I SÉRIE — NÚMERO 12
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Vamos, pois, passar às votações regimentais.
Começamos pelo Projeto de Voto n.º 682/XIV/3.ª (apresentado pelo PAR e subscrito pelo PS, pelo PSD,
pelo BE, pelo PAN e pela Deputada não inscrita Joacine Katar Moreira) — De pesar pelo falecimento de
Fernando Echevarría, que peço à Sr.ª Secretária Maria da Luz Rosinha o favor de ler.
Peço aos Srs. Deputados algum silêncio, até pela natureza do voto que vai ser lido.
A Sr.ª Secretária (Maria da Luz Rosinha): — Sr. Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, o projeto de voto é do seguinte teor:
«Faleceu, no passado dia 4 de outubro, aos 92 anos, Fernando Echevarría.
Nascido em Espanha, em 1929, filho de pai português e mãe espanhola, Fernando Echevarría Ferreira veio
para Portugal em 1953, para, logo em 1961, ter de se exilar, por razões políticas, em Argel e Paris, antes de
regressar novamente a Portugal, já na década de 1980.
Antifascista desde muito cedo, Fernando Echevarría aderiu ao Movimento de Ação Revolucionária (MAR) e
à Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN), antes de fundar, com Emídio Guerreiro e Hermínio da
Palma Inácio, a LUAR (Liga de Unidade e Ação Revolucionária).
Mas é sobretudo na poesia que Fernando Echevarría deixa a sua marca, através de uma sólida e singular
obra, de forte dimensão filosófica, como o denunciam os seus estudos de Filosofia e Teologia em Espanha, no
seminário de Astorga, que, nas suas próprias palavras, tinha como ‘destinatário direto o povo’.
Da sua vasta obra, destaca-se Introdução à Filosofia (Prémio de Poesia do Pen Club, em 1982), Obra
Inacabada (Prémio Sophia de Mello Breyner Andresen, em 2007), Sobre os Mortos ou Lugar de Estudo,
Prémio da Associação Portuguesa de Escritores, em 1991 e em 2010, respetivamente.
Fernando Echevarría foi também distinguido com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique, em
2007, pelo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, e com a Medalha de Mérito Cultural, em 2019.
A Assembleia da República, reunida em sessão plenária, expressa o seu pesar pelo falecimento de
Fernando Echevarría, recordando a figura ímpar da poesia portuguesa contemporânea e endereçando à sua
família e amigos as mais sentidas condolências.»
O Sr. Presidente: — Srs. Deputados, vamos votar a parte deliberativa do projeto de voto que acaba de ser lido.
Submetidaà votação, foi aprovada, com votos a favor do PS, do PSD, do BE, do PCP, do PAN, do PEV, do
IL e das Deputadas não inscritas Cristina Rodrigues e Joacine Katar Moreira e abstenções do CDS-PP e do
CH.
Srs.Deputados, na sequência das votações a que acabámos de proceder, vamos guardar 1 minuto de
silêncio.
ACâmara guardou, de pé, 1 minuto de silêncio.
OSr. Telmo Correia (CDS-PP): — Sr. Presidente, peço a palavra.
O Sr. Presidente:— Para que efeito, Sr. Deputado?
O Sr. Telmo Correia (CDS-PP): — Para anunciar que irei apresentar uma declaração de voto escrita em relação a esta votação, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado. O Sr. Deputado André Ventura também pediu a palavra. É para o mesmo efeito?
O Sr. André Ventura (CH): — É para o mesmo efeito, Sr. Presidente.
O Sr. Presidente: — Fica registado, Sr. Deputado.