22 DE JULHO DE 2011
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Aplausos de Deputados do PSD.
Está interrompida a sessão.
Eram 15 horas e 58 minutos.
Srs. Deputados, está reaberta a sessão.
Eram 16 horas e 9 minutos.
Srs. Deputados, antes de voltar a dar a palavra ao Sr. Deputado Carlos Peixoto, informo que a Sr.ª
Deputada Isabel Oneto irá apresentar à Mesa uma declaração de voto relativa à matéria que anteriormente
apreciámos.
Sr. Deputado Carlos Peixoto, tem a palavra para recomeçar a sua declaração política, agora com as
condições técnicas repostas.
O Sr. Carlos Peixoto (PSD): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados, agradeço à comunicação social,
porque, com a nota que fez chegar à Mesa e aos serviços, demonstrou que está interessada em ouvir aquilo
que se vai dizer do interior do País e, portanto, espero que estas minhas palavras possam ter o devido eco.
Comecei esta declaração política referindo que este tema pode não ser sumarento, pode não estar na
agenda política e que pode até considerar-se desusado ou provinciano elegê-lo como uma causa nacional. A
verdade é que, para o PSD, soaram as campainhas do alerta: o País adoeceu. 37 anos de democracia criaram
um fosso muito maior entre um Portugal promissor (o do litoral) e um Portugal redutor (o do interior). Os
desequilíbrios agravaram-se.
Só um terço do nosso território perspectiva alguma esperança. Os restantes dois terços estão em estado
quase vegetativo e a precisar de intervenção rápida.
As frondosas paisagens das Beiras, de Trás-os-Montes, do Alentejo e do Minho estão a transformar-se em
cemitérios floridos.
O património edificado e cuidado pelos nossos emigrantes de há anos, de tão pouco uso, está a esboroar-
se como um castelo de cartas.
As indústrias que ainda subsistem, nas pequenas e médias cidades do interior, estão a evaporar-se como
água.
Não há que ter medo das palavras e não há que ser optimista no pessimismo realista que reina no interior
do País.
Todos conhecem a história bíblica do jovem e franzino David que, sozinho, venceu o orgulhoso e gigante
Golias… Bom, não foi bem sozinho, David contou com a prestimosa ajuda de Deus, em quem pôs toda a sua
confiança.
Transpondo essa história para o estado do nosso País, é imperioso que os decisores políticos não se
comportem como David, esperando a ajuda divina em causas que dependem exclusivamente deles.
Aplausos do PSD.
São os governos, designadamente o Governo de hoje, por estar em funções, quem tem de fazer o que os
de ontem esqueceram, assumindo como desígnio nacional a obrigação de travar esta «sangria».
O abismo entre promessas e realidades tem-se agravado nos últimos anos. Entre o abismo e a queda livre
está um pequeníssimo passo. É o recente resultado dos Censos que o demonstra.
Só para dar dois exemplos, o distrito de Castelo Branco perdeu, nos últimos 10 anos, 13 000 habitantes…
Bom, agora já perdeu 13 001, porque, com a saída de mais um recente emigrante para Paris, aumentou o
número de pessoas que saíram de Castelo Branco…
O distrito da Guarda perdeu, nesse mesmo período, quase 20 000 habitantes e foi o que mais população
viu desaparecer a nível nacional — cerca de 12% dos seus residentes.