;
Construir uma linha ligando Almada ao Marquês de Pombal, passando por Campo de Ourique e Alto de Campolide, aproveitando a menor carga por eixo do metro para a travessia da ponte sobre o Tejo;
Construir uma linha de metro ligeiro de superfície entre Braço de Prata e a FIL, seguindo a zona marginal, com passagem por Santa Apolónia, Terreiro do Paço e Cais do Sodré;
Construir as interfaces com os outros modos de transporte, com recurso a passadeiras e escadas rolantes, designadamente para o caminho de ferro nos seguintes pontos: Rossio, Sete Rios, Campo Pequeno, Areeiro, Braço de Prata, Santa Apolónia, Cais do Sodré e FIL.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - A nível de transporte fluvial. - Algumas medidas de adaptação se justificam às actuais carreiras fluviais em função da configuração proposta para a restante rede pesada de transportes:
As carreiras fluviais com terminais na Trafaria e no Porto Brandão deveriam passar a ter como terminal na margem norte a interface multi-modal da FIL;
As carreiras fluviais da CP Barreiro-Lisboa deveriam passar a ter como terminal na margem norte o Cais do Sodré, excepto as que asseguram a ligação entre os comboios de longo