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7 DE DEZEMBRO DE 1984 893

um colóquio para falarmos. Aliás, já temos estado juntos em colóquios e já temos falado.
De qualquer modo, há uma coisa que agora lhe posso dizer: há meia dúzia de cabeças bem pensantes que como que por milagre, «tiram da cartola» - como faz o CDS - as soluções políticas milagrosas com que vêm resolver os problemas do País.
De modo nenhum poderemos estar aqui, sistematicamente, a inventar frases bombásticas - também como faz o CDS e alguns dirigentes e militantes do seu partido - pensando que, por um passe de mágica, tudo se resolve. Não é assim que se ultrapassam os problemas.
De facto. Sr. Deputado, rejeitei algumas soluções mas, neste instante, considero que metermo-nos em campanhas eleitorais e situações desse género poderá contribuir para agravar ainda mais a situação em que vivemos.
Ao fim e ao cabo, a minha solução repousa na necessidade e na exigência da coerência de cada força política, e isso, para mim é uma condição prévia: ou cada força política sabe renovar-se, sabe apresentar-se ao eleitorado e ao povo o português tal como é, - e então, posteriormente, é possível discutir e encontrar pontos comuns entre as forças políticas que assim o entenderem - ou isto não é possível e, então, caminhamos para um buraco que nos há-de afundar a todos.
Até agora a situação tem sido a desta segunda alternativa. Não temos sabido renovarmo-nos, não temos sabido encontrar as respostas globais ao nível de um projecto político que dê força, dimensão, transparência e clareza às propostas concretas
Advogar apenas propostas concretas - como parece que aconteceu na cimeira governamental onde o PS apresentou 24 propostas e o PSD respondeu com 57 e mais 12 - não soluciona o problema. Aliás, o Sr. Deputado certamente que estará de acordo comigo se eu disser que nenhuma destas 90 e tais propostas tem em si a clareza, a transparência e a dimensão que lhe dê a força mobilizadora para participar num projecto político claramente perceptível por todos os portugueses.
Assim, a minha condição prévia é a seguinte: vamos clarificar e aprofundar os projectos políticos de cada um e, em seguida, definir as soluções concretas para os problemas. Entretanto, não criemos uma situação que possa ser propícia - e o Sr. Deputado entende de certeza absoluta o que quero dizer - a aventurismos ou a golpismos de vários matizes e conotações.

O Sr. Presidente: - Para um protesto, tem a palavra o Sr. Deputado Silva Marques.

0 Sr. Silva Marques (PSD): - Sr. Deputado César Oliveira, até porque nos conhecemos há bastante tempo, V. Ex.ª não há-de estranhar que eu proteste.
Sr. Deputado, não é necessário apresentar propostas concretas, é mesmo inútil fazê-lo! Onde é que se vai estabelecer o acordo sobre as propostas concretas? A uma mesa de técnicos, longe das turbulências?
Sr. Deputado César Oliveira, basta, realmente, passar-mos a ser coerentes? Será que antes, cada um de nós, não era coerente à sua maneira? Repare, Sr. Deputado, se fosse apenas esse o problema, o programa de cada um de nós era a coerência!
Quando o Sr. Deputado diz que é preciso passarmos a ser coerentes para que o povo português nos compreenda melhor, está a partir do princípio de que o povo português não nos está a compreender bem. Porém, estou convencido precisamente de que o povo português nos compreende a todos perfeitamente, nós é que julgamos que o povo não está a compreender tudo o que se passa.
Diz o Sr. Deputado que não convirá haver agora eleições, porque isso será uma turbulência. Então, se não são necessárias novas eleições, cada um deve concretizar as propostas que tem para as soluções da situação política portuguesa. Ora, o Sr. Deputado faz um apelo genérico à coerência, ao esforço colectivo, mas, meu Deus, isso não tem utilidade prática! O que convém é, precisamente, dizermos quais são as nossas propostas concretas e ver se é possível fazer um esforço para as concretizar sem turbulência.
Julgo, que, nessa altura, teria de haver unanimidade e que, aí, a turbulência até teria o seu efeito benéfico. O que não será benéfico é o discurso genérico sem a concretização das propostas

O Sr. Presidente: - Para um contra protesto, tem a palavra o Sr. Deputado César Oliveira.

O Sr. César Oliveira (UEDS): - Sr. Deputado, Silva Marques, falei uma vez em turbulência, e V. Ex.ª só fala em turbulências! É o contágio, certamente, é o contágio! Aliás, o Sr. Deputado, está hoje muito meteorológico!
Sr. Deputado, ponho-lhe a seguinte questão: vamos discutir aqui, na Assembleia da República, o que devemos produzir quer a nível industrial, quer a nível agrícola?
Alguma vez viu o seu partido, o CDS ou os conservadores portugueses interessados em discutir aqui o que é que se deve produzir em Portugal?

O Sr. Gomes de Pinho (CDS): - Nem verá!

O Orador: - Não, V. Ex.ª o que viu sempre discutir foi se se devia produzir com a banca privada ou com a banca pública, se havia de ser com a revisão constitucional ou sem ela! Foi isto que V. Ex.ª sempre viu discutir aqui! Nunca viu discutir nesta Câmara que produção agrícola e industrial devemos ter, pois isso nunca foi discutido!
VV. Ex.ªs não querem discutir, o que querem são álibis para provocar, sucessivamente, situações mais à direita, que não se sabem onde terminante
0 meu alerta foi neste sentido, Sr. Deputado, e é apenas um: vamos ser verdadeiros! Aliás, o seu partido teve um grande exemplo de um homem que falava verdade, dizia o que pensava e não fazia o discurso simulado - já várias vezes o disse aqui no Plenário e assumo-o -, o Dr. Francisco de Sá Carneiro, e o seu êxito explica-se por isso, por ter tido a coragem de dizer o que pensava e o que queria.
Mas não é isso o que se passa hoje, pois VV. Ex.ªs fazem um discurso atabalhoado - como já disse -, sem um fio condutor que Ilumine esse vosso projecto político!

A Sr.ª Amélia de Azevedo (PSD): - Deixe lá, o povo gosta!