I SÉRIE — NÚMERO 80
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com o custo do GPL estamos a falar de preços de — e estes dados constam do Portal do Governo para os
melhores preços de combustíveis — da seguinte ordem de grandeza: gasolina 1,539 €, gasóleo 1,369 € e GPL
0,66 €, o que é uma diferença considerável.
Gostaria também de relembrar que, em termos de postos de abastecimento para GPL, há 290 no País. Por
exemplo, para o Mobi. E haveria uma previsão, se fossem instalados todos os postos, de 1350. Estranhe-se,
se compararmos o número de automóveis GPL e o número de automóveis elétricos veremos que as
prioridades estão completamente invertidas, e, portanto, trata-se de uma questão de prioridades dos
governos…
O Sr. Nuno Magalhães (CDS-PP): — Muito bem!
O Sr. Hélder Amaral (CDS-PP): — Portanto, para nós, faz todo o sentido que a aposta deva ser em
veículos GPL, porque quase todos os postos de abastecimento de combustíveis instalados nas nossas
autoestradas e nas nossas cidades têm hoje capacidade para abastecimento com este tipo de combustível.
Portanto, para nós, parece-nos do mais elementar bom senso, pois é uma medida que traz uma imensa
economia de escala e é boa para o ambiente.
Por outro lado, também propomos que o dístico, por muitos considerado discriminatório, não seja utilizado.
Aliás, a nossa proposta seria até a de mudar o dístico e inscrever nele, por exemplo: «Eu já uso, eu já poupo
combustível!». Do que é que está à espera?!… Talvez esse dístico fosse mais incentivador do que o simples
dístico com a inscrição «GPL», que é olhado com desconfiança e de forma discriminatória.
É algo que os governos anteriores podiam ter feito, mas não fizeram e, obviamente, como eu disse,
preferiram outros modelos não tão maduros, não tão estudados como o Mobi.E, o que trouxe claramente um
ganho fiscal, mas, no futuro, esta iniciativa também trará seguramente ganhos fiscais, porque é um modelo
que tem pernas para andar. Aliás, nada temos contra o Mobi.E, mas acho que antes disso e até que esse
modelo possa ser estudado e melhorado há aqui algo que já existe, que é real, que traz poupanças e que, da
nossa parte, o Governo deve agarrar com as duas mãos, até porque essa promessa foi feita em sede de
Orçamento do Estado.
Sei que o PS tem também um projeto de lei sobre esta matéria, embora não tenha sido esse o modelo que
encontrámos, nada temos a opor, e julgo que os diplomas apresentados baixarão à Comissão especializada
sem votação para que nessa sede possamos encontrar um vasto consenso.
É, de facto, assim que devem ser feitas as coisas. Isto é bom para a economia portuguesa, é bom para as
famílias e é bom para o ambiente.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
A Sr.ª Presidente: — Para apresentar o projeto de lei do PS, tem a palavra a Sr.ª Deputada Hortense
Martins.
A Sr.ª Hortense Martins (PS): — Sr.ª Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: Apresentamos hoje um projeto
de lei que visa acabar com os constrangimentos injustificáveis à progressão da utilização do GPL.
Como sabemos só na Hungria e na Bulgária, para além de Portugal, se mantém o enquadramento
legislativo semelhante. Numa altura em que os combustíveis atingem valores recorde, Sr.as
e Srs. Deputados,
temos de agir. Não bastam recomendações ao Governo ou projetos de resolução. Claro que saudamos a
iniciativa do CDS, mas já em março de 2011 esta Câmara por iniciativa do PS, aprovou um projeto de
resolução que recomendava ao Governo a tomada de medidas no sentido de acabar com as medidas
restritivas e que já não fazem sentido — estou a referir-me à obrigatoriedade do uso do dístico e à proibição de
estacionamento dos veículos automóveis em parques subterrâneos.
A obrigação de um dístico identificativo nas carroçarias dos automóveis que usem este tipo de combustível
é entendida como uma desqualificação social.
Quanto à proibição do estacionamento dos veículos em parques subterrâneos sabemos que um estudo da
APETRO com vista a avaliar as condições de segurança diz que está provado que não existe risco na
circulação nem no estacionamento deste tipo de veículos, uma vez que o GPL já dispõe de sistemas