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2134 I SÉRIE -NUMERO 56

o nosso apoio, vai levar a bom termo, para que os Portugueses sintam que a democracia pode ser, muito mais que comemorações e palavras, connosco, estabilidade e bem-estar.
Sr. residente, Srs. Deputados: Tendo no nosso pensamento em especial a juventude de Portugal, cujo apoio nunca nos faltou, dizemos aqui: o 25 de Abril foi e é a esperança. Ela vai ser cumprida até ao fim. Merece-o, exige-o, o admirável povo de Portugal e a sua juventude, que nos deram a honra de nos escolher para seus representantes maioritários.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente da Assembleia da República:

Ex.mo Sr. Presidente da República, Sr. Primeiro-Ministro e Srs. Membros do Governo, Sr. Presidente do Supremo. Tribunal de Justiça, Srs. Membros do Conselho da Revolução, Sr. Provedor de Justiça, Exmo Sr. cardeal-patriarca, Exmos Srs. Chefes de Mis soes Diplomáticas acreditadas em Lisboa, Ex.mas Autoridades Militares e Civis, Ex.mas Autoridades das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, Srs. Deputados, minhas Senhoras e meus Senhores: É elementar e primeiro dever que incumbe ao Presidente da Assembleia da República apresentar a todos VV. Ex.ªs a expressão sincera do nosso agradecimento pelo brilho e pelo acréscimo de solenidade que com a vossa presença nesta sessão nos quiseram trazer.
Aqui nos reunimos mais uma vez para que, em sessão soleníssima, festejamos, com a serena alegria que inunda os nossos corações e as nossas inteligências - e nesse ponto rios irmanamos todos -, o 7.º aniversário da Revolução de 25 de Abril de 1974, a data memorável em que Portugal se viu restituído à liberdade e à plenitude dos direitos cívicos e políticos dos seus filhos.
E há-de realçar-se desde já que esse movimento, triunfando militarmente de modo fulminante, sem sangue e sem tiros, tem, todavia, na história das nossas instituições políticas, implicações profundas e representa nela um marco decisivo.
É que não se tratou apenas de um golpe militar para mudar pessoas ou governos, mantendo, todavia, o quadro institucional, como tantas vezes sucedeu ,nos primeiros tempos da República e em alguns períodos do constitucionalismo monárquico.
Não, o 25 de Abril foi portador de uma força de ruptura total com as instituições políticas então vigentes; e por isso não pode considerar-se como um mero pronunciamento militar, mas sim, e no verdadeiro sentido da palavra, como uma autêntica revolução. Por essa razão, e porque visou derrubar e derrubou um regime arbitrário e opressor, encontrou de pronto na totalidade do povo português uma solidariedade e uma adesão entusiásticas e totais, porventura poucas vezes igualada em todo o nosso passado histórico.
As revoluções deste tipo, mesmo quando, como a de 25 de Abril de 1974, traduzem o grito por mais tempo irreprimível de um povo consciente dos seus direitos humanos e que durante meio século lhe foram negados, têm, todavia, um preço, que a história demonstra ser-lhes necessariamente inerente: os primeiros tempos que se lhes seguem são quase sempre mais de emoção do que de raciocínio frio e,
quantas vezes, a serenidade dos mais competentes não é sacrificada à rapidez dos mais atrevidos!
Também por isso passámos. Mas tudo isso, felizmente, ultrapassámos.
Quando os temporais agitam os mares, por mais violento que seja o vendaval, as ondas alterosas que se levantam é sempre sobre si próprias que se abatem, e, no auge da tempestade, permanecem serenas e quietas as profundidades, impassíveis na sua quietude perante a agitação, quiçá violenta, mas sempre passageira, que lhes perturba a superfície. Mas só a superfície.
Assim é, meus senhores, a consciência colectiva dos povos. E assim se comportou a consciência cívica do povo português.
Por isso, podemos, eu creio, afirmar que o 25 de Abril triunfou duas vezes: triunfou ao restituir ao povo português, naquela manhã para sempre lembrada, com a sua liberdade, a possibilidade de ter ele próprio e triunfou também de quantos quiseram mais dele servir-se do que servi-lo.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

Por uma forma muito persistente e muito firme, foi possível ir encontrando as soluções mais equilibradas e mais genuinamente democráticas. E hoje, que sete anos são volvidos sobre a efeméride que festejamos, o saldo esmagadoramente positivo é este: em Portugal vive-se em democracia, possuímos um regime democrático em vias de plena institucionalização e aqui hoje as mulheres e os homens podem proclamar com honra e sem excepção que não estamos mais orgulhosamente sós, mas sim que somos orgulhosamente livres.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Orador: - Festejamos, pois, Sr. Presidente, minhas Senhoras, meus Senhores, os sete anos passados sobre a Revolução de Abril. Mas pedir-vos-ia licença para juntar a esta celebração uma outra que, como português, sinto em consciência o dever de invocar aqui e agora: penso e recordo o dia 25 de Abril de 1975, em que pela primeira vez se realizaram em Portugal eleições livres; nesse dia o povo português foi chamado a eleger os seus deputados para a Assembleia Constituinte. E nesse outro 25 de Abril o povo português agiu com um civismo, com um tão alto sentido das suas responsabilidades, votou em consciência, em paz e com tal serenidade, com tão grande e tão profundo espírito democrático que bem podemos assentar nisto: se o 25 de Abril de 1974 abriu as portas à democracia portuguesa, foi o povo português em 25 de Abril de 1975 que a afirmou para sempre; esse o dia da consagração demonstrada do amor imperecível do nosso povo à liberdade e ao seu desejo de participar livre e conscientemente na vida política da sua pátria.

Aplausos do PSD, do CDS, do PPM, do PS, da ASDI, da UEDS e do MDP/CDE.

A constatação desse facto é a única recompensa legítima a que têm direito os que desinteressadamente intervieram na Revolução e quantos antes dela nos batemos e lutámos pela liberdade e pela esperança