O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

7 DE MAIO DE 1981 2269

...cadamtnte socialista, contrário às intenções não socialistas deste governo, e por tudo isso sou de opinião que seria porventura exequível só num sistema político relacionado com tal ideologia. Somos da opinião que um sistema socialista - não traria benefícios aos Portugueses, por isso lógico se torna que não apoiemos socialismos parcelares.
Além disso, a AD sempre repetiu em todas as campanhas eleitorais a sua discordância em relação ao Serviço Nacional de Saúde. A nossa posição não deixou lugar para dúvidas e equívocos e os nossos votantes, através da maioria que nos delegaram já por duas vezes, sancionaram claramente esta nossa promessa eleitoral.
Perante estes dois factos, a incompatibilidade ideológica e o respeito por promessas eleitorais, julgo ser bem justificado que se introduza também o referido Serviço Nacional de Saúde na gaveta onde o socialismo foi depositado aquando do II Governo Constitucional. O móvel e a gaveta foram construídos pelo Primeiro - Ministro de então e a chave tem: sido o bom senso e a lúcida escolha do povo português ao dar a maioria à Aliança Democrática.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador - Aproveitar o móvel foi obra meritória e patriótica, no entanto, restam ainda muitas gavetas que espero que a próxima revisão constitucional venha preencher.
Relatei só dois aspectos concretos da actividade deste governo, pois não é esta intervenção de fundo da defesa da actual política governamental, essa pertenceu já ao Sr. Ministro dos Assuntos Sociais.
Contudo, e antes de terminar, não quero deixar de afirmar o apoio à política deste governo e a confiança que também no campo da saúde, à Aliança Democrática, trará benefícios ao povo português.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Presidente: - Está inscrito a seguir, para produzir uma intervenção, o Sr. Deputado Fernando Verdasca.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito?

O Sr. Carlos Lage (PS):-Sr. Presidente, o Sr. Deputado Fernando Verdasca ainda não se encontra presente no hemiciclo, mas creio que já está no Palácio. Pedia, pois, ao Sr. Presidente que desse a palavra a outro orador.

O Sr. Presidente:-Se VV. Exas. não vissem inconveniente, poderíamos assentar no seguinte: os tempos continuam a pertencer aos partidos e os Srs. Deputados inscritos que porventura ainda não se encontrem presentes serão substituídos pelo orador inscrito imediatamente a seguir. Se entretanto comparecerem na Sala, usarão da palavra na primeira oportunidade.
Esta parece-me ser uma resolução consentânea com a forma como se procede ao aproveitamento dos tempos.

O Sr. Jaime Ramos (PSD): - Sr. Presidente, peço a palavra.

O Sr. Presidente: - Para que efeito, Sr. Deputado?

O Sr. Jaime Ramos (PSD):-É que, Sr. Presidente, penso que não se deve seguir esse critério. Penso antes que o orador que ainda não se encontra presente deverá ser substituído por outro orador do mesmo partido que esteja inscrito.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Carlos Lage.

O Sr. Carlos Lage (PS): -Sr. Presidente, nós não temos qualquer objecção a fazer ao que acaba de ser dito pelo Sr. Deputado Jaime Ramos. No entanto, recordamos que o Partido Socialista já gastou ontem mais de metade do seu tempo, pelo que é natural que hoje os partidos que ainda dispõem de muito tempo, como é o caso do PSD e do CDS, comecem a intervir, se é o que querem fazer.

O Sr. Presidente: - Dado o Sr. Deputado Fernando Verdasca já se encontrar presente no Palácio, resolveríamos o problema aguardando alguns momentos, enquanto VV. Ex.ª providenciassem no sentido de o chamar.

Pausa.

O Sr. Valdemar Alves (PSD):-Sr. Presidente, para não estarmos a perder tempo, e dado ser eu o orador inscrito a seguir, interviria de seguida, se V. Ex. º me desse licença.

O Sr. Presidente: - Com certeza, Sr. Deputado. Tem a palavra.

O Sr. Valdemar Alves (PSD):-Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sus. Membros do Governo: Interpelar significa perguntar, levantar questões pertinentes com carácter construtivo ou para um perfeito esclarecimento dos factos.
Assim, a interpelação ora proposta pelo PCP terá, de ser encarada por um dos dois seguintes prismas: O PCP faz esta interpelação de boa ou de má fé?
No primeiro caso só teríamos que esperar que ela decorresse dentro de um espirito verdadeiramente construtivo, apontando erros, defeitos e carências, e, simultaneamente, as soluções que, embora baseadas em filosofias diferentes, quiçá contraditórias, possam indicar caminhos para a solução, nem sempre fácil, dos graves problemas que a saúde em Portugal enfrenta.
Todavia, assim não está a acontecer e não estamos certos que assim vá acontecer. A experiência de interpelações anteriores levadas a efeito nesta casa disso tem sido exemplo claro. A demagogia inflamada, a invocação de meros casos pontuais, a repetição cansativa de frases feitas e ideias gastas, os ataques fáceis ao Governo são e continuarão a ser tónica dominante. Daqui não podermos deixar de concluir que esta interpelação está, à partida, eivada de uma má fé que tira todo o seu hipotético valor e carácter positivo. «O pior inimigo de quem trabalha é aquele