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2128 I SÉRIE - NUMERO 56

blica aqui e na sessão de 1980. Por oportuno, recordo, citando-o:

Sendo o 25 de Novembro a reafirmação de democracia pluralista nas palavras e nos actos, é também a recusa do militarismo e a resposta firme àqueles que, esquecidos do que combatiam, se assemelhavam, no entanto da vitória, aos seus adversários, na vontade totalitária da opressão e destruição.

Estas palavras correspondem ao verdadeiro espírito do 25 de Abril e confirmam os desvios que nele houve, os excessos que se cometeram e a existência dos grupos anteriormente referidos.
Com o 25 de Novembro, regressa o 25 de Abril a sua pureza originária.
Com o 25 de Novembro, completa-se e esgota-se a Revolução de Abril, com a clara vitória das forças democráticas, que sempre a apoiaram, e a derrota das forças não democráticas, que nela se introduziram e .só a prejudicaram.
Por tudo isto, compreende-se que a esquerda não democrática festeje realmente no 25 de Abril o 11 de Março. E compreende-se que da primeira daquelas datas se pretenda apropriar para, e com o seu característico «folclore», dela apagar e nela fazer esquecer a sua própria derrota.
Quanto ao CDS, no 25 de Abril vê a dupla libertação de Portugal: à partida, de um velho regime ditatorial; depois, com o 25 de Novembro, de uma nova ditadura de sinal contrário. Neste entendimento, hoje e sempre o CDS festejará o 25 de Abril.
Sr. Presidente da República, Sr. Presidente da Assembleia, Srs. Deputados: A Revolução de Abril triunfou, já o dissemos e com isso nos congratulamos.
Mas a proposta apresentada ao povo português está ainda, em larga medida, por concretizar.
É certo que, no aspecto político, as instituições democráticas estão a funcionar normalmente, que no sector económico, nomeadamente em 1980, se fizeram progressos, conseguindo-se, pela primeira vez desde o 25 de Abril, reduzir a inflação a valores aceitáveis e aumentar o efectivo poder de compra dos Portugueses, que no domínio social se alcançaram também algumas melhorias, em especial nó âmbito dá segurança social e da defesa da família.
É verdade que hoje, e no nosso país, os cidadãos; têm garantida a sua participação activa na vida comunitária - já dispõem de voz e são ouvidos, já existem mecanismos legais que os protegem contra quaisquer arbitrariedades, já se exercitam direitos ainda há pouco ignorados ou proibidos.
Tudo isto, se é positivo, até pelas dificuldades enfrentadas, continua a ser insuficiente.
Por outro lado, há forças políticas apostadas na desestabilização, que não olham a meios para atingirem os seus fins. A elas convirá recordar as palavras que aqui proferiu o Presidente da República na sessão de 1977. Cito:

Não se pode ser democrata nesta Assembleia e fomentar lá fora a agitação e o desrespeito das leis.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Assim, há que prosseguir e acelerar a concretização das promessas de Abril, redobrando esforços e corrigindo erros.
O 25 de Abril, muito mais do que passado ou presente, é e tem de ser o futuro.
Aproximamo-nos de um novo século, e nele se pensa num Portugal renovado, em que o bem-estar dos Portugueses seja, não privilégio de alguns, mas direito ao alcance de todos.
Para tanto é importante e prioritário defender a liberdade e a democracia, promover o desenvolvimento geral do País e realizar uma maior justiça social.
Almeida Garrett escreveu um dia, e cito:

Em dois grandes escolhos se perde a liberdade: na tibieza com que se defende ou na demasia que dela se goza - evitemos um e outro.

A experiência vivida recentemente evidencia a justeza destas palavras e a necessidade de um equilíbrio que nem sempre existiu.
Se todo o homem é livre e pode ter as ideias que quiser, a sociedade possui, mais do que o direito, a obrigação de defender os valores em que acredita e de respeitar a vontade da maioria dos elementos que a integram.
Defender a democracia implica não pactuar com saudosismos, sejam eles do 24 de Abril ou do 11 de Março, mas exige também que se criem condições para que cada um e todos desejem sinceramente ultrapassar o nosso último meio século de história e queiram esquecer agravos, serenar paixões e curar as feridas que dele persistem.
Defender a democracia obriga ainda a dar o passo que falta para que a gozemos na sua plenitude - rever a Constituição, transformando-a, de pomo de discórdia, em traço de união entre todos os democratas portugueses.

Vozes do CDS - Muito bem!

O Orador: - Esperamos que os democratas desta Assembleia, com a noção das suas responsabilidades e a abertura de espírito que se lhes reconhece, consigam o consenso indispensável à democratização plena do regime.
Outro objectivo a prosseguir será o desenvolvimento económico, que passa pela definição do modelo a adoptar e pela modernização do aparelho produtivo, sem o qual não alcançaremos rapidamente a tão necessária melhoria das condições de vida do povo português.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Finalmente, uma política de autêntica justiça social é imperativo da consciência de cada um e garantia da permanência dos ideais de Abril. A luta contra as desigualdades, a eliminação das discriminações e o combate à pobreza, à indigência e à miséria constituem um desafio que devemos aceitar e temos de vencer.
Desta vitória depende, em larga medida, a construção de um futuro melhor para os Portugueses.