26 DE SETEMBRO DE 2014
37
O segundo problema é que é pouco, é muito pouco. E bem se pode esforçar o Sr. Ministro Pedro Mota
Soares, fazendo até a propaganda dos elementos, ou melhor, dos mantimentos — porque é disto que se trata!
— para que chegam os 20 € que agora veio propor, porque não chega! Quem ganha 485 € desde 2010 sabe
bem que é manifestamente insuficiente.
O Bloco de Esquerda marcou este agendamento exatamente pela urgência que tem o aumento do salário
mínimo nacional. E não o fizemos só agora, temo-lo feito sucessivamente desde 2011: fizemo-lo nesta
legislatura, em todas as sessões legislativas, porque queríamos fazer — e fizemos — pressão política, como
houve pressão social para que houvesse um mísero aumento do salário mínimo nacional.
O acordo de 2006 já tem bastantes anos e já deveria ter sido cumprido. Não chega o atual Governo dizer,
enfaticamente, que não é da sua responsabilidade o congelamento do salário mínimo porque ele ocorreu em
2011. Mas já passou 2011, 2012, 2013, 2014 e, se o atual Governo queria rasgar o que anterior Governo tinha
feito, e descongelar o salário mínimo nacional, já teria tido tempo suficiente para o fazer.
E propomos o que é justo. O acordo de 2006 previa uma atualização de 15 € anualmente para o salário
mínimo nacional, o que significa que, em 2011, deveria ser de 500 €, de 515 € em 2012, de 530€ em 2013 e
de 545 € em 2014. Só assim se respeitava o acordo de 2006. Por isso mesmo, o Bloco de esquerda reitera a
sua posição de que o que é justo é o aumento do salário mínimo nacional para 545 €.
O Governo fez ainda um outro malabarismo: reduziu a taxa social única, aquela taxa — veja-se só — que
queria aumentar para toda a gente no País e que o Tribunal Constitucional bem chumbou, e agora vem dar
uma benesse às empresas para terem desafogo para o aumento do salário mínimo nacional.
É pouco, Sr.as
e Srs. Deputados, e vem com atraso. Por isso mesmo, esta nossa discussão e esta nossa
proposta têm toda a urgência.
Aplausos do BE.
O Sr. Presidente (Ferro Rodrigues): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Artur Rêgo.
O Sr. Artur Rêgo (CDS-PP): — Sr. Presidente, Srs. Deputados: Mais uma vez agradeço ao Bloco de
Esquerda e à Deputada Mariana Aiveca terem trazido este assunto a Plenário, que, como a Sr.ª Deputada
disse, e é verdade, trouxeram sucessivamente em 2012, em 2013, em 2014 e agora.
Mas gostaria de repetir à Sr.ª Deputada Mariana Aiveca aquilo que foi explicado aqui até à exaustão: em
2011, quer a Sr.ª Deputada queira quer não, o salário mínimo nacional foi congelado pelo Governo do Partido
Socialista, ao arrepio do que tinha sido acordado na concertação social. Mais grave do que isso, quando o
Governo do Partido Socialista, seguidamente, negociou o Memorando de Entendimento, ou seja, o contrato
com as condições impostas pela troica para fazer o programa financeiro de ajuda a Portugal, insere uma
cláusula que diz claramente que o salário mínimo nacional não pode aumentar, não pode ser alterado
enquanto durasse o período de ajuda, a não ser que circunstâncias excecionais da economia portuguesa o
permitissem, o que não foi o caso, como todos sabem.
Portanto, foi uma dupla maldade feita aos trabalhadores, muito antes de este Governo tomar posse.
Este Governo e esta maioria disseram, desde o princípio, que nada tinham contra o aumento do salário
mínimo, pelo contrário. Desde o princípio, temos noção de que o salário mínimo está congelado. Desde o
princípio, temos noção de que o salário mínimo que se pratica em Portugal é evidentemente baixo, o que tem
a ver com a realidade económica do País. E sempre dissemos que, acabado o Memorando de Entendimento,
podendo as circunstâncias do País fazer com que isso fosse uma realidade, e sendo acordado pelos parceiros
sociais em concertação social, esta maioria e este Governo imediatamente dariam todo o apoio e colaboração
àquilo que os parceiros sociais decidissem. Ora, decidiram agora aumentar o salário mínimo, não para 500 €
— que era o que constava do acordo que foi congelado pelo Partido Socialista —, mas para 505 €!
É muito? É pouco? Sr.ª Deputada, é cerca de 5% do valor que recebe quem aufere o salário mínimo, o que
é bastante. Pode fazer uma diferença muito importante no dia a dia da família de quem recebe esse montante.
E, acima de tudo, Srs. Deputados, esta é a prova cabal da viragem que este Governo conseguiu fazer no País.
Conseguiu concluir o Memorando de Entendimento, contra tudo o que foi dito, sem necessidade de pedir um
segundo resgate; conseguiu fazer a retoma da economia, em todos os seus fatores; conseguiu que as
empresas tivessem outro folgo económico; e conseguiu, finalmente, que os parceiros sociais — a quem dou os