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Diário da Câmara dos Deputados
dos tinham peças de 47 e 57, já os submarinos as tinham do 10, do 12 e até de 15!
Eu não quero abusar da paciência da Câmara, principalmente porque tenho notado que uma parte dos Srs. Deputados deseja que se acabo a discussão dos orçamentos, que se vote tudo, embora não se vote com consciência.
No emtanto direi ainda que foi devido a essa acção da nossa modesta, da nossa pequena o quási insignificante marinha que só pGde traçar essa página formidável da guerra marítima que foi o comboiamento do paquete S. Miguel pelo caça-minas Augusto Castilho, comandado por essa figura heróica de combatente que foi Carvalho Araújo.
Apoiados.
Se se tivesse cumprido o programa naval de 1911, Carvalho Araújo não teria morrido, porque estaria a bordo de um navio que teria peças que pudessem pôr fora de combate o submarino germânico, ao passo que assim, com aquele pequeno navio, foi obrigado a meter-se entro o submarino germânico e o vapor S. Miguel como alvo para agüentar as granadas alemãs e para dar tempo a que êsse paquete se salvasse, embora fôsse para o fundo o seu navio e êle perecesse juntamente com alguns marinheiros portugueses.
O Sr. Presidente: — Eu peço a V. Ex.ª a fineza de abreviar as suas considerações, porque tem apenas cinco minutos.
O Orador: — Esses poucos minutos que me restam quero aproveita-los para dizer o seguinte: quando o almirante inglês que fazia o cruzeiro do Atlântico do Sul teve de se retirar, porque os seus navios eram precisos noutro ponto, a defesa dos mares de Cabo Verde foi entregue aos distintos oficiais da marinha portuguesa, o Sr. Correia da Silva, filho do: Conde de Paço de Arcos, e ao comandante Cisneiros de Faria. O almirante inglês ao retirar-se entregou a defesa e patrulhamento dos mares de Cabo Verde a duas canhoneiras portuguesas.
Apesar dos fracos recursos da nossa marinha, nós tivemos a honra de, estando o cruzador S. Gabriel na cidade do Cabo de regresso da campanha na nossa província de Moçambique, ser pedido ao seu comandante, Martins Pereira, para, com os seus marinheiros, defender essa cidade e os domínios ingleses de um ataque que estava iminente e que era dirigido por oficiais alemães.
Tam séria foi essa hora, que o palácio do governador da União Sul-Africana foi guardado por marinheiros portugueses e foram metralhadoras portuguesas que estiveram no cais.
Apesar da insignificância da nossa marinha, muito ela fez para que Portugal, pela sua entrada na guerra, merecesse a consideração dá nossa aliada e o respeito e a consideração de todos os povos cultos que combateram a onda germânica cujos processos eram atemorizar as populações.
Conseguiram essas nações vencer a Alemanha depois de quatro anos de guerra, e depois de terem conseguido a frente única e depois dessa memorável batalha naval de Skager Bak.
Eu não posso alongar-me mais. Apenas direi à Câmara que o meu esfôrço e o trabalho dos meus estudos o daria por bem empregado se as minhas palavras descoloridas, mas ditadas pela fé no prestígio da República e do País, calassem um pouco no ânimo daqueles que olham por vezes para as questões de maior interêsse com uma indiferença e uma despreocupação que chega a ser irritante e enervante.
Tenho dito.
Vozes: — Muito bem.
O discurso será publicado na íntegra revisto pelo orador, quando, nestes termos, restituir as notas taquigráficas que lhe foram enviadas.
Foi encerrada a discussão sôbre êste capitulo.
Postos sucessivamente à discussão os restantes capítulos, como ninguém tivesse pedido a palavra, ficou encerrada a discussão sôbre o orçamento do Ministério da Marinha.
O Sr. Presidente: — A próxima sessão é amanhã à tora regimental, com a mesma ordem de trabalhos.
Está encerrada a sessão.
Eram 24 horas.
O REDACTOR — Sérgio de Castro.