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Diário das Sessões do Congresso

política aberta pela demissão do Governo, dando realização aos votos do Congresso.

Na violenta noia que deixou no Ministério dos Negócios Estrangeiros, ao retirar--se, o representante da Alemanha, fez-se uma insinuação grave ao carácter português, que s uma grave injustiça. Em certa passagem dessa nota insinua-se que cidadãos alemães, entre eles dois oficiais do exército, foram colhidos numa cilada, em África, e assassinados. Isto não pode ser riscado da nota que deixou no Ministério dos Negócios Estrangeiros o representante da Alemanha; mas tem de ser desmentido à face de todo o mundo. Esse desmentido, porem, não pode fazer-se ali, com palavras., tem de fazer-se com documentos, restabelecendo a verdade dos factos, para honra da nação. Que se inquira do incidente a que se refere a nota alemã, o que o resultado desse inquérito se torne conhecido de todo o mundo. Portugal não pode ficar sob a acusação de que oficiais do seu exército, traiçoeiramente, covardemente, assassinaram ou fizeram assassinar oficiais do exército alemão, colhendo-os num yuet apens. Deseja, por conseguinte, que se publique um livro referente aos sucessos da África, a que a nota alemã se reporta para nos assacar, uma infâmia.

O representante da Alemanha, constatando uma verdade que nos honra, procurou exprimi-la de maneira que nos ofende. Ele bem sabe que somos incapazes d'e faltar aos nossos compromissos, mas tendo de reconhecer o facto deu lhe uma expressão ofensiva. Que somos vassalos da Inglaterra. Não somos vassalos de ninguém, mas somos escravos das nossas obrigações, e não conhecemos mais nobili tante escravatura.

Da Inglaterra não somos escravos, nem vassalos, mas tam somente amigos e aliados, e sente muito prazer em afirmar ali que a nação aliada e amiga se tem condu zido para connosco, em tudo que diz respeito à guerra, pela forma mais estimável e maior consideração.

Ouvem se muitos apoiados em toda a sala, aos quais se associam os assistentes das galerias, manifestando^se com palmas.

O discurso será publicado na integra quando o orador restituir as notas taquigráficas.

O Sr. Cjsta Júnior: — Tendo ouvido as declarações do Sr. Presidente do Ministé-

rio e do ilustre Deputado, Sr. Alexandre Braga, vou ler e mandar para a Mesa a seguinte declaração, para que fique bem assente a orientação do Partido Socialista no actual momento: Leu.

Declaração

O Partido Socialista, sendo um partido que sempre tem combatido a guerra, como uma das maiores calamidades que deslustram a humanidade, e não tendo nenhuma interferência nem solidariedade na emergência a que a nossa nacionalidade agora está sujeita, mas fiel aos seus deveres e direitos, vem digna, nobre e mui altivamente, em harmonia com a sua declaração de principies apresentada na sessão de 28 de Junho de 1910, ern que dizia que, a dada a letra dos tratados de que Portugal é signatário, saberia cumprir com o que nos mesmos se encontra estabelecido para que Portugal saiba honrar os seus compromissos», declara que todos os verdadeiros socialistas estão no momento presente ao lado da Pátria.

Sala do Congresso, em 10 de Março de 1916.— O Deputado, José António da Costa Júnior.

Para a acta.

Para a Secretaria.

É lida e aprovada por unanimidade, a moção do Sr. Alexandre Braga.

É lida e aprovada por unanimidade a proposta do /Sr. Presidente do Ministério.

Antes de se encerrar a sessão

O Sr. António Macieira: —.Sr. Presidente : todos os partidos da República, orientados pelo mesmo sentimento patriótico, acabam de dar ao País a inequívoca demonstração de que são fortes, valorosos e dignos defensores do regime republicano.

O Parlamento Português, una você, acaba de declarar que apoia a atitude do Governo em relação á política internacional, qual é a de fixar que ele cumpriu os desejos da Pátria Portuguesa, bem integrando-se nos seus deveres e obrigações de aliada secular da Inglaterra « dando assim todo mais um testemunho de solidariedade e de um forte e elevado patriotismo.

' Sr. Presidente: afigura-se-me que é um dever de honra, porque não é apenas um