I SÉRIE — NÚMERO 16
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Protestos do PS.
O BE é contra a privatização total ou parcial da TAP, como, de resto, é contra as privatizações, por
definição.
Para o PSD, esta não é uma questão ideológica, nunca foi,…
A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — Ah, pois não!
O Sr. Paulo Cavaleiro (PSD): — … é uma necessidade de defender a criação de valor da empresa e isso
é que vai fazer a diferença,…
A Sr.ª Mariana Mortágua (BE): — É como a PT!
O Sr. Paulo Cavaleiro (PSD): — … não é a propriedade, Sr.ª Deputada.
O BE parece ignorar que o regime altamente concorrencial e sem paralelo que se vive neste setor, com o
surgimento das low cost e com o seu crescimento, fez com que as companhias tradicionais tivessem vários
problemas. Basta ver a quantidade de companhias de bandeira e com prestígio que desapareceram ou foram
absorvidas por outras de maior dimensão, como a Varig, a Ibéria ou a Sabena, como aqui já foi dito.
Importa referir que, apesar da melhoria dos resultados operacionais da TAP, que tem vindo a verificar-se
ao longo dos últimos anos, a empresa continua a dispor de elevado nível de endividamento, o qual mostra ser
superior à média registada pelo setor.
Está mais do que provado que o plano de investimento e de reforço da operação de capitalização da
empresa não pode ser feito através do setor público. E, para agravar esta situação, como sabemos, a União
Europeia proíbe as ajudas financeiras às transportadoras.
Uma eventual privatização da TAP assegurará não apenas um desenvolvimento estratégico do projeto,
mas também uma transferência da dívida para a empresa que vai adquirir a TAP, o que revela ser
fundamental para a sustentabilidade da empresa a longo prazo.
Acresce que uma eventual privatização através do encaixe financeiro ainda pode permitir uma diminuição
da dívida pública e uma promoção da consolidação orçamental.
Protestos do PCP.
Mas nós sabemos que a TAP é uma empresa muito importante para Portugal, que tem uma forte ligação ao
nosso País e que, apesar dos compromissos assumidos no PAEF (Programa de Assistência Económica e
Financeira) não deixará de se respeitar a importância estratégica da empresa e o desenvolvimento do hub
nacional.
Assim, qualquer eventual operação que venha incidir sobre a empresa tem de salvaguardar a manutenção
da respetiva sede em Portugal e assegurar as condições necessárias que permitirão à TAP manter-se como
uma estrutura empresarial competitiva, à escala global e com um projeto de crescimento a longo prazo.
O Memorando de Entendimento com a troica previu a privatização da ANA e da TAP, que o anterior
Governo socialista assinou e a atual maioria subscreveu.
O que gostávamos de ver era que o Partido Socialista, que tem um novo líder, também fosse como na
Câmara de Lisboa: um cumpridor de contratos e um cumpridor de acordos, porque na Câmara de Lisboa,
quando faz um acordo com o PSD, normalmente o acordo é cumprido. O que é preciso é que o Partido
Socialista venha com outro espírito, porque não podemos ter um Costa no Castelo e um Costa no Rato!
Risos do PSD.
Portanto, do que precisamos é de uma nova atitude, do que precisamos é de uma forma diferente de estar
e de cumprir os compromissos que vamos assumindo.
A razão fundamental é encontrarmos uma boa solução, uma solução que permita à TAP ser empresa forte,
como já é hoje, mas que consiga a capacidade necessária para crescer.