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22 DE MARÇO DE 2012

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verdadeira natureza de classe desse pacto de agressão e submissão: a recessão aprofunda-se e o País

perdeu, em dois anos, 5% da sua riqueza; há já mais de 1,2 milhões de portugueses no desemprego, dos

quais 75% não têm qualquer prestação social de apoio a essa situação; os salários baixam a cada ano que

passa e um vasto conjunto de portugueses foi roubado nos subsídios de Natal e de férias; a procura interna

caiu mais de 6%; milhares de famílias entregam a sua casa à banca por não terem condições de assumir o

pagamento das prestações. A recessão agrava-se de tal forma que, mesmo num contexto de aumento da

carga fiscal, a receita do Estado caiu, expondo uma situação de exaustão fiscal.

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Exatamente!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — São pessoas que ficam sem casa, sem emprego, sem abono de família, sem

dinheiro para as propinas, para a alimentação, para os remédios, para os transportes, para a água e para a

luz.

O agravamento da pobreza degrada a condição social daqueles que já eram pobres e alastra como uma

mancha a novas camadas sociais, os novos pobres, que hoje passam por privações até dos bens mais

básicos por responsabilidade direta das políticas do PSD e do CDS. Quem desta situação faça avaliação

positiva assume que estes são os seus objetivos e que nunca teve outros. O Governo quer, de facto,

empobrecer os portugueses e o País.

Aplausos do PCP.

Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Foi ou não foi a política de direita da União Europeia e a política de direita

em Portugal que esteve na origem da destruição da agricultura, das pescas, da indústria transformadora, da

indústria pesada e da indústria extrativa? Foi ou não foi a total liberdade de movimentos para os banqueiros e

outros senhores do dinheiro que gerou os buracos que o Governo corre agora a tapar, como o gigantesco

buraco do BPN, para o qual 8000 milhões de euros do dinheiro dos portugueses não foram ainda suficientes

para que se lhe veja o fundo? E sempre, sempre, pelas mãos do PS, do PSD e do CDS…

Sr.ª Presidente, Srs. Deputados: Os lucros dos grandes grupos económicos, com destaque para os

monopólios da distribuição, para a EDP, para a GALP e para a banca, não conhecem limites e continuam a

crescer, em contradição com a propaganda da crise.

Enquanto não há meios para garantir o acesso e frequência do ensino superior aos estudantes e são aos

milhares os que desistem porque não têm dinheiro, são mais de 30% os jovens que não têm emprego e os

jovens que entram hoje no mundo do trabalho não sabem o que é o direito a ter direitos;

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Muito bem!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Enquanto se encerram centros de saúde, se diminuem horários, faltam

enfermeiros e médicos, se encerram serviços de hospitais e as pessoas não têm 17,5 € para pagar uma taxa

moderadora, ou 50 € se fizerem um exame, e esperam em casa que fiquem melhores porque não têm dinheiro

para ir ao hospital ou para pagar o transporte;

O Sr. Bernardino Soares (PCP): — Exatamente!

O Sr. Miguel Tiago (PCP): — Enquanto se extinguem carreiras, se aumentam os preços dos transportes,

se liquidam empresas de transportes públicos e os trabalhadores veem a sua vida desorganizada, saindo de

casa de noite e chegando a casa à noite, porque nem direito têm a ver o sol, que já não nasce para todos;

Enquanto se pretende extinguir 1500 freguesias, afastar eleitos e eleitores, atacar o poder local

democrático e 35 anos de serviço público dos eleitos locais, aprofundando ainda mais o processo de

desertificação do interior do País;

Enquanto se cortam salários e pensões, se exigem devoluções da ordem de milhares de euros a

pensionistas que tentam sobreviver com 200 €/mês, se congela o valor do indexante de apoios sociais,

deixando os idosos do nosso País à mercê da caridade das pessoas e das instituições de apoio social;