9 DE MARÇO DE 2012
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Gostaria aqui de referir, até porque é uma medida positiva, e estas são largamente esquecidas na nossa
realidade, uma iniciativa da Comunidade Europeia, em parceria com o Governo português e com largas
estruturas da comunidade, como as autarquias, num esforço que nos parece meritório de inegável ação social.
Refiro-me à disponibilização de 2,8 milhões de euros para a distribuição de fruta a nível das escolas, num
apoio claro à escola pública, para crianças entre os 6 e os 10 anos. Esta iniciativa entronca, claramente, nas
matérias que estamos, hoje, aqui a discutir.
Assim sendo, saudamos esta preocupação e estamos, com certeza, disponíveis para participar naquilo que
possa ser melhorado a nível do pormenor e do detalhe.
Aplausos do CDS-PP e do PSD.
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Bernardino
Soares.
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Trata-se de um importante problema,
este, que estas iniciativas abordam, e de um problema com uma incidência cada vez maior nas nossas
sociedades. Até podemos dizer que, em geral, estas iniciativas fazem um bom diagnóstico da situação, uma
boa avaliação das graves consequências que tem para a saúde pública e põem o acento tónico, é disto que se
trata, no impacto deste fenómeno na infância. É um fenómeno com especial incidência em Portugal e, por isso,
naturalmente, deve preocupar-nos.
Valorizamos as iniciativas e a sua intenção — já direi mais alguma coisa em relação a algumas delas —,
mas queremos valorizar em particular as iniciativas do Partido Ecologista «Os Verdes», que, aliás, tem tido, ao
longo dos anos, intervenção sistemática e propostas sobre esta matéria.
É evidente que todos estaremos de acordo com a ideia de que é preciso haver um maior esforço, em
matéria de alertas nos meios de comunicação social, de campanhas de esclarecimento, de uma maior
informação nos próprios alimentos. Tudo isto está muito bem e ninguém contesta, mas tudo isto servirá de
muito pouco se não forem resolvidas questões de fundo que condicionam, de facto, esta matéria do combate à
obesidade infantil. Uma delas é o problema do sedentarismo, já que somos um dos países da União Europeia
com maiores índices de sedentarismo. E isto acontece, porque não há condições e incentivos para a prática
desportiva, para o exercício físico, como devia. Quando falta o apoio ao desporto amador e às coletividades,
quando se vão limitando as possibilidades das escolas e mesmo quando se limitam os orçamentos das
autarquias, naturalmente, estamos a prejudicar a prática de exercício físico e de atividade desportiva.
Algumas iniciativas, designadamente a do PSD, fala no incentivo ao desporto escolar. Mas pergunta-se:
como é que se faz desporto escolar, se o PSD e o CDS despedem os professores e limitam os horários em
que esses professores promoviam e acompanhavam o desporto escolar?! «Não se fazem omeletes sem
ovos»! Não se faz desporto escolar sem professores de Educação Física e sem financiamento!
O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Muito bem!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Falam também da prática do desporto universitário. Mas onde é que
estão as condições de infraestrutura, quando muitos dos estádios universitários estão em franca degradação…
O Sr. Duarte Filipe Marques (PSD): — Qual?!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — … e, em relação ao Estádio Universitário de Lisboa, que está em
melhores condições, há intenções, desde há vários anos, já do governo anterior, de o privatizar?!
O Sr. Duarte Filipe Marques (PSD): — Só na cabeça do PCP!
O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Fala-se também muito do uso de frutas e legumes, sobretudo
produzidos localmente. Bom, mas, para isso, também é preciso ter uma política agrícola e uma política em