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208 I SÉRIE-NÚMERO 7

pressão das empresas rodoviárias privadas que se insere clara e perfeitamente na política da AD.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado Arménio Matias, V. Ex.ª pretende responder já ou aguarda a formulação dos outros dois protestos?

O Sr. Arménio Matias (PSD): - Aguardo sim, Sr. Presidente.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra o Sr. Deputado Veiga de Oliveira.

O Sr. Veiga de Oliveira (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado Arménio Matias mostrou um grande pudor em dizer quais tinham sido os ferroviários que tinham tomado conta dos sindicatos no pós-25 de Abril e qual era a sua filiação partidária. Posso dizer-lhe qual era. Sr. Deputado, embora o senhor também saiba. Eles não eram certamente do CDS, nem do PSD, nem sequer do PS, eram do PCP. E se o Sr. Deputado tem alguma coisa a protestar, então proteste, mas diga claramente aquilo que quer dizer.
Por outro lado, o Sr. Deputado, além de algumas loas a respeito do desenvolvimento dos caminhos de ferro, falou muito da democratização da CP e do 11 de Março, contrapondo uma coisa à outra.
O Sr. Deputado tem uma grande habilidade em cuspir para o ar, mas devo dizer-lhe que lhe cai o cuspo em cima, porque a primeira vez que os ferroviários foram contemplados com um ACT digno desse nome e com uma dignificação à altura da contribuição que dão para a economia do País e dos esforços que fazem foi depois do 11 de Março, pois foi nessa altura que esse ACT foi assinado, o que o Sr. Deputado sabe muito bem, até porque também beneficiou dele.

Vozes do PCP: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Também para um protesto tem a palavra o Sr. Deputado Bento de Azevedo.

O Sr. Bento de Azevedo (PS): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado Arménio Matias há pouco referiu-se, entre outras coisas, ao problema das linhas do caminho de ferro de via estreita e à sua rentabilidade, dizendo, inclusive, que o Governo está na disposição de melhorar essas linhas.
Acontece, todavia, que, na realidade, o Governo nada tem feito nesse sentido. Pelo contrário, não renova o material, os horários não são cumpridos, encerram-se estações e apeadeiros e, ao fim e ao cabo, apenas se fala em rentabilidade e não se tem em consideração o isolamento das populações servidas por aquelas linhas.
Por outro lado, são encerradas estações, com a revolta das populações locais, e faz-se intervir a Guarda Nacional Republicana com violência, originando feridos.
É nesse sentido que desejo protestar.
Em que ficamos, Sr. Deputado? Apenas e unicamente em mais promessas, não se fazendo nada em favor do serviço que deve ser prestado às populações e das vias que as servem?
O que fazemos, Sr. Deputado? Apenas promessas, como o Governo, ou o Sr. Deputado está na disposição de garantir que o Governo vai fazer alguma coisa em favor dessas populações?
Era isso que gostaríamos também de saber, além de protestarmos contra os factos que não são reais e que o Sr. Deputado alegou serem.

O Sr. Presidente: - Para contraprotestar tem a palavra o Sr. Deputado Arménio Matias.

O Sr. Arménio Matias (PSD): - Sr. Presidente e Srs. Deputados: Relativamente à questão das vias estreitas e do seu eventual encerramento, penso que isso são fantasmas que o Sr. Deputado Mário Tomé vê. O Governo, em sucessivas afirmações públicas, tem demonstrado à evidência o interesse em servir as populações por onde passam essas vias e portanto nunca esteve em causa o abandono das populações. Pelo contrário, o Governo preocupa-se em assegurar meios de transporte adequado a essas populações, mas aí há a situação económica das zonas servidas e, por isso, o Governo nunca encarou, de facto, a hipótese de encerrar pura e simplesmente estas linhas.
Quanto ao protesto formulado pelo Sr. Deputado Veiga de oliveira, devo dizer-lhe que, de facto, não mencionei o partido que operou a ocupação dos sindicatos porque isso estava subentendido, Aliás, a resposta quanto a essa ocupação está a ser dada pelos próprios ferroviários, que aos poucos vão constituindo sindicatos democráticos, sindicatos independentes, e vão deixando a Federação dos Sindicatos dos Ferroviários, de facto controlada pelo PCP, cada vez mais vazia, consubstanciada à sua própria direcção, aos seus próprios corpos dirigentes.
Quanto ao tal ACT digno, bastaria conhecer as propostas que hoje são assumidas pela própria Federação dos Sindicatos dos Ferroviários nas negociações com os conselhos de gerência para se ver bem quanto a massificação que foi operada por esses ACTs é hoje completamente contrariada pelas propostas da Federação dos Sindicatos dos Ferroviários.
Em relação ao Sr. Deputado Bento de Azevedo, quero dizer-lhe que não me cabe a mim dar as garantias que ao Governo competem. Mas o Governo tem-no feito publicamente e cumprirá as suas promessas.

Vozes do PSD: - Muito bem!

O Sr. Presidente: - Srs. Deputados, era intenção da Mesa pôr agora em discussão o voto de protesto apresentado na última sessão pelo Partido Socialista. No entanto, informam-me de que o Partido Socialista não vê inconveniente em que a discussão deste voto seja adiada para uma das próximas sessões.
Está certa a informação, Sr. Deputado Carlos Lage?

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, quando V. Ex.ª diz para uma das próximas sessões quer significar para amanhã, não é verdade?

O Sr. Presidente: - Por mim até podia ser hoje. Sr. Deputado.

O Sr. Carlos Lage (PS): - Sr. Presidente, nós estamos de acordo que se faça um adiamento para amanhã, mas não para mais tarde.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, por mim pretendia que a discussão se iniciasse agora, era isso que