28 DE JUNHO DE 2014
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A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Claro!
A Sr.ª Cecília Honório (BE): — Isto é que é dar seriedade a esta discussão, Sr.ª Deputada! Não venha
deitar areia para cima de uma discussão que é séria, que é sobre a vida de quem trabalhou, é sobre os
rendimentos do trabalho.
Vozes do BE: — É a confiança!
A Sr.ª Cecília Honório (BE): — Na verdade, a questão de fundo é o ataque aos rendimentos das pessoas
que trabalharam toda a vida e é a quebra de uma relação de confiança entre o Estado e os cidadãos.
Não é possível fazermos este debate com a leviandade com que ele é feito, recusando ver aquilo que o
Governo está, de facto, a fazer, que é a punir os reformados e os pensionistas com a sua política de
austeridade. Está a puni-los pelo desemprego que cria, pela emigração que cria, pela falta de oportunidades
económicas e sociais que cria, pelas desigualdades que escava.
O Governo olha para estas pessoas e diz: «Vocês são os culpados e vou castigar-vos!». É este o
fundamento ideológico desta medida! Porque, na verdade, Srs. Deputados, os mercados ficam muito
animados! Está presente a Ministra das Finanças e não o Ministro da pasta correspondente, porque os
mercados gostam disto, ficam animados!
É para ir aos rendimentos? É para atacar os rendimentos das pessoas mais velhas? Embora lá! Os
mercados ficam animados e é por isso que a Sr.ª Ministra das Finanças está aqui a defender esta medida, que
é uma medida permanente.
Não recebemos, até agora, qualquer esclarecimento relativamente à quebra de confiança entre Estado e
cidadãos. A Sr.ª Ministra ainda não nos explicou por que é que preserva os fundos privados. Ainda não nos
explicou por que é que as pensões milionárias, por que é que as reformas dos banqueiros, por que é que as
reformas dos altos gestores são preservadas a este corte. Porque, se queremos falar de contrato de confiança
entre Estado e cidadãos, há aqui uma relação de confiança, pelo menos, com as pensões milionárias, nas
quais VV. Ex.as
não vão tocar.
Por outro lado, Sr.ª Ministra, voltamos à mesma questão, ao argumentário do Tratado orçamental.
Percebemos que todo aquele rendilhado se destina ao Tribunal Constitucional, mas, na verdade, não pode
mandar isso para cima dos pensionistas e dos reformados. É o défice dos 3%…! É a dívida dos 60%…! Vêm
aí as sanções…! Não pode ameaçar as pessoas que fizeram os seus descontos e que trabalharam a vida
inteira, simplesmente porque não foram elas que escolheram! Os senhores escolheram aplicar cegamente o
Tratado orçamental e as políticas de austeridade, mas estas pessoas não fizeram essa escolha, pelo que não
podem ser responsabilizadas por ela.
Não podem, Sr.ª Ministra! Elas não comem Tratado orçamental! Não pagam medicamentos com Tratado
orçamental, Sr.ª Ministra! Exigem muito mais respeito, mas mesmo muito mais respeito!
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (António Filipe): — Tem a palavra o Sr. Deputado Jorge Machado para uma intervenção.
O Sr. Jorge Machado (PCP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados, Srs. Membros do Governo: Ouvindo a
intervenção do PSD e, nomeadamente, do CDS até parece que os reformados têm de agradecer o saque às
reformas que estão a praticar.
O Sr. José Magalhães (PS): — Exatamente!
O Sr. Jorge Machado (PCP): — Na verdade, o que tinham de fazer era devolvê-los na íntegra.
Tornam os cortes provisórios em definitivos e os reformados ainda têm de agradecer ao CDS e ao PSD
esse facto!
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!