I SÉRIE — NÚMERO 37
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Registamos também que, só ontem, foram anunciadas mais cinco iniciativas do Bloco de Esquerda todas
elas com um facto em comum: o de serem a 13.ª alteração ao Código do Trabalho — no que diz respeito ao
banco de horas, ao trabalho suplementar, ao despedimento por extinção do posto de trabalho e por inadaptação,
aos contratos a termo, a despedimentos… No fundo, procuram uma revisão do Código do Trabalho em
prestações, para o que apresentam todas estas propostas sem as discutirem com os parceiros sociais e sem
procurarem alcançar qualquer tipo de acordo na concertação social.
O Partido Socialista falou há pouco desta proposta em concreto, mas para nós era importante percebermos,
afinal, o que pensa o Partido Socialista desta revisão do Código do Trabalho em prestações que os seus
parceiros à esquerda defendem. Aliás, recordo que o Sr. Primeiro-Ministro, António Costa, no ano passado,
disse que era boa altura para estabilizar a legislação laboral. Afinal, em que ficamos? Já em relação ao aumento
do salário mínimo em 2018 não conseguiram alcançar o acordo na concertação social porque o Governo não
assumiu esse compromisso.
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Alguém lhe explicou o que estávamos a discutir?
O Sr. António Carlos Monteiro (CDS-PP): — Afinal, comprometem-se ou não a manter a estabilidade da
legislação laboral? Ou estão disponíveis para pagar o preço, em prestações, de essa revisão ser feita aqui, na
Assembleia, por impulso dos vossos parceiros de esquerda? É que, na realidade, quem vai pagar esse preço,
depois, será o País, será a economia, serão as empresas e serão os trabalhadores.
É bom que se clarifique a posição do Partido Socialista em relação à legislação laboral para o ano de 2018.
Aplausos do CDS-PP.
O Sr. Presidente (José Manuel Pureza): — Tem a palavra a Sr.ª Deputada Rita Rato, do PCP, para uma
intervenção.
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Srs. Presidente, Srs. Deputados: De facto, podem o PSD e o CDS querer ignorar
a realidade, mas, na verdade, a realidade vivida nos locais de trabalho não é marcada pela amizade nem tão-
pouco pelo bom senso.
A Sr.ª Clara Marques Mendes (PSD): — Ninguém falou de amizade!
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — A realidade vivida nos locais de trabalho tem sido crescentemente marcada por
pressões, chantagens, intimidações e imposições.
Protestos do Deputado do CDS-PP António Carlos Monteiro.
Que os Srs. Deputados do CDS-PP não queiram conhecer isto também não me admira, porque os Srs.
Deputados estão do lado daqueles que acham que isto deve ser a realidade dos locais de trabalho.
Pois nós entendemos exatamente o contrário. A realidade nos locais de trabalho tem de garantir, em primeiro
lugar, o cumprimento da lei e de direitos fundamentais. Infelizmente, hoje, não é isso que acontece.
Srs. Deputados, pergunto: acordo entre patrões e trabalhadores nos locais de trabalho?! Mas podemos falar
em partes iguais num local de trabalho?!
A Sr.ª Clara Marques Mendes (PSD): — Mas alguém falou em partes iguais?
A Sr.ª Rita Rato (PCP): — Mas o direito do trabalho fala em partes iguais ou fala, de facto, em proteger a
parte mais fraca numa relação de trabalho, que é a dos trabalhadores?!
Para nós, não há dúvida de que é preciso melhorar em muito, desde logo na defesa da contratação coletiva
e na reposição do princípio do tratamento mais favorável.