O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

6
Diário da Câmara dos Deputados
Não o podia adivinhar e ainda bem que assim é.
E a propósito de eu ter dito que os republicanos tinham o dever de não apoucar de qualquer maneira o valor da visita feita pelo Sr. Bernardino Machado, o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros permitiu-se, e no dia de ontem, entrar em confrontos, em maratonas de republicanismo.
O Sr. Agatão Lança: — Era o dia mais apropriado para V. Ex.ª, o 14 de Maio!
O Orador: — Foi uma infeliz idea. Não é porque o 14 de Maio recorde um pequeno serviço que prestei à República, e, portanto, ao meu país: é porque o dia 14 de Maio recorda que um velho republicano, como era Pimenta de Castro, praticou erros tam graves que foi preciso tirá-lo do Poder a tiros de canhão.
Velhíssimo republicano, anti-diluviano, tendo sido mais do que republicano, pois fora anarquista, foi e Sr. Sidónio Pais, e leve de pagar com a vida a traição que fez à Pátria e à República.
Apoiados.
Deixemo-nos hoje de medir o republicanismo de cada um.
Não sei quem foram os mestres de S. Ex.ª
Eu nunca tive mestres para entrar para a República.
Não sei onde aprendi, onde recebi essas lições, mas com certeza, Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, era S. Ex.ª menino e moço, recebi eu as primeiras inspirações da idea republicana, estando na África, estando no mar, ao lado de Cândido dos Reis, que foi mestre do todos os republicanos.
Era em 1891, quando nós, oficiais de marinha, a bordo de pequenos navios, tínhamos de nos defrontar com êsse repelão tremendo e invencível do inglês.
Acusou-me S. Ex.ª de eu ter procurado intrigá-lo, indispô-lo com a imprensa.
Não está isso nos meus processos nem no meu carácter.
Eu apenas repeti o que ouvi a S. Ex.ª
S. Ex.ª reprovou em termos calorosos que a imprensa portuguesa se tivesse feito eco do canard americano. Uni dos jornais visados foi um que dizia o que vou ler no dia, em que S. Ex.ª aqui falou.
Êsse jornal pode ser lido por 60 milhões.
Tem 22 edições por dia.
É um jornal importante, não há dúvida visto que os jornais se fizeram eco dele.
Eu entendi que devia chamar a atenção de S. Ex.ª para o jornal, não para provocar um desmentido, porque não era preciso que das cadeiras do Poder se viesse dizer que o Govêrno não pensava em alienar qualquer porção de território português, mas para se poder afirmar aqui que o coração português se tinha amargurado, como de facto se amargurou, com a notícia que veio nesse jornal.
Essa afirmativa já foi feita por um estadista espanhol por outra forma: que Portugal é igual à colónia inglesa de maior importância.
E até já se foi mais longe, dizendo-se que uma grande nação tinha aqui encravada uma feitoria britânica.
O Sr. Velhinho Correia: — A feitoria britânica deve ser Gibraltar.
O Sr. Alberto Vídal: — Não há dúvida.
O Orador: — A propósito de eu ter preguntado, acêrca dêsse boato, qual tinha sido a atitude dos nossos Ministros em Washington e Paris, S. Ex.ª disse aqui — é possível que eu tenha ouvido mal — que eu tinha atingido êsses Ministros.
Sôbre o assunto veio ontem dizer que é manifesta a minha má vontade contra o Sr. João Chagas, e depois acrescentou, que êle Ministro dos Negócios Estrangeiros não tinha culpa que eu não tenha realizado as minhas aspirações.
Então preguntei quais eram as aspirações.
Não quis S. Ex.ª, ou não soube dizer, quais elas eram.
A êste propósito devo dizer mais uma vez, porque tenho dito inúmeras vezes, dentro e fora do Parlamento, que não quero ser Ministro, nem Alto Comissário, nem embaixador, e por uma razão simples: porque não tenho nenhum, mérito para isso.
Se um dia o Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros quiser ir a Timor, sou capaz de guiar o navio com relativa segurança até lá.