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10 | I Série - Número: 019 | 28 de Novembro de 2008

é nula.
O Banco de Portugal, o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), o Conselho Económico e Social e a Comissão Europeia dizem que a realidade é uma; o Governo diz que a realidade é outra. E isto não serve para «entreter», Sr. Ministro, porque é com base no cenário que, depois, se pode avaliar se as medidas são correctas ou não para responder à realidade do País.
Sr. Presidente, Sr. Ministro, se durante este debate não for revisto este cenário e se não for entregue na Mesa uma revisão do Orçamento do Estado, o que concluímos é que este Governo se comporta como a Inquisição durante uma época que não queremos recordar. É porque perante aquilo que dizia Galileu dizia a Inquisição: «a Terra não se move. O que se move é o Sol». É aquilo que hoje os senhores aqui repetem: «todos estão errados, só nós é que estamos certos».

O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Muito bem!

O Sr. Duarte Pacheco (PSD): — Infelizmente, é com este Governo que temos de viver.

Aplausos do PSD.

O Sr. Presidente: — Para interpelar a Mesa, tem a palavra o Sr. Deputado Diogo Feio, que com a compreensão de todos»

O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Sr. Presidente, antes de mais, queria pedir à Mesa que me permitisse falar sentado»

O Sr. Presidente: — Era exactamente isso o que eu ia dizer, Sr. Deputado, isto é, que iria usar da palavra sentado porque, como se vê, está doente.
Faça favor, Sr. Deputado.

O Sr. Diogo Feio (CDS-PP): — Muito obrigado, Sr. Presidente.
Cumprimento toda a Câmara, mas esta é a única forma que tenho para falar de uma maneira equilibrada.
Como não queria que o assunto do dia fosse o meu tombo, mas antes o tombo orçamental, solicitei esta autorização à Câmara.
Sr. Presidente, fazendo uma interpelação precisamente nos mesmos termos dos oradores precedentes, e cumprimentando o Governo, quero salientar que o Sr. Ministro de Estado e das Finanças veio dizer-nos que estamos a falar de hipóteses, que hipóteses há muitas, que é muito difícil prever nestas ocasiões. Tudo isto é verdade, Sr. Ministro! O único problema é que todas estas hipóteses de que fala estilhaçam a sua, a sua deixa de ser uma hipótese, é uma não-hipótese, uma ficção total e absoluta.
Senão vejamos, Sr. Ministro: a sua previsão para o crescimento económico é superior às previsões feitas por todas as organizações internacionais; a sua previsão de desemprego está abaixo de todas as que são feitas pelas organizações internacionais. E o problema não é o quadro das previsões, o problema são as consequências orçamentais que este quadro traz.
Sr. Ministro, ainda não conseguiu explicar-nos como é que vai conseguir cumprir o quadro que está na página 144 do seu relatório do Orçamento do Estado, que se refere às cobranças fiscais. Veja-se: perante este cenário, com uma quebra de um ponto percentual na taxa do IVA, o Sr. Ministro propõe e prevê que se cobre, no próximo ano, em relação ao ano anterior, mais 5,8%; no imposto sobre veículos, mais 16,9%, e no imposto do selo mais 7,8%. Tudo isto, Sr. Ministro, é completamente impossível! O que dizer também das previsões do subsídio de desemprego? É porque se o desemprego aumentar é natural que ele aumente bastante acima daquilo que está previsto»! Sr. Ministro, este é um Orçamento que já está rectificado ainda antes de o senhor apresentar aqui o Orçamento rectificativo.

O Sr. Pedro Mota Soares (CDS-PP): — Muito bem!