24 | I Série - Número: 076 | 7 de Maio de 2009
O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Foi o Sr. Deputado que disse que era «um ataque descabelado«»!
O Sr. Jorge Seguro Sanches (PS): — Quanto ao défice de 2005, como o Sr. Deputado bem sabe, se não tivesse havido uma intervenção por parte do actual Governo em relação ao Orçamento do Estado que os senhores construíram,»
O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Ficção!
O Sr. Jorge Seguro Sanches (PS): — » chegaríamos a esses valores. Da mesma forma que os senhores o fizeram em 2002. Estamos a falar exactamente das mesmas entidades, estamos a falar do mesmo.
O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Não, não! Em 2005 é ficção!
O Sr. Jorge Seguro Sanches (PS): — O que os senhores pensam é que as regras para VV. Ex.as são diferentes das regras que devem aplicar-se aos outros portugueses, mas não é assim seguramente, e os portugueses sabem-no bem.
O Sr. Deputado falou em desvio da realidade. O desvio da realidade sucede precisamente no PSD, que em 2002 prometeu aos portugueses um choque fiscal para baixar os impostos»
O Sr. Hugo Velosa (PSD): — Não fale de promessas! Sabemos bem quem fez promessas e não cumpriu!
O Sr. Jorge Seguro Sanches (PS): — » e fez exactamente o contrário. Agora perceberam o vosso erro e mandaram retirar os cartazes a dizer «Política de verdade», porque os senhores sabem bem que de verdade a vossa política nada tem, nada!
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Manuel Alegre): — Para pedir esclarecimentos, tem a palavra o Sr. Deputado Hélder Amaral.
O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — Sr. Presidente, Sr. Deputado Jorge Seguro Sanches, eu diria que a sua intervenção pode caracterizar-se não por uma necessidade de farinha Maizena mas, sim, por um uso excessivo de lixívia Neoblanc. O que o Sr. Deputado fez aqui foi uma tentativa de tirar nódoas e de branqueamento da acção do Governo que, não fora o respeito que tenho por V. Ex.ª, levar-me-ia a achar que estava num momento de humor elevado ao exagero.
Gostava de, eventualmente, responder ao repto de V. Ex.ª. Vamos, então, falar um pouco a sério, sem acusar os partidos da oposição de tentativas, abusivas ou não, de usar as dificuldades do País.
A revista The Economist faz uma referência a Portugal, dizendo que o País precisa de leis laborais mais flexíveis, de melhor educação, de mais competição, de um Estado mais pequeno e de menos burocracia — a revista The Economist não ç, seguramente, pertencente a qualquer dos partidos da oposição»! Por isso, Sr. Deputado, gostava de perguntar-lhe se concorda com esta análise.
A mesma revista também reconhece que os problemas do País são de natureza interna, que nada têm a ver com a crise global, o que desmente a sua intervenção.
Sr. Deputado, gostava de dizer-lhe que a previsão no Orçamento rectificativo para o défice era de 3,9%.
Segundo o relatório da União Europeia, a previsão é de 6,5%. Sr. Deputado, também é uma mania da oposição? Também é uma invenção e um aproveitamento da campanha política que se aproxima? Ou são a cegueira, a incompetência e a incapacidade do Governo de prever e de arranjar soluções que fazem com que as exportações cada vez baixem mais, que o desemprego cada vez aumente mais? Aliás, a previsão é para 9,1%.
Sr. Deputado, se calhar, algum rigor, alguma análise séria e alguma política de verdade — para utilizar os termos que V. Ex.ª utilizou — faziam falta ao debate político. Era bom para V. Ex.ª e para o País.