O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

1124 I SÉRIE — NUMERO 33

O Sr. Presidente: Tem a palavra o Sr. Deputado Carreira Marques.

O Sr. Carreira Marques (PCP): - No voto que foi apresentado na Mesa onde se lê «a Assembleia da República evoca a sua memória e reconhece no seu exemplo o sentir profundo da vontade [...]» deve ler--se «a Assembleia da República evoca a sua memória e reconhece no seu exemplo uma forte expressão da vontade [...] Aliás, esta alteração foi-nos sugerida pelo Partida Social-Democrata.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado António Arnaut.

O Sr. António Arnaut (PS) : — Sr. Presidente. Srs. Deputados: O Partido Socialista, como partido antifascista que participou, de há longos anos. na luta pela liberadde e pela democracia e que sofreu a sua quota-parte da tirania fascista, associado comovidamente a este voto.
O fascismo existiu em Portugal. Por muito que se queira hoje diminuir ou minimizar a nefasta acção dos governos de Salazar-Caetano. há deles testemunhas. Sr. Presidente, umas mortas e outras vivas, mas lanto ás mortas como as vivas continuam hoje a prestar o seu depoimento implacável contra aqueles que quiseram amordaçar a voz do povo.
Saudamos os mortos e os vivos que não desistiram de lutar. A história dos homens e a história dos povos têm marcos que convém lembrar e é nesses exemplos vivificantes que devemos buscar forças para as lutas, que nunca cessarão, pela libertação dos explorados.
A eficácia dos trabalhos desta Assembleia, Sr. Presidente, não pode impedir que os deputados assumam a sua responsabilidade e. quando é caso disso, como hoje acontece, evoquem aqui, sentidamente, a memória daqueles cuja vida foi um exemplo e que nunca se subverteram e vergaram face à opressão.
Por isso, Sr. Presidente, o voto de um partido antifascista como o nosso, o voto de um partido socialista que vem desde Antero, partido cuja história mergulha também nas lutas pela emancipação da classe operária e das classes trabalhadoras, não podia deixar de ser o de aprovação.
Por isso. também, quando se trata de homenagear aqueles que lutaram pela liberdade, pela dignificação do nosso povo. a voz do Partido Socialista far-se-à ouvir. Hoje, essa voz é aqui encarnarda na minha humilde pessoa. Mas estou consciente de que todos os socialistas e democratas compreenderão o significado deste voto e que a Assembleia da República, a Assembleia do 25 de Abril, se prestigiará ao aprovar — assim o espero —, por unanimidade, este voto.

Aplausos do PS, da ASDI, da UEDS, do PCP, do MDP/CDE, do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Sanches Osório.

O Sr. Sanches Osório (.CDS): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Em nome do meu partido queria aqui declarar que apoiamos profundamente o voto proposto à memória dos trinta e dois portugueses que sacrificaram as suas vidas para lutarem pela liberdade que finalmente foi restabelecida a 25 de Abril de 1974.
Mas não poderia, ao fazer esta pequena declaração. deixar de pensar na exigência que é para todos nós as vidas, o trabalho e os sacrifícios desses portugueses porque. Sr. Presidente e Srs. Deputados, a democracia e as liberdades fazem-se, constroem-se no dia-a-dia. E na medida em que nós. mandatários do povo português, estivermos à altura desse mandato a democracia e a liberdade reinarão em Portugal. É essa. estou certo, a nossa vontade.
No entanto, queria apenas acrescentar um ponto que é para mim perdoe-se-me que fale agora em termos pessoais — muito importante e que é o facto de o 25 de Abril estar nas nossas mãos. A Liberdade que foi devolvida ao povo português foi-nos transmitida por esse mesmo povo.
Os trabalhos que nos estão cometidos nesta sessão legislativa e nesta legislatura são inegavelmente importantes. Sem menosprezar a recordação e as lições da história — e esta que hoje nos é proposta é mais uma e muito importante — penso que devemos apontar os nossos olhos para o futuro e darmos confiança ao povo português através da eficácia dos nossos trabalhos.
Lembro, Sr. Presidente e Srs. Deputados, que a revisão da Constituição é para nós e para o povo português uma das nossas missões prioritárias. Quero crer que o povo português pode acreditar em nós.

Aplausos do CDS, do PSD, do PS, do PPM, da ASDI e da UEDS.

O Sr. Presidente: — Tem a palavra o Sr. Deputado Herberto Goulart.

O Sr. Herberto Goulart (MDP/CDE): — Sr. Presidente. Srs. Deputados: Quando hoje de manhã, num programa qualquer da RDP, ouvi um qualquer entrevistado recordar emocionadamente os gostos culinários do antigo Presidente Tomás e do ditador Caetano. quando ouvi essa voz comovida e veneradora informar que Tomás era um bom apreciador de vinhos de marca e antigos — não de vinhos regionais — e que Marcelo Caetano gostava de bom peixe e de boa carne e que era bom conhecedor de vinho do Porto, recordei-me deste voto apresentado pelo PCP que hoje iríamos aqui discutir.

O Sr. Manuel da Costa (PS) — Muito bem!

O Orador: — Senti como é necessário nos tempos que correm evocar a memória dos trinta e dois antifascistas mortos no campo de concentração do Tar-rafal e reconhecer o seu exemplo na vontade do povo português na luta contra o fascismo e, hoje, na luta pela defesa da democracia e das instituições democrática. Senti ainda como é necessário trazer o seu exemplo a público especialmente junto da juventude do nosso país.
Caxias, Peniche. Aljube, Angra do Heroísmo e Tarrafal não era o resultado da PVDE, da PIDE ou da DGS; era o resultado do regime opressor, do regime que desrespeitava por completo a vontade do povo português, que necessitava da opressão e da violência para se poder manter no Poder em defesa dos interesses dos privilegiados.