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1082 I SÉRIE-NÚMERO 29

O Orador: - É hoje inegável que a AD, através dos seus sucessivos governos, não foi capaz de minimamente cumprir as suas promessas eleitorais.

Vozes do PSD: - Não apoiado!

O Orador: - Quem não se lembra do Programa Eleitoral de Governo da AD, publicado em fins de 1979, em que se prometia, entre muitas outras coisas:
Melhorar as condições de vida dos portugueses - reduzindo o aumento do custo de vida, criando postos de trabalho, diminuindo os impostos; promover a justiça social - ajudando os mais desprotegidos e favorecendo a igualdade de oportunidades; melhorar a extensão e qualidade dos serviços públicos - em especial a educação, a saúde, a habitação social.

Vozes do CDS: - É isso o que estamos a fazer!

O Orador: - Ao fim de dois anos, ininterruptos, de governação AD toda esta demagogia eleitoralista resulta inconsistente, oca, sem qualquer fundamento sério. São palavras sem correspondência com as realidades vividas.

Aplausos do PS, da ASDÍ e da UEDS.

Vozes do CDS: - Não apoiado!

O Orador: - A mudança que a AD prometeu - todos o sabem hoje, a começar pelos próprios - foi tão-só uma mudança para pior. O elan que conseguiu despertar em certos meios, perdeu-se rapidamente. O capital de confiança que granjeou em alguns sectores gastou-se, desaparecendo quase por completo, mesmo entre os profissionais livres e os empresários. A AD é hoje uma sobrevivência triste e sem bússola, num país adiado, para utilizar uma expressão cara do PSD, nos felizes tempos em que era oposição.
A credibilidade política da AD tem vindo a perder-se progressivamente na própria medida em que tem adoptado políticas contraditórias, cada vez que muda de Ministro das Finanças. Com Cavaco e Silva - lembram-se com certeza? - respirava optimismo: a inflação ia ser dominada; ...

Vozes do PSD e do CDS: - E foi!

O Orador: - ... o défice da balança de transacções externas ia ser reduzido; o desemprego ia ser controlado e mantido em níveis aceitáveis; o desenvolvimento ia ser acelerado; as exportações iam aumentar e as importações diminuir. Era a linguagem de inícios de 80 e tratava-se de ganhar, custasse ao País o que custasse, as eleições de 5 de Outubro desse mesmo ano.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - O primeiro governo de Balsemão, mais discreto, após um ano de demagogia eleitoralista sem freio...

A Sr.ª Manuela Aguiar (PSD): - Não apoiado!

O Orador: - ..., manteve-se contudo num nível de promessas ainda completamente irrealista quanto ao crescimento - que previu ser de 4,8% -, quanto ao controle de inflação -que admitiu ficar nos 16% - e quanto à contenção do défice da balança de pagamentos - que calculou em 1,3 e depois em 1,7 mil milhões de dólares.
Como aqui previmos então não cumpriu, nem podia seriamente cumprir, nenhuma das suas metas.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Com a displicência de João Salgueiro - cuja honestidade profissional se reconhece - o discurso mudou radicalmente. Pinta-se agora, com as cores mais sombrias, a gravidade da situação. Joga-se no medo e no desânimo das pessoas, como se não houvesse nada a fazer. A crise, aliás, atingiu limites indisfarçáveis bem como o descontentamento popular. Ninguém já ousa defender a AD. Muito menos, as suas políticas contraditórias. Daí que se anuncie o pior e se procure tão-só obter não já a adesão, mas apenas o fatalismo resignado da população, porque - dizem-nos agora - a culpa é da crise energética, da valorização do dólar e da seca - factores que nos são exógenos e contra os quais a pobre AD nada pode nem nada pode o País. Ora, não é assim.
A AD, à partida, tinha uma boa e sólida base para fazer frente à crise, que desbaratou por completo com uma política leviana, eleitoralista, sem qualquer rigor - que tempestivamente denunciámos.

Aplausos do PS, da ASDI e da UEDS.

Vozes do PSD e do CDS: - Muito bem!

O Orador: - Não tem desculpa. Encontrou a balança de transacções correntes à beira do equilíbrio, dada a política patriótica dos governos socialistas - como o próprio Ministro João Salgueiro hoje reconhece; as reservas de ouro desembaraçadas de compromissos anteriores e espectacularmente revalorizadas no mercado internacional; a inflação controlada; as exportações em fase de crescimento manifesto; as importações em decréscimo; as remessas dos emigrantes e o turismo atingindo valores superiores aos de sempre.

Aplausos do PS, da ASDI e da UEDS.

O Sr. Manuel Moreira (PSD): - Foi por isso que perderam as eleições?

O Orador: - Que fez a AD a partir desta base, reconhecida pelos próprios peritos internacionais como razoavelmente boa e mesmo promissora, dispondo, ainda por cima, de uma cómoda maioria parlamentar?
A resposta está no OGE e no Plano que o actual governo AD nos apresenta e que, por si sós, constituem terrível requisitório contra os dois anos de governação AD.

Vozes do PS: - Muito bem!

O Orador: - Recapitulemos: o maior défice da balança de transacções de sempre: mais de 2 mil milhões de dólares, depois de duas falsas previsões de 1,3 e 1,7 mil milhões de dólares; uma inflação ficticiamente calculada em 18,5% - para tentar fixar em 17% o tecto salarial - mas que atinge, segundo estimativas idóneas, os 24%; um crescimento do PIB de 1,6% - senão mesmo nulo, como sustentam alguns peritos -, depois de duas fantasiosas previsões de