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27 DE ABRIL DE 1981 2127

Num momento recente, do qual não pode estar esquecido nem o dramatismo da batalha nem a sinistra ameaça que pairou sobre a democracia, foi indiscutivelmente a ampla convergência da acção política de forças, correntes e personalidades democráticas muito diversas que impediu a radical subversão do regime democrático.
Contra a opinião daqueles que, fora da «AD», se empenham em denegrir a convergência dos democratas verificada em 7 de Dezembro, lembramos pura e simplesmente os factos e os resultados: unidos, os democratas asseguraram uma estrondosa derrota da reacção e uma relevante vitória da democracia.

Aplausos do PCP.

A consolidação e desenvolvimento da aproximação e da acção comum entre as diversas forças e cor» rentes democráticas é o único caminho que pode proporcionar novas vitórias democráticas, a bem da liberdade, do 25 de Abril, das aspirações do povo português e dos intereses de Portugal.
O 25 de Abril continua vivo na realidade portuguesa. O seu futuro está nas mãos de todos os democratas e patriotas. O 25 de Abril vive e viverá!
Viva o 25 de Abril!
Viva Portugal!

Aplausos do PCP e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente:-Tem a palavra o representante do Centro Democrático Social, Sr. Deputado Mário Gaioso.

O Sr. Mário Gaioso (CDS): - Sr. Presidente da, República, Sr. Presidente da Assembleia da República, Srs. Deputados: Celebramos hoje mais um aniversário do 25 de Abril, que foi, acima de tudo, o reencontro de Portugal com a democracia.
Comemorá-lo nesta Assembleia, perante os legítimos representantes do povo português, revela, só por si, que a Revolução de Abril triunfou, pois apenas em regimes democráticos existem parlamentos livres ; A liberdade é direito fundamental de todo o ser humano e condição básica da sua dignificação. Por isso valeu a pena conquistá-la, apesar do muito que, muitos sofreram no decurso do processo revolucionário.
Há quem pretenda avocar os méritos e os louros da Revolução de Abril. Mas a verdade é que uns e outros cabem, por direito próprio e em exclusivo, às forças armadas e ao povo português, de que ninguém deve nem pode apropriar-se, porque ambos constituem património inalienável de Portugal inteiro.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Hoje, como, de resto, desde sempre, o 25 de Abril é celebrado por formas e razões diferentes- uns nele festejam e relevam, essencialmente, o 11 de Março; outros o comemoram nele dando prevalência ao 25 de Novembro. Há também alguns que, por gostarem de festas, não faltam a nenhuma ...

Risos do CDS, do PSD e do PPM.

Este desentendimento acerca do 25 de Abril não é recente, antes existe desde os primórdios da Revolução.
Com efeito, debaixo de uma aparente coincidência de propósitos e de ideias, entre os que planearam e executaram o 25 de Abril sempre houve contradições insanáveis.
Uns pretendiam instituir no Pais uma democracia pluralista; outros visavam a implantação sub-reptícia de uma república popular. Aqueles pensavam deixar ao povo português a escolha do seu próprio destino; estes propunham-se impor-lhe uma nova e mais opressiva servidão.

Uma voz do PS: - Não apoiado!

O Orador: - Os primeiros só se preocupavam com Portugal e com os Portugueses; os segundos sobrepunham a tudo a sua ideologia.

Vozes do PS: - Não apoiado!

O Orador. - Enfim, uns eram democratas, outros falavam de democracia...

Vozes do CDS:- Muito bem!

O Orador: - Com estas divergências de base, era inevitável o que veio a acontecer.
Pouco tempo após o 25 de Abril tomou a liderança do processo revolucionário o grupo progressista, subtilmente manipulado pelo único partido na altura estruturado.
Entrou-se então numa 2.ª fase do processo, enxertada no 25 de Abril, mas sem ter nada que ver com ele.
Identifica-se esta outra revolução com o 11 de Março, caracteriza-a um caminhar apressado e tumultuoso em direcção a um totalitarismo e desenvolve-se através de violências e atropelos de toda a ordem.
Foi o período em que nada se respeitava, nem os próprios partidos democráticos, e em que tudo se procurava destruir, inclusive a história pátria.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador - Foi o período da descolonização nada exemplar, da demolição sistemática de todos os suportes da nossa economia, do caos social e da desagregação da instituição militar.
Foi o período em que se destruíram sedes de partidos, se vilipendiaram dirigentes e se perseguiram militantes. E tudo isso somente porque os partidos, e nomeadamente o CDS, tiveram coragem e, sabendo-se com a força da razão, nunca se vergaram à razão da força.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador- Estivemos a um passo de uma nova ditadura e à beira de uma guerra civil, porque, entretanto, o povo português e os partidos democráticos reagiram corajosa e firmemente contra a onda de progressismo irresponsável que assolou o País.
Evitaram esse confronto as forças armadas, com a sua intervenção em 25 de Novembro. Porque e para que intervieram disse-o o Presidente da Repú-