O texto apresentado é obtido de forma automática, não levando em conta elementos gráficos e podendo conter erros. Se encontrar algum erro, por favor informe os serviços através da página de contactos.
Não foi possivel carregar a página pretendida. Reportar Erro

Setslo de 10 de Março de 1916

11

O Orador: — -Nele não há já partidários, há apenas cidadãos portugueses, (Apoiados), prontos todos a defenderem, com amor e com uma igual dedicação, a sagrada causa da independência da Pátria.

Ê pelo nosso inviolável respeito à fé jurada dos tratados, é pela tradicional lial-dade dum povo, que não soube jamais furtar-se ao integral cumprimento de todos os seus deveres, é por tudo isto, que a dura insensibilidade germânica não pode compreender nem sentir, é por tudo isto, que faz o nosso orgulho e é a pedra de toque da nossa pura e cavalheirosa nobreza, é por tudo isto que a Alemanha, violenta e soberba, nos declara sobranceiramente a guerra.

Pois bem : fortes com a certeza de que. requisitando os navios alemães, cumprimos um insofismável direito, e seguros de que singelamente desempenhamos um dever' para com nós próprios, para com a grande nação nossa aliada, e para com todos os povos, que, ao lado da explêndida e gloriosa Franca, tanto se tem sacrificado e sofrido pelo triunfo da Liberdade e do Direito, nós encaramos com serenidade, com firme e tranquila confiança, o futuro que nos que;ra oferecer o destino.

Ap)íenos todos para a forte energia duma raça, que, através de oito dilatados séculos, soube criar, defender e manter uma gloriosa nacionalidade.

Sem desconhecermos a desproporcionada força que nos ameaça, e que, embora impotente para vencer os fortes, pôde já conseguir o transitório esmagamento de duas pequenas nações, digamos à Alemanha que ela nos não amedronta, e ensinemos-lhe mais uma vez, a ela, a violadora da neutralidade da Bélgica, que, se há grandes nações que se diminuem e degradam por uma desmedida ambição e uma devoradora cubica, há, também para glória imortal da humanidade, pequenos povos que se engrandecem, enobrecendo-se pelos sacrifícios e pelo culto do dever, da lialdade e da honra.

Vozes: — Muito bem. Apoiados gerais. Palmas nas galerias.

O Sr. António José de Almeida: — Apesar de mal restabelecido, não quis deixar

de cumprir o seu dever, vindo à reunião do Congresso, nesta hora solene e grave. Não podia deixar de o fazer, neste momento em que todos os homens que tem uma voz para manifestar o seu sentir, para abrir os seus corações, e sobretudo quando essa voz tem atrás de si um apostolado que pode não ser glorioso ruas que é honesto, deve dizer a todos os portugueses que se unam, que se conjuguem em redor da Pátria, para que ela, com o esforço e a dedicação de todos, resulte maior e mais bela (Muitos apoiados).

Se portugueses houver que não queiram neste momento vir comungar connosco a hoste sagrada do sacrifício pela Pátria, que esses não sejam republicanos e fiquem dentro do seu egoísmo.

São conhecidas, aqui e lá fora, em todo o país, as ideas do Partido Republicano Evolucionista sobre a nossa atitude perante a guerra. Foram formuladas aqui em discursos, e lá fora, na imprensa, em artigos firmad' s pelo orador. Sabe o Sr. Presidente e sabe o Congresso o que nós pensamos acerca da guerra.

Então dissemos que havíamos de ir até onde fosse preciso, e quando fosse preciso. Hoje, como ontem, a nossa opinião é a mesma e nela nos mantemos com toda a firmeza da nossa energia e com todo o ardor do nosso patriotismo.

Só uma consa nos levanta, só uma cousa nos move e agita, fazendo nos estremecer: é o sentimento, que a nós todos, portugueses, nos deve levar a correr todos os perigos, a esquecer todos os sacrifícios e suportar com resignação, com grandeza, com heroísmo todas as lutas, a vencermos todas as contrariedades para cumprirmos honesta e lialmente a letra dos nossos tratados e corresponder honestamente a todos os nossos compromissos com a Inglaterra, nação nossa amiga e aliada (As galerias irrompem em frenéticos aplausos).

E havemos de cumpri-las, porque Portugal jamais soube esquecer a fé dos seus tratados e dos seus compromissos internacionais.