30 DE MAIO DE 2019
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voltaremos a falar — até à Linha do Algarve ou do Alentejo, passando pela Linha de Cascais, ou pela expansão
do Metro Sul do Tejo.
Mas, desde já, no plano imediato, o Governo tem de acabar com os bloqueios à contratação dos
trabalhadores em falta nos transportes públicos. Cerca de 20% a 30% da frota da CP (Comboios de Portugal)
está inoperacional por falta de manutenção.
O próprio Governo já admitiu faltarem mais de 100 trabalhadores na EMEF (Empresa de Manutenção de
Equipamento Ferroviário), mas não os contrata. E o resultado está à vista, com as supressões diárias e os
comboios que não chegam!
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!
O Sr. BrunoDias (PCP): — Que o digam os utentes da CP na Linha de Sintra, mas também os utentes da
Soflusa, com os barcos que são suprimidos.
Faltam trabalhadores em todas as áreas — seja na ferrovia, seja, aliás, nas várias empresas. Isto mesmo foi
confirmado, nesta Assembleia, pela administração da Transtejo e Soflusa.
O Ministro do Ambiente, hoje, na comissão parlamentar, afirmou que, e cito, «as contratações que estão a
ser feitas correspondem às necessidades que se colocam nas empresas».
Antes disso, tinha dito que há quatro novos mestres na Soflusa e há quatro mestres em baixa prolongada.
Entretanto, nada respondeu quanto à falta de pessoal em todos os setores, ou à precariedade dos trabalhadores
nos pontões, ou ao atraso das obras nos terminais.
Em 2009, o metropolitano de Lisboa tinha 52 estações e cerca de 40 km de rede, e tinha 1641 trabalhadores.
Em dezembro passado, com mais 4 estações e mais cerca de 5 km de rede, o metropolitano tinha menos 233
trabalhadores. E o Ministro diz que só contrataram três pessoas para a manutenção, porque não encontraram
mais técnicos em condições!
Estamos claramente perante uma questão de vontade política e de opções políticas.
Por estes dias, a IP — Infraestruturas de Portugal está a encerrar os postos de manutenção de via em
Alfarelos, Nine, Régua e Esmoriz. Os trabalhadores da IP que até agora asseguravam esta função estão a ser
convidados a rescindir os contratos por mútuo acordo com o pagamento de indemnizações.
No fundo, a IP está a investir para criar mais oportunidades de negócio para os grupos privados, continuando
a ignorar os alertas do próprio GISAF (Gabinete de Investigação de Segurança e de Acidentes Ferroviários)
sobre as consequências, para a segurança, desta política da IP. E a IP continua a investir em substituir emprego
qualificado pela subcontratação, aumentando os custos reais e o risco da operação.
Sr.as e Srs. Deputados, isto não é avançar, isto é andar para trás!
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!
O Sr. BrunoDias (PCP): — E não se diga que é por limitações orçamentais que o Governo e as empresas
que tutela estão a levar a cabo estas políticas de restrição, bloqueio e constrangimento. Pelo contrário, o que se
verifica é que o Governo não está a aplicar as verbas, os investimentos e as medidas de reforço ao serviço
público que foram aprovadas, mesmo que sejam aquém das propostas do PCP, que PS e PSD rejeitaram. O
problema, Srs. Deputados, não é de cativação orçamental, é de decisão governamental!
O Sr. João Oliveira (PCP): — Exatamente!
O Sr. BrunoDias (PCP): — Do que o País precisa não é de submissão e seguidismo em critérios
economicistas e de excedente orçamental, precisa de medidas concretas e imediatas para os problemas graves
que estão colocados.
Ao longo dos anos, temos vindo a alertar para esta realidade, apresentando soluções e sublinhando a
questão do serviço público como fator fundamental para o desenvolvimento.
Saudamos a luta das populações, dos utentes e dos trabalhadores do setor. Reafirmamos a nossa
solidariedade para com a denúncia e a exigência de uma resposta concreta e reafirmamos o empenho do PCP
para intervir, trabalhar, lutar por transportes públicos verdadeiramente ao serviço do povo e do País.