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206 I SÉRIE-NÚMERO 7

Mas mesmo que assim fosse, é ou não um facto que a nossa juventude, infelizmente, a partir dos 12 anos e até aos 18 exerce a função sexual.
Vamos marginalizar essa nossa juventude? Vamos deixar vir ao mundo crianças por culpa de nós mesmos?

Vozes do PS e do PCP: - Muito bem!

O Orador: - E agora quero fazer uma pergunta à Sr.ª Deputada Zita Seabra Não será isto um truque da AD para canalizar a juventude para os consultórios particulares!

Aplausos do PS, do PCP, da UEDS e do MDP/CDE

O Sr Presidente: - Para responder, tem a palavra a Sr.ª Deputada Zita Seabra
A Sr.ª Zita Seabra (PCP) - Sr Deputado Verdasca Vieira, agradeço a sua intervenção pois, como e sabido, é um técnico reconhecido, particularmente neste campo E creio que se outros temas não houvesse e o tempo não fosse limitado nesta Assembleia, muito V. Ex.ª nos poderia relatar dos dramas que muitas vezes vivem as adolescentes e as suas famílias, exactamente por uma falta de conhecimento e por o Estado se demitir da obrigação que tem, juntamente com as famílias, de lhes dar o acesso às consultas de planeamento familiar e à educação sexual na escola Daí o meu agradecimento
Relativamente à pergunta que me coloca, digo-lhe que acredito que seja um truque para canalizar a juventude para os consultórios particulares Mas o mais grave é também isto é que a larga maioria das adolescentes que mais precisavam das consultas de planeamento familiar não têm os meios nem muitas vezes os conhecimentos para poder pagar essas consultas particulares

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - E são exactamente aquelas cuja ocorrência às consultas dos centros de saúde devíamos fomentar, para evitar dramas maiores, que não terão acesso às consultas, mesmo nos consultórios particulares, se esta medida do Governo não for travada

Aplausos do PCP, do PS, da UEDS e do MDP/CDE

O Sr Presidente: - Srs Deputados, na parte final do período de antes da ordem do dia da reunião da passada terça-feira, depois de uma intervenção, o Sr Deputado Arménio Matias foi objecto de pedidos de esclarecimento formulados, julgo eu, por quatro outros Srs Deputados. É precisamente para lhes dar resposta que lhe concedo agora a palavra, dispondo para isso de doze minutos

O Sr Arménio Matias (PSD) - Sr Presidente, Srs Deputados Quero, em primeiro lugar, agradecerão Sr Deputado Portugal da Silveira os comentários que teve a amabilidade de tecer em relação à minha intervenção.
De facto, o Sr Deputado Portugal da Silveira tem razão para enaltecer o papel da monarquia na construção do caminho de ferro em Portugal.
Quanto à pergunta que me foi colocada pelo Sr Deputado José Luís Nunes, foi com algum espanto que a vi formular e se estivessem a assistir à sua formulação os ferroviários socialistas estranhá-la-iam também com certeza. A gestão da CP tem sido má, a situação de um quase colapso económico verificado na empresa e aqui ilustrado pelo Sr Deputado António Moniz é uma verdade.
Os resultados da exploração estão à vista e a qualidade do serviço prestado pela CP é inequívoca.
Quanto à segunda parte da questão que se referia aos recém-licenciados transformados em administradores da CP, julgo que no mínimo tal decisão é uma aventura, mas queria sobretudo referir-me ao outro aspecto da questão relativo à escolha pelos sindicatos de administradores para a CP.
Esse processo iniciou-se logo a seguir ao 25 de Abril quando os sindicatos ferroviários herdados do Estado Novo, no dia 26 de Abril, foram ocupados por pessoas afectas a um determinado partido político Essa ocupação, aliás, foi ingenuamente relatada por um dos dirigentes sindicais a um jornal que na altura se publicava no Entroncamento e a situação foi perfeitamente clara.
Portanto, foram os sindicatos assim ocupados que escolheram aqueles que viriam a ser os administradores da CP Esses administradores viriam a ser confirmados pelo Governo presidido por Vasco Gonçalves e haveriam de patrocinar e consentir a mudança que se verificou na CP na sequência do 11 de Março, onde num só dia os mais importantes 73 lugares da hierarquia foram alterados
Dessa maneira se criou uma situação de controle total e de gestão da empresa em que os sindicatos negociavam directamente com os elementos que eles próprios tinham colocado no conselho de gerência da CP.
Quero aqui referir a coragem com que os ferroviários socialistas se opuseram, correndo muitos riscos, a este tipo de gestão da CP, e por isso estranho a pergunta que me foi formulada pelo Sr Deputado José Luís Nunes
O Sr Deputado Mário Tome, entre as questões que me colocou, referiu-se à impossibilidade da solução que preconizei do eixo ferroviário do interior e, designadamente, da construção do troço Pocinho-Vila Franca das Naves servir Trás-os-Montes e o interior.
Na verdade, a construção desse troço de via, que é, como eu disse, uma velha aspiração das populações, permitiria que a população de Trás-os-Montes, particularmente do distrito de Bragança, tivesse facilmente acesso ao centro do País, através desse troço e da linha da Beira Alta, designadamente a Coimbra, e acesso também ao Sul do País, designadamente a Lisboa, através desse troço de via e da linha da Beira Baixa.
Por outro lado, as populações do distrito da Guarda e do distrito de Castelo Branco, utilizando a linha da Beira Baixa esse troço de via, teriam mais fácil acesso ao Norte do País, designadamente à cidade do Porto. Essa ligação facilitaria ainda o acesso dos emigrantes que utilizam, como o Sr Deputado Mário Tomé sabe, a fronteira de Vilar Formoso e, portanto, a linha ferroviária da Beira Alta para se deslocarem para o estrangeiro e para chegarem ao País, teriam, assim, mais fácil acesso ao Norte do País donde são, em grande parte, originários.
A construção da via Pocinho-Vila Franca das Naves custa aproximadamente 2 milhões de contos, importância que é inferior ao défice de exploração de grande parte das nossas empresas públicas, como e o caso, por exemplo, da Carris Penso que seria da maior justiça utilizar os dinheiros que resultam das remessas dos emigrantes na construção de uma via que iria desenvolver uma zona da qual são originários e que, portanto, iria beneficiar directamente as terras desses nossos emigrantes.
Por outro lado, o prolongamento dessa linha ate ao Carvalhal e indispensável se se puser de pé a exploração