O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

8 DE MAIO DE 1981 2341

O Orador: - Estou quase a acabar, Sr. Presidente.
Aliás, dado que há pouco fui interrompido,, pedia mais algum tempo para terminar a minha intervenção.

Vozes do PSD: - Já acabou! Já acabou!

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, vou-lhe conceder o tempo necessário para acabar a sua intervenção.

Protestos do PSD, do CDS e do PPM.

O Orador: - Mas é em vão que a Sra. Thatcher e a AD persistem num caminho condenado pela história. A luta do povo irlandês reforça-se e os combatentes da liberdade são cada vez mais. A solidariedade dos povos e dos democratas de todo o Mundo, nomeadamente da Inglaterra e do seu fiel amigo, os Estados Unidos da América, surge revigorada.
A solidariedade dos democratas portugueses ficou bem expressa na concentração da semana passada, apesar do boicote do governo civil AD, e, em especial, na manifestação de ontem, que reuniu muitos milhares de pessoas.
E escusa o embaixador de Sua Magestade de reafirmar que o assassinato de Bobby Sands foi legal, que a tortura e o assassinato do povo irlandês é legal e que os soldados ingleses na Irlanda são legais.
Não é isso que impedirá a luta e a vitória do povo irlandês - nem a luta e a vitória do povo português, que também conhece essa espécie dê legalidades.
A luta de Bobby Sands e dos seus companheiros, a luta do povo irlandês, também contribui para o isolamento do governo da AD e para a elevação da consciência democrática e revolucionária do nosso povo, mostrando como os interesses dos explorados e oprimidos de todo o Mundo se integram numa mesma e gigantesca luta. Afinal Marx sempre tinha razão!
A Europa dos trabalhadores será edificada em luta contra a Europa reaccionária dos monopólios, da CEE e dos pactos militares.

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, eu concedi ao Sr. Deputado Mário Tomé o tempo indispensável para acabar a sua declaração política, assim como farei com qualquer outro Sr. Deputado cuja intervenção possa exceder em alguns segundos o tempo regimental.

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Para que efeito?

O Sr. Pedro Roseta (PSD): - Sr. Presidente, queria apenas que fique registado que nos opomos ao precedente e que esperamos não se volte a repetir em circunstância alguma.

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: -Há pouco o Sr. Deputado não me deixou concluir o meu pensamento.
Pretendia ainda dizer que este facto não deve ser tomado como um exemplo, como um processo a seguir, porque senão não servem de nada as medidas que se tomam de forma a disciplinar as intervenções.

O Sr. Borges de Carvalho (PPM): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Borges de Carvalho (PPM): - Sr. Presidente, de qualquer forma não podemos deixar de considerar a decisão da Mesa como uma discriminação em relação a todos os Srs. Deputados que já foram interrompidos pelos semáforos.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, não se trata de uma discriminação. Ainda ontem, por exemplo, o Sr. Presidente da Assembleia concedeu tolerâncias a alguns Srs. Deputados.
Aliás, esta tolerância que agora concedi já tem sido concedida noutras alturas. Somente eu penso que, na verdade, isto não pode continuar a ser um processo a praticar. Como tal, os Srs. Deputados têm de limitar as suas intervenções ao tempo, de que realmente dispõem.

O Sr. Ribeiro e Castro (CDS): - Peço a palavra,

O Sr. Presidente: - Faça favor.

O Sr. Ribeiro e Castro (CDS):-Sr. Presidente, queria juntar-me às duas bancadas que já protestaram pela abertura deste precedente.
De facto, não faz sentido que se introduza o sistema dos semáforos para que ele seja sistematicamente violado por intervenção da Mesa, embora com intuitos que nós compreendemos.
O episódio que o Sr. Presidente referiu ter-se passado na sessão ide ontem verificou-se num contexto diferente e foi justificado pelo Sr. Presidente da Assembleia da República pela natureza do debate em curso, advertindo que, hoje mesmo, regressados os nossos trabalhos à normalidade, o sistema entraria, impreterivelmente, de novo em vigor.
A continuarmos assim todos os Srs. Deputados, na vigência do sistema da tolerância, continuarão sempre a solicitar mais tempo à Mesa para concluírem as suas intervenções.

O Sr. Presidente: - Creio que os Srs. Deputados exageram a gravidade desta situação. Apenas concedi mais meio minuto ao Sr. Deputado Mário Tomé porque não desliguei os semáforos quando o orador foi interrompido. Geralmente, quando isso acontece, desliga-se a luz verde do semáforo, ficando um sinal de intermitência. Mas, desta vez, isso não foi feito.

O Sr. João Morgado (CDS): - Foi, foi, Sr. Presidente.

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Peço a palavra, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Ó Sr. Deputado, não vamos agora fazer deste caso um debate...

O Sr. Mário Tomé (UDP): - Peço desculpa, Sr. Presidente, ma» é só para dizer o seguinte: o que