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3006 I SÉRIE-NÚMERO 71

O Sr. Duarte Chagas (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Afirmou aqui o Sr. Deputado Custódio Gingão que lhe parecia que eu não distinguiria a azinheira do sobreiro. Pois quero dizer-lhe que quem costuma fazer muito bem essa distinção é quem come a bolota.
Todavia, apesar de não comer bolota, distingo muito bem a azinheira do sobreiro, e devolvo-lhe a falsa demagogia.

Risos do PSD.

Uma voz ao PSD - Escusavas de ouvir esta!

O Sr. Presidente: - Para pedir um esclarecimento tem a palavra o Sr. Deputado Mário Lopes.

O Sr. Mário Lopes (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado Custódio Gingão disse que antes do 25 de Abril - o chamado tempo dos agrários, dos latifundiários- se tirava pouca cortiça e que estávamos em decadência nesse campo porque a cortiça era de má qualidade, já que os agrários não tratavam convenientemente as propriedades.
Sr. Deputado Custódio Gingão, se eu pegar na estatística - e oficialmente temos que nos guiar por ela -, verifico que em 1976 se tiraram 180000 t e em 1968 233 000 t. Se adicionarmos 9 anos a 1968 - idade legal da cortiça-, devíamos ter tido em 1977, pelo menos, a mesma cortiça, já que era lógico que tivesse havido um acréscimo de cortiça virgem grada, para além dos sobreiros já descortiçados que vieram a dar cortiça segundeira.
Como vê, também percebo um bocado de cortiça!
Gostaria de perguntar-lhe o seguinte: como é que em 1977, em vez de termos 233000 arrobas, às quais podemos até dar uma quebra de 10% - e nessa altura não era o Governo da AD que governava este país -, só extraímos 177000 t?
Além disso, V. Ex.ª disse que a cortiça agora era de melhor qualidade (é possível que estejamos de acordo em determinadas coisas, noutras não). Gostaria então que me dissesse qual era a percentagem de cortiça de primeira antes e depois do 25 de Abril

O Sr. Presidente: - Para responder tem a palavra o Sr. Deputado Custódio Gingão.

O Sr. Custódio Gingão (PCP): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: O Sr. Deputado vem querer remediar o mal, mas fez ainda pior.
Sr. Deputado, a cortiça depois do 25 de Abril é melhor, e isto por várias razões que eu conheço e que o Sr. Deputado não sabe, ou pelo menos mostra que não sabe.
Sr. Deputado, é ou não verdade que na terra desmatada, fertilizada, sendo as árvores podadas, a cortiça produzida é melhor?

O Sr. Duarte Chagas (PSD): - E a extracção?

O Orador: - Sr. Deputado, não queira confundir massa de cortiça com extracção de cortiça. São coisas totalmente distintas.
Mas mais: se o Sr. Deputado não sabe, fica a saber que determinada cortiça, por muito boa massa que tenha, pode não ter aproveitamento industrial. Ora, o que os agrários estavam a fazer era abandonar os terrenos.
Falou também o Sr. Deputado que em 1977 também houve menos cortiça. Sr. Deputado, foi ou não verdade que na altura os próprios agrários fizeram um grande boicote para mostrar à saciedade que as cooperativas não produziam? Isto é uma verdade que os senhores não são capazes de encobrir.
Além disto, nunca as UCPs, mesmo quando tinham 1100000 ha de terra, tiveram mais que 30% dos montados de sobro. Em face disto, como é que os Srs. Deputados vêm aqui dizer que, se houve menos cortiça, tal facto é da responsabilidade das unidades cooperativas de produção?
E mais: os senhores têm dito aqui que as cooperativas levavam dinheiro, e portanto era preciso dar a percentagem ao Estado. Então em 1977, 1976 e 1975 as cooperativas tinham negócios eseuros, tinham cortiça a mais; agora as mesmas pessoas vêm aqui dizer que as cooperativas não tiram cortiça. Então em que é que ficamos? Para a AD, conforme os ventos, assim as vontades?!
O que é certo é que as cooperativas tiram a cortiça e o Estado leva o dinheiro. É isso que os senhores querem, mas também não é por muito tempo, Srs. Deputados.

Aplausos do PCP, da UEDS e do MDP/CDE.

O Sr. Presidente: - Para um protesto tem a palavra o Sr. Deputado Duarte Chagas.
Gostaria que o Sr. Deputado entretanto informasse a Mesa de que partido é o tempo que vai usar. O CDS também já não dispõe de tempo.

O Sr. Duarte Chagas (PSD): - É do PPM, Sr. Presidente.

Risos gerais.

O Sr. Presidente: - Nesse caso, faça favor.

O Sr. Duarte Chagas (PSD): - Sr. Presidente, Srs. Deputados: Quando os ilustres pares estiverem calmos eu começo.

O Sr. Presidente: - Sr. Deputado, é a Mesa, e não o Sr. Deputado, quem comanda os trabalhos. Srs. Deputados, agradecia que prestassem atenção.

O Orador: - Muito obrigado, Sr. Presidente.
O Sr. Deputado Custódio Gingão continua a proferir palavras que ficam a pairar nesta Sala. Faz aqui ecoar e tocar sempre a mesma cassette.
Sr. Deputado Custódio Gingão, quem seria que, sendo detentor de um montado de sobro com cortiça por tirar o não faria, sabendo que tal lhe ia dar lucro? Isto cabe na cabeça de alguém, Sr. Deputado.
O senhor vem aqui confundir entidades privadas, colectivas e cooperativas. Fala também em desmatagem. Evidentemente que qualquer indivíduo que viva na cidade - e muito mais o que vive em zonas rurais - sabe que se a terra for trabalhada, desmaiada, a cortiça terá forçosamente que ser melhor. Mas também lhe digo Sr. Deputado, que onde a cortiça é melhor, sem dúvida alguma, é onde existe mato. Isto talvez o senhor não soubesse. O seu colega de bancada Rogério de Brito está a levantar o braço em sinal de protesto, mas devo dizer-lhe que no meu concelho, freguesia de São Barbané, contígua ao concelho de Loulé, de onde é um ilustre deputado da bancada socialista, de quem me não recordo do no-