I SÉRIE — NÚMERO 82
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Não podemos, pois, menosprezar o papel informativo, educativo e formativo que desempenha a televisão
nos nossos dias, para o bem e para o mal, bem como o enorme poder que têm as mensagens veiculadas
nesse meio de comunicação de massas, designadamente as publicitárias.
Assumindo-se como portadora da inovação, lançando modas e fornecendo modelos de ação e de imagem,
a publicidade determina e influencia as opiniões, as opções e as condutas dos telespectadores, principalmente
dos mais jovens.
As escolhas de alimentos menos saudáveis pelas crianças e jovens são, de facto, fortemente influenciadas,
não só pela escassez de informação objetivamente precisa e corretamente veiculada acerca das
características dos alimentos publicitados, mas, principalmente, pelo marketing sustentado na imagem do
produto, mensagens subliminares e nos brindes, brinquedos, ofertas e promoções que o acompanham, e não
na sua qualidade, valor ou importância dietética real ou pelo preço ao consumidor.
Aliás, o reconhecimento, por um lado, de que os hábitos alimentares errados constituem parte destacada
no deflagrar de doenças como a obesidade na infância e juventude e, por outro, que a publicidade dirigida a
crianças e jovens, visando promover produtos alimentares, leva, muitas vezes, a práticas alimentares erradas,
levaram a que Os Verdes apresentassem em 2006 — Sr. Deputado Cristóvão Simão Ribeiro, o mundo não
começou em 2011 — um projeto de lei visando alterar o Código da Publicidade para colocar algum travão na
publicidade a produtos alimentares dirigida a crianças e jovens. De facto, o mundo não começou em 2011, Sr.
Deputado!
Por maioria de razão, as mesmas razões continuam válidas, no nosso entender, hoje em dia. Aliás, quando
confrontamos o direito à proteção das crianças com o direito à livre publicidade, não temos dúvidas que
devemos privilegiar o primeiro.
Decidir entregar a questão à boa consciência da indústria ou à ética dos mercados não é, na nossa opinião,
o melhor caminho. O caminho terá de passar por regular a publicidade a produtos alimentares dirigida a
crianças e adolescentes e é exatamente esse o propósito da iniciativa legislativa que Os Verdes hoje trazem
para discussão, estabelecendo limites e restrições à publicidade a produtos alimentares dirigidos a crianças e
jovens, dando assim, estamos em crer, um grande passo para combater um grande problema, que é a
obesidade. Assim haja acordo das outras bancadas.
A Sr.ª Heloísa Apolónia (Os Verdes): — Muito bem!
O Sr. Presidente (Guilherme Silva): — Para apresentação do projeto de resolução e do projeto de lei do
PS, tem a palavra o Sr. Deputado Manuel Pizarro.
O Sr. Manuel Pizarro (PS): — Sr. Presidente, Sr.as
e Srs. Deputados: A obesidade e o excesso de peso
entre as crianças e os jovens constituem, de facto, um preocupante problema de saúde pública para o nosso
País.
Estima-se que cerca de uma em cada três crianças tem excesso de peso ou obesidade, por isso parece-
nos muito útil este debate parlamentar. Queremos, pois, saudar o PSD por ter dado o pontapé de saída para
que este debate se possa fazer, ao qual nos associamos com um projeto de resolução sobre a matéria e
também com um projeto de lei que concretiza já um dos aspetos do projeto de resolução, nomeadamente o
que respeita à publicidade de produtos alimentares e de bebidas dirigida a crianças e jovens.
O aumento de peso entre as crianças é multifatorial: resulta da disponibilidade de alimentos hipercalóricos,
de um excesso de consumo de açúcares e de gorduras e resulta também da mudança de hábitos sociais, da
redução do peso da atividade física nas brincadeiras da infância e da juventude.
Este problema precisa de uma resposta concertada, e este Parlamento pode ajudar no plano político à
concertação de um conjunto de ações diversas que podem ajudar a combater o problema da obesidade
infantil, que é a maior ameaça à continuação dos ganhos em saúde que a sociedade portuguesa construiu nas
últimas décadas, em particular a partir da criação do Serviço Nacional de Saúde.
O combate à obesidade entre as crianças e os jovens, como todas as políticas no domínio da saúde, exige
conhecimento, informação, formação e educação. Por isso, no nosso projeto de resolução dedicamos tanta
importância à sua concentração no espaço escolar, que nos parece fundamental não apenas como