I SÉRIE — NÚMERO 55
34
aeronaves em condições de segurança e que esses instrumentos de avaliação possam também contribuir para
uma maior eficiência de operações aéreas para o aeroporto da Madeira.
Sabemos que, entretanto, já depois de estes projetos de resolução terem dado entrada, a ANAC (Autoridade
Nacional da Aviação Civil), em conjunto com outras entidades e em coordenação com o grupo de trabalho que
foi criado para o efeito, tem um processo em andamento para a implementação desses mecanismos de
avaliação, mas sabemos também que a sua instalação e entrada em funcionamento vai demorar o seu tempo.
Por isso, aquilo que continuamos a colocar em cima da mesa é que esse processo se desenrole o mais
célere possível, por forma a encerrar este capítulo na questão de operacionalidade do aeroporto da Madeira.
Mas sabemos que a introdução destes novos sistemas de avaliação são tão-somente isso, instrumentos de
avaliação das condições meteorológicas. A verdade é que nada nos garante que, com esses mecanismos, o
número de operações venha a aumentar, em condições desfavoráveis como aquelas que aconteceram no ano
passado, por exemplo.
Por isso, ainda que a implementação de novos mecanismos venha a melhorar a operacionalidade do
aeroporto, talvez fosse prudente começar a pensar num plano que inclua, também, o Aeroporto do Porto Santo
e uma ligação marítima entre as ilhas mais eficiente, numa estratégia de complementaridade em casos de
contingência, como aqueles que surgiram várias vezes no ano passado. É que apesar de, daqui a um ano ou
dois, podermos contar com um novo sistema de avaliação da operação da Madeira, a verdade é que situações
de inoperacionalidade do aeroporto poderão continuar a acontecer e a conectividade com a Madeira tem de
continuar a existir com segurança, mas também com eficiência e competitividade.
Terminando, deixava aqui um desafio, tanto ao Governo da República como ao Governo Regional da
Madeira, como à ANA (Aeroportos de Portugal) e a outras entidades competentes e interessadas, para que
encontrem mais soluções para além desta, da introdução de novos mecanismos de avaliação, que possam
ajudar a operação aérea da Madeira.
Aplausos do PS.
O Sr. Presidente (Jorge Lacão): — Para uma intervenção, tem a palavra o Sr. Deputado Paulo Neves, do
PSD.
O Sr. Paulo Neves (PSD): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados: Esta matéria da operacionalidade do
aeroporto da Madeira já foi inúmeras vezes colocada, tanto pela Região Autónoma da Madeira como por nós
próprios, Partido Social Democrata, aqui, na Assembleia da República, junto das instâncias competentes.
Mesmo assim consideramos, naturalmente, que é uma questão oportuna e que serve, acima de tudo, para
pressionar o Governo da República e algumas instituições a fazerem o seu trabalho e a assumirem, de uma vez
por todas, as suas responsabilidades.
O Aeroporto Internacional da Madeira carece de estudos atualizados sobre os ventos, até porque não faz
qualquer sentido estarmos amarrados a resultados com 55 anos quando tanto a infraestrutura do aeroporto
como os próprios aviões e também os meios associados à sua operacionalidade são, naturalmente, hoje em
dia, totalmente distintos do que eram há 55 anos. É fundamental que se atualizem e se revejam os limites dos
ventos com base na evolução entretanto verificada.
Sr. Presidente, é por isso que criticamos o atraso da República em mais este dossier. Enfatizamos que esta
questão do aeroporto da Madeira está associada à mobilidade, mas também à economia. Não é aceitável que
o Estado português continue a ignorar a solução para este problema, ainda mais amplificado quando estamos
a falar de uma região insular que, além de estar a ser prejudicada na sua mobilidade interna, nacional, tem sido
também penalizada à conta destes atrasos e cancelamentos aéreos naquela que é a sua principal atividade
económica, e estamos a falar do turismo.
É, por isso, urgente — diria mesmo muito urgente — que se façam todos os estudos, que se implementem
todos os processos de melhoria, sendo da inteira responsabilidade do Governo da República liderar e pagar
todo este processo, que já vem atrasado e cujos estudos nós exigimos a instituições credibilizadas, e, aliás, o
PSD já o pede há muito tempo.
Por isso, Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, para terminar, esta recomendação que o Partido Social
Democrata faz para um estudo operacional do aeroporto da Madeira é caracterizada pelo seguinte: primeiro, é