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3 DE FEVEREIRO DE 1982 1799

sector dos transportes e compreende-se a preocupação do Partido Comunista em transformar aquilo que foi uma grande derrota numa vitória.
As empresas dos transportes, designadamente a Carris, a CP e o Metropolitano, estiveram durante largo tempo literalmente ocupadas pelo PCP, e alguns dos seus sectores, nomeadamente da Carris, ainda hoje sofrem a sua coacção e opressão.
Todavia, aquilo que se verificou nos dias de greve corresponde a uma alteração substancial pois o PCP sofreu uma derrota, sobretudo a nível dos transportes ferroviários, porque os comboios circularam de forma regular, com toda a segurança, contra a vontade do PCP que, através dos seus militantes
mais influentes, usou todas as formas de coacção sobre os trabalhadores da CP no sentido de os comboios não circularem nesses dias.
O PCP utilizou indevidamente as instalações telefónicas e outras da empresa, produziu ameaças físicas aos trabalhadores e seus familiares, violou as instalações ligando, na linha de Cascais, os carris à catenária por forma a impedir a circulação, fez todo o tipo de atropelos.
Mas os trabalhadores das empresas de transportes, designadamente da CP, não actuarão mais sob o controle do PCP. Eles adquiriram a liberdade, utilizá-la-ão e ninguém mais - e muito menos o PCP - será capaz de os controlar e arregimentar.
Portanto, o que o Partido Comunista quis foi transformar um fracasso numa vitória e eu protesto vivamente por isso.

Aplausos do PSD e do Sr. Deputado Pinto da Cruz do CDS.

O Sr. Presidente: - Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Costa Andrade.

O Sr. Costa Andrade (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Ouvimos aqui uma exposição empolgante das últimas vitórias do Partido Comunista. De certa maneira, estávamos já quase fascinados com esta marcha triunfal que parecia nunca mais parar e estávamos com a curiosidade de espectadores do mundo de ver o que seria o exercício do poder pelo Partido Comunista que, pela primeira vez, chegaria lá por via eleitoral ...!
De todo o modo, Sr.ª Deputada Maria Odete Santos, felizmente tenho algum receio de que haja muitas sombras a ensombrar esse seu optimismo, sobretudo quando vêm dos lados da sociedade portuguesa que são a razão da esperança ou que, de certa maneira, são também o sinal do progresso.
Perguntava-lhe, pois, concretamente, se também inclui nessa sua quase famosa blitzkrieg as estrondosas vitórias que a Juventude Comunista terá tido na Associação Académica de Coimbra e na Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico.
Gostava também que nos dissesse se, apesar de tudo, há alguma esperança para o Partido Comunista acreditar nos "amanhãs que riem".

Aplausos do PSD, do CDS e do PPM.

O Sr. Presidente: - Tem a palavra a Sr.ª Deputada Maria Odete Santos para responder.

A Sr.ª Maria Odete Santos (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: A minha intervenção destinou-se sobretudo - e creio que isso foi bem evidente - a apontar casos concretos de violação de artigos da Lei da Greve. Não me limitei a vir aqui dizer que o Governo ameaçou, fez chamadas telefónicas, etc., como o Sr. Deputado Arménio Matias referiu, numa diatribe que já não convence ninguém. 15so está provado porque, apesar de todas as vossas campanhas anticomunistas, os vossos planos estão gorados. Não são meia dúzia de velinhas ...

Risos

... não é o vosso palavreado ...

Aplausos do PCP.

... que apaga os resultados eleitorais, e aqui estão os grãos de areia para o Sr. Deputado Costa Andrade.
Os resultados das eleições de Fiães e Santo Ildefonso são os seus grãos de areia, Sr. Deputado: a descida vertiginosa da AD que os senhores não podem esconder e que é patente para toda a gente.
Mas às violações concretas que referi, com dados e até indicações de quilómetros das linhas de caminho de ferro onde se passaram, com a indicação dos trabalhadores que foram substituir grevistas, V. Ex.as Srs. Deputados, nada disseram. Calaram-se pura e simplesmente, tendo eu que entender esse silêncio como "quem cala consente".

Voz do PCP: - Muito bem!

A Oradora:- Queria ainda repetir algo que afirmei na minha intervenção, isto é, não pode, de modo algum, ser desmentido a marcha popular, as vitórias populares, o grande descontentamento popular que há em relação à política do governo AD bem patente nas manifestações de 12 de Dezembro e na marcha da paz, que ficarão ainda mais patentes na próxima paralisação geral do dia 12 de Fevereiro.

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - Por último - foi o primeiro mas eu respondo-lhe em último lugar -, o Sr. Deputado Sousa Tavares veio invocar que tinha havido um engano, uma troca de informações que se misturam na nota oficiosa do Ministério do Trabalho de uma reunião de empresários com o embaixador inglês.
Quero dizer-lhe, Sr. Deputado, que isso é um infantilismo. Aliás, estamos habituados a que aconteçam as coisas mais incríveis com este governo, desde a ida do Primeiro-Ministro para férias sem assinar o Orçamento Geral do Estado ...

Vozes do PCP: - Muito bem!

A Oradora: - ... até cartas que não se encontram. Já estamos habituados a estas infantilidades que, Sr. Deputado, faziam inveja ao filho da D. Salete Pureza de "0 Passeio dos Alegres".

Risos e aplausos do PCP.

Direi ainda ao Sr. Deputado Costa Andrade que a nossa esperança não nos vem - como é o caso da