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4170 I SÉRIE -NUMERO 97

confiança. Para que tudo seja mais urgente acontece que, à permanente ameaça que gera o medo que sopra sobre a Europa temerosa de ser um campo de batalha, acelerando a quebra de criatividade da zona e a fuga continuada de capitais para o outro lado do Atlântico, acresce á política monetarista dos Estados Unidos que afecta todos os países da NATO que Portugal defende.
Não é de estranhar este facto, porque, se o nacionalismo se transformou nos países.: europeus numa bandeira discretamente enrolada, no continente americano anda gritado por todas as correntes, políticas desde o norte ao extremo sul, incluindo o eixo de influência de Cuba.

A Sr.ª Zita Seabra (PCP): - Ai Jesus!

O Orador: - O nacionalismo, constitui ali um tronco principal de todas as ideologias em confronto, o que significa que se traduz numa regra permanente de governo. É por isso, e também, um dado sempre presente nas decisões norte-americanas, seja qual for o partido que assuma o. Poder. Quando Nixon decretou a inconvertibilidade do dólar com total violação dos acordos existentes, quando Cárter iniciou a pregação dos direitos do. homem para reforço da credibilidade americana, adoptavam uma política tão nacionalista como a política monetária de Reagan, desta feita com resultados que exigem a cada aliado uma firme política de defesa da sua identidade e dos seus interesses dentro da Aliança.

Vozes do CDS: - Muito bem!

O Orador: - A política que tem feito subir o dólar em flecha, neste momento apenas não prejudica os Estados Unidos da América nem os donos do petróleo. O desemprego é exportado para os aliados europeus e sul-americanos, a pretensão de que os europeus empenham maior parte do seu produto nacional na defesa esbarra com a recessão à qual esta política acrescenta um factor de dinamização. Medita-se crescentemente na dinamarquização, da NATO, diminui a decisão da juventude europeia de entrar em combate, o processo abre perspectivas pessimistas. Estas não devem desenvolver-se, para salvaguarda da liberdade da Europa, o que exige um diálogo continuo e autorizado na área com independência de aliados. A arma tradicional dos poderes fracos, mas dignos, é; nestes casos, uma atenta, cautelosa, flexível, vigilante e unificada política internacional, amparo fundamental da defesa, que em muito assenta na eficácia da nossa diplomacia. Mas um conceito integrado da defesa, com correspondência nós factos do aparelho governativo, é lhe indispensável para desempenhar a sua função, porque, a economia de meios o exige, porque o agravamento da conjuntura internacional o torna urgente, porque os nossos recursos minguam sem reposição. A mais aceitável das respostas não é certamente a de que existem obstáculos constitucionais, porque ela se traduz em afirmar que todos, governantes e governados, suportam as consequências não daquilo que se faz, mas daquilo que não os deixam fazer. Os obstáculos constitucionais precisam de ser removidos e por isso a viabilização da acção eficaz deste governo, como de qualquer alternativa futura de governo em tal domínio está, neste campo prioritário, nas mãos soberanas do parlamento: A solidariedade institucional, que aparece reclamada de tantos quadrantes, tem aqui um ponto de partida para uma demonstração exemplar.

Aplausos do CDS, do PSD e do PPM.

O Sr. Jerónimo dê, Sousa (PCP): - Que cheiro a bafio!

O Sr. Presidente: -- Tem á palavra o Sr. Deputado
Jorge Miranda.-

O Sr. Jorge Miranda (ASDI): -;Sr. Presidente, Srs. Deputados: O escassíssimo minuto de que disponho não me permite comentar como gostaria o discurso político que acabamos de ouvir.
Infelizmente, não tenho tempo para, nomeadamente, salientar que o Sr. Deputado Adriano Moreira se encontra .nesta Assembleia em virtude de uma Constituição democrática.
Gostaria apenas, de elevar a minha voz para protestar contra a referência que ele fez à encíclica do Papa João, Paulo II, referência essa em que está implícita uma utilização em termos de um nacional-catolicismo que é tempo de acabar neste país,

Vozes da ASDI, do PS e da UEDS- Muito bem!

O Orador: -,Ninguém pode invocar o santo nome de Deus em vão. Ninguém, de nenhuma bancada, pode invocar a voz da Igreja para defender qualquer posição, político-partidária. Respeitemo-nos, mas, antes de mais, respeitemos o Papa João Paulo II.

Aplausos da ASDI, do PS, da UEDS, do PCP do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: -Sr. Deputado Adriano Moreira, V. Exa. no decurso da intervenção que acaba de fazer esgotou o tempo do seu partido. Em todo o caso, porque teve uma interpelação de cerca de um minuto, a Mesa conceder-lhe-á igual tempo para uma breve resposta, se assim o desejar.

Apartes inaudíveis dá bancada do PCP.

O Sr. Adriano Moreira (CDS):- Sr. Presidente, eu queria poupar o incómodo à bancada do Partido Comunista das suas intervenções em surdina, porque não lhe posso responder! visto não entender russo.

Aplausos do CDS e protestos do PCP.

Quanto ao Sr. Deputado Jorge Miranda, espero que ele mantenha, no domínio da sua especialidade, que é o Direito. Constitucional, uma maior seriedade intelectual do que aquela que demonstrou neste momento, abordando capítulos nos quais se mostra completamente ignorante.

Vozes do CDS, do PSD e do PPM: - Muito bem!

O Orador:- A, doutrina social da Igreja não é de nenhum partido, a doutrina social da Igreja é inspiração para várias formações partidárias.

Vozes do COS: -Muito bem!