I SÉRIE — NÚMERO 6
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O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Isso não era discussão pública!
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Mas isto também ninguém disse! Os Srs. Deputados não disseram
que, quer do ponto de vista dos empregadores quer do ponto de vista dos trabalhadores em sede de
Concertação Social, estas matérias foram discutidas e — «pequeno pormenor», Srs. Deputados!… — foram
acordadas…
O Sr. Jorge Machado (PCP): — Acordadas com quem?!
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — … excepto com uma associação sindical.
Aliás, Sr.ª Presidente, o próprio debate está a decorrer publicamente…
Sim, vale o que vale! Com certeza, não tem de ser por unanimidade, Sr. Deputado Bernardino Soares!
Quanto a isso não tenho qualquer tipo de dúvidas…
Depois, há aqui um argumento extraordinário que é o seguinte: perante a elencagem, por parte do Sr.
Deputado Luís Montenegro, de um conjunto de precedentes que já ocorreram durante apenas a última
legislatura, já para não falar nas anteriores, a verdade é que ficámos todos a perceber que para as bancadas
recorrentes, para as bancadas do BE e do PCP, quando se trata de uma matéria fundamental para o País —
esta que estamos a discutir — a decisão da Sr.ª Presidente viola a lei, mas quando o precedente serve para
apresentar propostas do BE ou do PCP, nesse caso, já não viola a lei, está tudo tranquilo, está tudo ouvido,
está tudo cumprido, está tudo muitíssimo bem.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
Por isso, Sr.ª Presidente, estes argumentos para nós não procedem. Quer as entidades patronais quer as
entidades sindicais terão direito a audição, a participação e até, se me permite a criatividade jurídica, ao direito
de influência nas votações, mesmo na primeira das votações, que é a votação na generalidade, porquanto a
decisão de V. Ex.ª, por sugestão da coligação que apoia o Governo, permite o debate na generalidade destas
matérias sem votação.
Portanto, nem naquela que é a avaliação geral do diploma jamais, algum dos grupos parlamentares aqui
presente poderá dizer que o seu sentido de voto foi feito sem a devida ponderação da audição pública.
Vozes do CDS-PP: — Muito bem!
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Desde logo, também os vossos argumentos são injustos por aquilo
que também já foi dito. Trata-se de matéria que é urgente, que tem a ver com o compromisso internacional e
com o cumprimento pleno desse mesmo compromisso. Nesse sentido, também me parece que este
argumentário não merece, da nossa parte, pelo menos, validação.
Por isso, Sr.ª Presidente, em suma, já que os nossos argumentos estão expendidos, quero dizer-lhe que,
do nosso ponto de vista, a decisão que V. Ex.ª tomou e que a Conferência de Líderes — e muito bem! —
sufragou é a que melhor defende a Constituição, a lei…
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — A lei?!…
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — … e a instituição Assembleia da República perante aquele que deve
ser o interesse nacional.
Para terminar, Sr.ª Presidente, é com decisões destas que se reforça a confiança dos cidadãos…
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — É, é…!
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — … nos que os representam.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.